quarta-feira, 9 de abril de 2014

“O torturador e o ladrão”, por Eugênio Bucci

Extraído do Observatório da Imprensa

Edição 793, de 8 de abril de 2014.

As costeletas adensadas do delegado Sérgio Paranhos Fleury deslocavam o centro de gravidade nos contornos daquele semblante obscuro. A região acima da testa se dissolvia na sombra, em fade out, enquanto os maxilares se fixavam como chumbo na base do rosto, daí descendo sobre os ombros. Eram ombros em declive, no formato de uma seta. Ou melhor, de uma gota. O homem era uma gota gigantesca, descerebrada, uma gota de metal e vísceras. Nas fotos em preto e branco vemos seus olhos, ora amortecidos, ora mortíferos, refletindo não a alma, mas as vísceras. Fleury dedicou a vida, com muito suor e notável determinação, a perseguir, torturar e matar cidadãos indefesos. Imortalizou-se como o ícone maior da tortura no Brasil.

Que tenha sido também ladrão nas horas vagas não é o de menos. Nestes tempos em que a memória do golpe de 1964 ocupa o noticiário, há uma leitura obrigatória, que narra em detalhes um episódio em que o delegado tomou para si o que não lhe pertencia. O nome do livro é Minha Vida de Terrorista (São Paulo: Prumo, 2013), de Carlos Knapp.
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Eugênio Bucci é jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM

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Leia o texto na íntegra:



sexta-feira, 28 de março de 2014

Desenhando palavras... em guardanapos!


Quem nunca rabiscou? O hábito é no mínimo tão antigo quanto o papel – para não falar das paredes, incluindo as de cavernas pré-históricas. Em restaurantes, bares e botecos, uma nova era surgiu no dia em que apareceu o guardanapo de papel, eleito pelos frequentadores como fiel depositário de rabiscos, recados, propostas, projetos, trovas e ao que mais a imaginação quisesse dar asas. Escritores e poetas nunca resistiram a um guardanapo dando sopa, desde os anônimos até Vinicius de Moraes, que assim dava forma a suas inspirações nas noites boêmias.

E foi com bares e guardanapos de papel que surgiu a história de sucesso de Eu me chamo Antônio, uma página do Facebook criada em outubro de 2012 para compartilhar os pensamentos e poemas escritos/desenhados pelo redator e publicitário Pedro Antônio Gabriel Anhorn, um carioca de coração que nasceu em N’Djamena, capital do Tchad. Eu me chamo... já virou livro e tem milhares de seguidores nas redes sociais.

Assista ao vídeo e veja as fotos do autor e suas principais ferramentas de trabalho – canetas, guardanapos, chope e a mesa de bar –, clicando AQUI.



quinta-feira, 27 de março de 2014

Eu como, tu comes, ele/ela come, nós comemos...



Um retrato de nossos hábitos alimentares. Comemos bem? Comemos mal? Como piorar e como melhorar?

Aqui está o Guia alimentar para a população brasileira – 2014, em sua versão para consulta pública. Use e abuse. A informação faz bem à saúde, não tem contra indicações e tampouco engorda.

Para ler o guia, clique AQUI.

E não se esqueça que o documento está em fase de consulta pública. Se você é profissional na área, pode colaborar com comentários e sugestões para o guia alimentar até o próximo dia 7 de maio. Basta acessar a ferramenta de consulta pública no portal do Ministério da Saúde:
  

terça-feira, 25 de março de 2014

Uma questão de bom tom


Ele tem um mapa do Centro-Oeste em sua trajetória. É cuiabano, mas passou toda a infância e boa parte da adolescência em Rondonópolis, cresceu um pouco mais em Coxim, morou dois anos em Campo Grande e despencou em Dourados. Nessa cidade, acabamos nos esbarrando em meio ao planejamento de um concerto de piano. Eu estava organizando o evento, apavorada com as surpresas da primeira produção; ele era o fotógrafo, calmo, centrado, um profissional competente que conduzia seu trabalho com segurança. E assim, quando mal percebemos, fomos parar em um altar – madrinha e padrinho de casamento de um músico que era nosso amigo em comum. Fotografia, música e amizade. Três elos poderosos e prazerosos.

Em nosso último encontro de trabalho, percebi mudanças no ar. Sério, ele abandonou momentaneamente a câmera na sessão de fotos e, com voz levemente irônica, me fez uma confissão: “Nada, absolutamente nada contra música sertaneja universitária, mas... o tempo todo e todo tempo? Chega a incomodar. Massifica. Cansa!”. Percebo com clareza, e compartilho, o peso da mesmice. Pensando (e sentindo) assim, o eclético Goldem Fonseca – que além de fotógrafo é músico e publicitário – deu tratos à imaginação e, rapidinho, decidiu agir contra a maré dos excessos.

Bastou um simples acorde entre amigos que amam música e, com harmonia, surgiu o “Projeto Bom Tom”: um site colaborativo formado por jornalistas, fotógrafos, músicos e publicitários com a meta de fomentar e disseminar a música autoral de Mato Grosso do Sul – e do Brasil, é claro! Puro entretenimento, com MPB, rock, blues, jazz, chorinho e samba, entrevistando bandas, compositores, cantoras, cantores; divulgando notícias e dicas sobre o que ouvir, ver e ler sobre música; produzindo e apresentando vídeos-aula – praticamente um ponto de encontro para compartilhar ideias e ações criativas, além de surpreender com pitadas de bom humor, como na frase do Luciano Pavarotti: “Aprender música lendo teoria musical é como fazer amor por correspondência”.

O endereço (ainda provisório) é www.pbomtom.wordpress.com, com links de acesso ao “Canal Bom Tom” no YouTube e a uma fanpage no Facebook. Agora é só você clicar, experimentar e gostar, ou não! Afinal, é só mais uma opção – mas de bom tom!
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FONTE DA IMAGEM: Review da guitarra Gibson ES-335 com Simão Gandhy para o Bom Tom - Foto de Goldem Fonseca. 


 

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