quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um jardim para o poeta


Há meses que trabalho nele, planejando, organizando, encomendando mudas e plantando. Uma jabuticabeira, dezenas de chuvas-de-ouro fixadas em uma antiga mangueira, canteiros de alecrim, lavanda e amendoinzinho, além de duas árvores para colher pitangas e acerolas. Um jardim feito com e para os sentidos: para olhar, tocar, colher, cheirar, comer. Mas sempre faltava um pé de alguma coisa, cobertura para algum canteiro, uma muda pra transplantar... E hoje, ao sentir o aroma do alecrim e me alegrar com os primeiros botões da alamanda amarela, decidi que o jardim estava pronto. Foi então que encontrei um joão-de-barro caído, agonizante sobre o gramado. Um calafrio me percorreu e pensei, com tristeza profunda: “O poeta está partindo...”. Ontem mesmo eu havia conversado com amigos sobre sua hospitalização e a fragilidade de sua saúde.

A tristeza não me atingiu em vão. Manoel de Barros foi embora e deixou órfãos incontáveis: borboletas, pedras, sapos, árvores, lesmas, jabutis, pássaros, rios e até o vento. Nem o cachorro Ramela escapou. Ficamos todos à deriva, buscando terra firme, sem asas, com ramos caídos, pernas e patas sem chão.

Faz muito tempo que nos conhecemos, e no começo achei muito esquisitas aquelas suas palavras, à primeira vista tão sem pé nem cabeça — como se a alguma delas faltasse cabeça ou pé. E então, baixando a guarda e deixando-me contaminar por suas invencionices, fui abduzida em 1985. A nave alienígena foi um livro seu. Na época, coordenando um grupo de pesquisa na UFMS, estudávamos sobre biodiversidade de plantas aquáticas e sua fauna associada. E eu passava a vida envolvida com questões a serem respondidas sobre padrões e processos reguladores, com planilhas, análises estatísticas e uma parafernália de teorias e hipóteses sobre a diversidade biológica no Pantanal. Foi quando li em seu “Livro de pré-coisas” que “no Pantanal ninguém pode passar régua. Sobremuito quando chove. A régua é existidura de limite. E o Pantanal não tem limites” — e uma revelação me atingiu como um raio. Eu era uma besta! Tanto trabalho, tanta pesquisa, e o poeta matava a questão a pau, nua e crua. Nunca mais fui a mesma.

Hoje não tem mais jeito; vou deixar a tristeza me derrubar. Mas amanhã, prometo, vou dançar de cabelos soltos no jardim, dando bom dia às lesmas e beija-flores, celebrando a alegria de ter em mãos (a ao alcance de minha compreensão) poemas como os seus.

Obrigada, Manoel de Barros!

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FONTE DA IMAGEM – O poeta Manoel de Barros – página de divulgação do Facebook.

domingo, 2 de novembro de 2014

Fundação de Cultura lança livro sobre talentos da Literatura de MS


A obra, Vozes da Literatura, com mais de 300 páginas, apresenta perfis e fotos de 50 escritores, entre homenagens póstumas e autores contemporâneos de Mato Grosso do Sul.

“Trata-se da quinta publicação da série Vozes, que homenageia expressivos artistas sul-mato-grossenses”, sublinha o presidente da FCMS, Américo Calheiros. “Neste volume, 50 nomes que fizeram e fazem Literatura em nosso Estado se dão a conhecer um pouco mais. São cronistas, poetas, contistas, romancistas, ensaístas, memorialistas, historiadores – representantes do que se pode conceituar Literatura em seu sentido mais amplo.”

Segundo os organizadores do livro, Fabio Pellegrini e Melly Sena, o trabalho de elencar os nomes enfocados foi uma árdua missão. Felizmente, não por falta deles e sim pelas revelações que vêm se multiplicando em nosso Estado, somando-se a autores consagrados e constituindo uma crescente produção que, certamente, frutificará cada vez mais pujante nas gerações futuras.

Os perfis dos escritores foram redigidos por 48 autores convidados, conhecedores da vida e obra de cada um dos homenageados. O texto de apresentação, de autoria de Albana Xavier Nogueira, traça um panorama da história da Literatura em nosso Estado, desde os primeiros relatos feitos por viajantes e desbravadores (como Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, Ricardo Franco de Almeida Serra e Augusto João Manoel Leverger) até a aplicação das novas tecnologias na área e o necessário trabalho de formação de leitores, passando pelo papel desempenhado pela imprensa na descoberta e revelação de talentos.

A apresentação visual da obra, que tem design gráfico assinado por Desirée Melo, é valorizada pelo trabalho fotográfico de Rachid Waqued, que assina a maioria dos retratos dos autores. O livro não será comercializado e posteriormente será distribuído a bibliotecas, escolas públicas e instituições culturais.

Lançamento do livro Vozes da Literatura
Dia 6 de novembro (quinta-feira), às 8:30 horas.

Auditório da Governadoria do Estado de Mato Grosso do Sul
Avenida do Poeta, Bloco 8
Parque dos Poderes – Campo Grande – MS
ENTRADA FRANCA.
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FONTE DO TEXTO E DA IMAGEM: Material de divulgação da FCMS


sábado, 25 de outubro de 2014

Você já sabe o que fazer, não sabe?



Se sua memória não está muito boa, aqui vai um lembrete:
depois-das-cicatrizes-um-projeto


terça-feira, 21 de outubro de 2014

LUZ DOS OLHOS... para olhar com o coração!


Apreciar o trabalho de Andréa Luz é uma dádiva, um prazer. Sua técnica de desenho, com lápis de cor ou com pastel seco, é irretocável, perfeita. E a sua emoção aflora, imerge, salta aos olhos em cada desenho. IMPERDÍVEL!

A exposição está na Morada dos Baís, na Afonso Pena (esquina com Av. Noroeste, 5140), em Campo Grande, MS, até dia 1° de novembro de 2014.



domingo, 12 de outubro de 2014

“A diminuição da mata nos mananciais e a lição da seca em São Paulo” – artigo de Bruno Calixto – Blog do Planeta – Revista Época

Em um texto revelador, o repórter Bruno Calixto explica que a falta d’água em São Paulo não é uma simples questão climática:
  
A cidade de Extrema, no sul de Minas Gerais, enfrenta a mesma situação de seca que São Paulo. Só que, enquanto nascentes paulistas se esgotam, Extrema não corre risco de racionamento. A água brota, mesmo sob forte estiagem, graças a um programa de reflorestamento. A cidade mostra quanto a floresta importa para o abastecimento de água. Projetos que usem Extrema como referência poderão suavizar os efeitos das estiagens em todo o país. Infelizmente, a cidade mineira é um caso isolado. Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado com exclusividade por ÉPOCA, mostra que as florestas da região da Cantareira, de onde sai a água que abastece São Paulo, estão muito mais desmatadas do que se imaginava. Isso causa impacto no abastecimento de água.”



FONTE DA IMAGEM: Tatiana Morita Ishihara.


 

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