domingo, 31 de outubro de 2010

Final de tarde com Rita Pavone

Já vesti as mesmas roupas, cantei a mesma música e dancei do mesmo jeito...
E era muito divertido (para não dizer “bárbaro”, “bacana” e “legal”)!


sábado, 30 de outubro de 2010

Roland Barthes: Falar/Beijar

Segundo uma hipótese em Leroi-Gourhan, foi quando pôde liberar seus membros anteriores da marcha e, portanto, sua boca da predação, que o homem pôde falar. Acrescento: e beijar. Pois o aparelho fonatório é também o aparelho oscular. Passando à postura ereta, o homem ficou livre para inventar a linguagem e o amor: talvez seja este o nascimento antropológico de uma dupla perversão concomitante: a palavra e o beijo. Assim sendo, quanto mais os homens se liberaram (com a boca) mais falaram e beijaram; e, logicamente, quando, pelo progresso, os homens se livrarem de toda tarefa manual, não farão mais do que discorrer e beijar!

Imaginemos, para essa dupla função localizada num mesmo lugar, uma transgressão única, que nasceria de um uso simultâneo da palavra e do beijo: falar beijando, beijar falando. É preciso crer que essa volúpia existe, já que os amantes não cessam de “beber as palavras dos lábios amados”. O que eles saboreiam então, na luta amorosa, é o jogo do sentido que desabrocha e se interrompe: a função que se perturba: em uma só palavra: o corpo tartamudeado.


FONTE DO TEXTO:
Roland Barthes. 2003. Roland Barthes por Roland Barthes. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo, Estação Liberdade. Página 158.

FONTE DA IMAGEM:
Foto de Robert Doisneau (1912-1994) – “O Beijo do Hotel de Ville” -, tirada em Paris em 1950.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bom dia, Petrobrás! [Texto de Sonia Hess]

Bom dia, Petrobrás!

Agradeço aos senhores e senhoras, burocratas fartos de sabedoria, pela fumaça que mina a saúde dos brasileiros. Os 2000 ppm de ENXOFRE [duas mil partes de enxofre por milhão] que insistem em não retirar do diesel nos fazem experimentar sensações indescritíveis quando somos banhados pelas nuvens de materiais tóxicos emitidas por ônibus, caminhões e outros veículos.

Os japoneses, europeus e norte-americanos não têm esta experiência, já que em seus países, o diesel não pode conter mais do que 50 ppm do fétido e perigoso componente. Não haverá punição aos senhores e senhoras, porque seu crime é discreto. Mas, em algum momento, com certeza, também a sua percepção irá denunciar que isto não é correto, e que as mais de 4 000 mortes anuais causadas pela poluição atmosférica, somente na cidade de São Paulo, cobrarão um preço. Se a maioria das pessoas ainda não sabe disto, eu e outros tantos sabemos!

[Sonia Hess é engenheira química, mestre e doutora em Química pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com pós-doutorados no Instituto de Química da UNICAMP e na Università Cattolica del Sacro Cuore de Roma. Atualmente é professora e pesquisadora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).]

"Ficha Limpa" está valendo... JÁ!

O Supremo Tribunal Federal julgou um recurso de Jader Barbalho (do Pará, cuja candidatura ao Senado foi barrada), em uma sessão longa e tumultuada. Quando os ministros novamente empataram em 5 a 5 sobre o mérito da discussão, o ministro Celso de Mello sugeriu que fosse mantida a decisão do Tribunal Superior Eleitoral de considerar a Lei da Ficha Limpa constitucional e válida para este ano. E a proposta foi aprovada por 7 a 3. Que coisa boa! Todos os votos dados aos “fichas sujas” na eleição de 2010 são nulos. Mesmo que esses corruptos tenham tido uma votação estrondosa, eles estão fora do páreo.

A LEI DA FICHA LIMPA não fere a constituição e sua aplicação é imediata!

Vejo um forte facho de luz no fim do túnel!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Eduardo Galeano: A leitora

Quando Lucia Peláez era pequena, leu um romance escondida. Leu aos pedaços, noite após noite, embaixo do travesseiro. Lucia tinha roubado o romance da biblioteca de cedro onde seu tio guardava os livros preferidos.

Muito caminhou Lucia, enquanto passavam-se os anos. Na busca de fantasmas caminhou pelos rochedos sobre o rio Antioquia, e na busca de gente caminhou pelas ruas das cidades violentas.

Muito caminhou Lucia, e ao longo de seu caminho ia sempre acompanhada pelos ecos daquelas vozes distantes que ela tinha escutado, com seus olhos, na infância.

Lucia não tornou a ler aquele livro. Não o reconheceria mais. O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela.

FONTE: Eduardo Galeano – 2002 – Mulheres – Crônica – Tradução de Eric Nepomuceno, Coleção L&PM Pocket, vol. 20, página 176.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sob risco de colapso [Texto de Karina Ninni – de O Estadão]

No mundo, 70% das espécies comerciais estão com estoques baixos; no Brasil, índice chega a 80% no Sudeste.

A redução drástica da população de algumas espécies de peixes e crustáceos e o desaparecimento de outras foram tema de debate na Conferência da Biodiversidade, em Nagoya, Japão, que acaba na sexta-feira. Especialistas repisaram o alerta: por milênios o ser humano encarou o mar como fonte inesgotável de alimento, mas isso não vale mais, não no planeta de 6,6 bilhões de habitantes. O grande vilão do fenômeno é a pesca desordenada, que no Brasil já ameaça mais de 80% dos estoques do Sul e Sudeste e 50% no Norte e Nordeste.

O relatório Global Ocean Protection, recém-lançado em Nagoya, é claro: "Alguns estoques estão próximos do colapso e não deveriam mais ser pescados. E todos deveriam ser alvo de planos de uso sustentável de longo prazo", afirma Caitlyn Toropova, uma das autoras do estudo.

Relatório divulgado este mês pela ONG World Wildlife Foundation indica que 70% das espécies comerciais do mundo, como o bacalhau do Atlântico Norte e o atum do Mediterrâneo, estão com estoques baixos.

No Brasil, o Censo da Vida Marinha divulgado este mês pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) indica que, das 1.209 espécies de peixes catalogadas na costa e nos estuários, 32 são sobre-exploradas. O caso dos crustáceos é ainda pior: a sobrepesca afeta 10 de 27 espécies.

A situação é agravada pela falta de políticas de ordenamento da atividade pesqueira. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) calcula em 350 mil o número de pescadores profissionais do País, que respondem por 70% da captura de espécies marinhas na costa. De acordo com o MPA, existem 60 mil embarcações artesanais e cerca de 10 mil industriais nos 3,5 milhões de quilômetros de quadrados de mar sob jurisdição brasileira.

Pelos números oficiais, foram tiradas dos mares brasileiros 585.671,5 toneladas de pescado em 2009. Mas o sistema de licenciamento, a permissão para a pesca de uma determinada espécie, foi criado nos anos 70 e 80, quando os estoques eram outros.

"É comum, na ausência de um recurso para o qual tem permissão de pesca, que o pescador se volte para outro. A verdade é que não se sabe quem está pescando o quê e com qual licença", diz o professor Jose Angel Alvarez Perez, integrante do Grupo de Estudos Pesqueiros da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.

Segundo Perez, existem espécies em que há sobrepesca há décadas, para as quais não se deveria mais conceder licenças de captura, como a corvina. "E há outras, como os linguados, para as quais não há nenhuma instrução normativa para a captura."

"Na Europa, diferentes países dividem os recursos e isso favoreceu a normatização e a geração de informações. Os primeiros relatos de sobrepesca na Europa datam do século 19", afirma Antonio Olinto Ávila da Silva, pesquisador do Instituto de Pesca (IP) de São Paulo.

No entender de Perez, da Univali, o problema não é tanto de falta de informação, mas de adoção de políticas efetivas. "Em 2004 o MMA lançou uma lista das espécies ameaçadas de extinção e pela sobrepesca. A ideia era que, a partir da lista, o sistema de licenciamento para embarcações pesqueiras fosse revisto."

A presidente da Associação Litorânea Extrativista do Estado de São Paulo Isaura Martins dos Santos, de 54 anos, confirma a informação sobre o déficit de monitoramento. "A gente pesca tudo quanto é tipo de peixe, carapeva, parati, peixe-espada, corvina. Não fazemos uma pescaria específica, isso só de camarão, mas o que acontece é que a escassez é para tudo. O que diminuiu foi a quantidade, não o tamanho", argumenta Isaura, que, além de pescar há 24 anos, é casada com um pescador.

Um dos problemas apontados por especialistas é a falta de entrosamento entre as instituições responsáveis pelo licenciamento e pela fiscalização da pesca. "Imaginávamos que a criação do Ministério da Pesca fosse melhorar o problema da governança, mas isso não aconteceu, porque o MPA e o MMA não trabalham integrados. O MPA existe para fomentar a produtividade e tem mais força política do que o MMA", diz Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.

Passivo. "A nova Lei de Pesca foi sancionada no ano passado, mas há três anos estamos criando um novo sistema de permissões. Só que o passivo é muito grande", diz Cleberson Carneiro Zavaski, secretário-executivo do MPA. "No passado foi incentivado um crescimento desordenado que potencializou a sobrepesca de algumas espécies."

Para Ávila, do IP, é preciso diferenciar sobrepesca de colapso. Segundo ele, se bem administrada a sobrepesca é uma ferramenta importante para o manejo dos estoques. "Quando você pesca mais do que deveria, significa que o estoque que ficou na água vai ter mais condições de se reproduzir: mais espaço, mais alimento etc. Só quando há sobrepesca por anos seguidos é que os estoques começam a cair."

"A pesca tem uma importância muito mais social do que econômica e as políticas públicas deveriam levar isso em conta. No Estado que mais pesca no País, Santa Catarina, a participação da pesca no PIB é risível", diz Ávila. "O processo de gestão pesqueira tem de ser participativo. Não adianta criar uma boa lei se não houver um trabalho intenso com uma população pouco alfabetizada, para a qual a pesca artesanal é a principal fonte de renda." / COLABOROU REJANE LIMA

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um Espermatozóide e um Banco?!

“Meer doen zit in onze natuur” (Fazer mais está na nossa natureza) ― Essa é a marca do Centea, um banco belga que deletou imagens formais na hora de mostrar os seus serviços. Uma propaganda divertida para uma ideia inteligente.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

FOTO & HUMOR ― Um clima de tensão...


Alguém clicou o flagrante, ou fez uma boa montagem. (A imagem tem circulado na rede sem registro de autoria.) A ideia parece ter sido mostrar o significado da palavra TENSO! Ou será um retrato da expressão “engolir em seco”? Perfeito. Nada mais humano.


domingo, 24 de outubro de 2010

UNIARTE – Um evento cultural em 26.ª edição

Cada ano melhor, a UNIARTE estará imergindo a Unigran (Centro Universitário da Grande Dourados) sob o tema “Educação, Arte e Cultura”, durante a semana de 25 a 29 de outubro.

Programação de amanhã
- dia 25 de outubro (segunda-feira):

18h às 19h - CREDENCIAMENTO (Salão de Eventos)

19h15min - ABERTURA OFICIAL (Salão de Eventos)

19h15min às 22h - PERFORMANCES E INTERVENÇÕES (Salão de Eventos):
Fragmentos Shakespearianos, apresentados por Ademir de Carvalho Martins, Luiz Gustavo de Souza Cruz e Mayara Barbosa.
Poéticas do local: Música e Voz, apresentadas por Mayara Barbosa e Alexandre Alves.
Recortes Poéticos de Gicelma Chacarosqui, apresentados por João Rocha.
Singularidades Poéticas, apresentadas por Ademir de Carvalho Martins.
Teologia do Traste (dos “Poemas Rupestres” de Manoel de Barros), apresentada por Wagner Torres.
Grupo M'Boitatá (Arte de Rua).

19h30min - ABERTURA DAS EXPOSIÇÕES, MOSTRAS E FEIRAS DE ARTE

19h30min - HOMENAGENS CULTURAIS (Salão de Eventos):
Idara Duncan (Personalidade Cultural de MS)
Liana de Souza Pietramale (Parceria Cultural)
Vilma Pizzini (Personalidade Cultural de Dourados)

20h - SHOW: Lenilde Ramos (Salão de Eventos)

21h - LANÇAMENTOS DE SEIS LIVROS (Salão de Eventos):
A teia do contar na Nhecolândia: a personagem lendária Mãozão – de Áurea Rita Ávila Lima Ferreira
Discurso indígena: aculturação e polifonia – de Rita de Cássia Pacheco Limberti
Ensino de Artes x Estudos Culturais – de Marcos Antônio Bessa-Oliveira
Formas espaços e tempos: reflexões linguísticas e literárias – de Vânia Maria Lescano Guerra e Edgar Cezar Nolasco (Org.)
O meio é a mestiçagem – de Amálio Pinheiro (Org.)
O menino que engoliu o sol – de Ricardo Pieretti Câmara

21h - APRESENTAÇÃO DE PAINÉIS (Salão de Eventos)

______________

INFORMAÇÕES: (67) 3411-4171 e 3411-4138

Para saber mais sobre a UNIARTE e acessar a programação completa, clique:
http://www.unigran.br/eventos/uniarte/index.html

CineArt – UFMS apresenta: O SÉTIMO SELO

O SÉTIMO SELO, filme sueco de 1956, escrito e dirigido por Ingmar Bergman, recebeu propositadamente esse título, que remete ao livro bíblico do Apocalipse, porque Bergman situou no mundo medieval as questões essenciais sobre o medo do final dos tempos, o medo apocalíptico.

O filme tem por tema a morte: um cavaleiro que volta da Cruzada da Fé para encontrar a peste em sua terra. Quando ele se depara com a morte personificada, aceita-a como um visitante esperado, mas propõe-lhe uma negociação ― numa disputa de xadrez ― para ganhar tempo e indagar sobre o sentido do viver e do morrer, em uma busca de entendimento através da racionalidade. Essa pausa no rumo da morte serve para questionar o propósito da aflição e o caminho para fugir desse destino.

Em O SÉTIMO SELO o sagrado é mudo; Deus e o Diabo apenas existem na voz dos charlatães. Há o cavaleiro e seu escudeiro ― que remetem a Dom Quixote ― como contrapontos da forma de encarar a existência. O escudeiro, cujo pragmatismo revela um conhecimento do mundo distante dos questionamentos e indagações do cavaleiro, transita entre o mundo da taverna e o do filósofo. Os artistas de uma família são os únicos personagens que sobrevivem à Morte — a performance vital do malabarista ingênuo e das demais pessoas que vivem pela arte.

CineArt - UFMS apresenta “O SÉTIMO SELO”, de Bergman

Data: Amanhã, dia 25 de outubro – segunda-feira
Horário: às 13h
Local: Sala do Mestrado em Física, na Unidade V
Endereço: UFMS – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Campo Grande
ENTRADA FRANCA

Guy Veloso e seus “Penitentes” na 29.ª BIENAL

Foto de Guy Veloso, da série “Penitentes” – Bienal de São Paulo

O fotógrafo paraense Guy Veloso está entre os participantes da 29.ª edição da Bienal de São Paulo, com a mostra de um trabalho documental que tem sido por ele pesquisado e fotografado, ininterruptamente, desde 2002: “Penitentes” ― “Confrarias laicas que saem rezando noite adentro em determinadas épocas do ano pelas almas que acreditam estarem ‘presas’ no Purgatório, sempre cobertos com lençóis ou mantos a fim de preservar suas identidades e, em alguns casos, flagelando seus corpos com chicotes”.

De acordo com o catálogo da Bienal, “a fotografia de Guy Veloso nasce de sua discrição em infiltrar-se e cultivar intimidades. Usa equipamento simples, sem recursos de aproximação ou otimização daquilo que seu olho nu pode capturar; reserva às possibilidades do corpo, seus convívios, apegos, erros e divagações, a maior condicionante daquilo que almeja fixar sob a forma de imagem. Em retribuição, o artista conquista naturalidade e espontaneidade dos fotografados, e cria um mapa de cenas que alternam crueza documental, ambiguidade e fantasia [...]. As imagens combinam momentos de sacrifício e dor dos fiéis com momentos lúdicos e de louvação. Assim como na prática do fotógrafo, elas devassam e desmistificam este ideário ocultado e devolvem ao público da Bienal a reflexão e a responsabilidade sobre qualquer espécie de estigma”.

Conheça mais sobre o fotógrafo paraense e veja mais fotos da mostra e de outros projetos, clicando em:

29.ª Bienal de São Paulo
Parque do Ibirapuera – Portão 3
Pavilhão Ciccillo Matarazzo

Horários de funcionamento – até 12 de dezembro:
De 2.ª a 4.ª-feira das 9 às 19h - 5.ª e 6.ª-feira das 9 às 22h
Sábado e domingo das 9 às 19h
Admissão permitida até uma hora antes do fechamento
ENTRADA GRATUITA

sábado, 23 de outubro de 2010

O livro, por Borges e Vargas Llosa

Hoje me peguei falando e pensando em LIVROS. Como resisto fortemente a acreditar em mera coincidência, decidi organizar algumas ideias, dando vazão a essa antiga e sempre renovada paixão que hoje, mais e mais, tem se revelado um “caso de amor”: livros. Não tenho dúvidas: sou o que li! Desde a minha infância os livros me levaram a um universo inigualável em que a força gravitacional é gerida pelo pensamento. Se hoje tenho determinada opinião sobre isso ou aquilo, amanhã, após novas experiências, incluindo leituras, posso me questionar e até mudar de visão. Não há liberdade maior. O pensamento não tem grilhões, a não ser aqueles criados pela própria fantasia ou história de vida. O assunto é apaixonante e interminável, tal qual a nossa capacidade de conectar um pensamento a outro. E os livros... o que são, senão pensamentos impressos?

Com papéis substituídos pela tela de um monitor, os livros estão mais acessíveis do que nunca, em bibliotecas que permitem consultas online. Com um acervo digital impressionante, recentemente ampliado, a Biblioteca Brasiliana da USP recitou Borges, escritor argentino, na página de abertura do seu site, há quase dois anos. O poema não se encontra mais lá. Felizmente o guardei, para ser (re)encontrado hoje:

Dentre os instrumentos inventados pelo homem,
o mais impressionante é, sem dúvida, o livro.
Os demais são extensões de seu corpo.
O microscópio e o telescópio são extensões da visão;
o telefone uma extensão da voz e finalmente temos
o arado e a espada, ambos extensões do braço.
O livro, porém, é outra coisa.
O livro é uma extensão da memória e da imaginação. 

Jorge Luis Borges, 1978.

Na época, com o lançamento da primeira biblioteca digital brasileira, pensei: Temos agora uma fantástica extensão da memória e da imaginação saltando da tela, fazendo a fusão do livro real com o universo virtual. Será o “livro digital” também uma extensão da luz? E que luz será essa? Ideias, pensamentos que iluminam a mente? O que Borges escreveria hoje sobre esse novo formato de livro?

O escritor peruano Mario Vargas Llosa — Prêmio Nobel de Literatura 2010 — falou sobre o livro digital em sua recente viagem ao Brasil:

“É uma realidade que não pode ser detida. Meu temor é que o livro eletrônico provoque uma certa banalização da literatura, como ocorreu com a televisão, que é uma maravilhosa criação tecnológica, que, com o objetivo de chegar ao maior número de pessoas, banalizou seus conteúdos.” Foi o que argumentou o escritor em uma palestra a professores e estudantes no Rio Grande do Sul, registrada pela Folha S.Paulo. Em sequência, Vargas Llosa admitiu que os formatos eletrônicos começam a suplantar o tradicional livro em papel, o qual, se não desaparecer, tenderá a ficar relegado a segundo plano.

“A preservação da qualidade cultivada no formato de papel está relacionada com o que diferencia a cultura da ciência. A ciência progride rompendo com o velho e obsoleto, enquanto as letras e as artes não se desenvolvem, só se renovam.”

O escritor também ressaltou que “na literatura, Cervantes é tão atual como Borges. A obra artística não morre com o tempo. Segue vivendo e enriquecendo as novas gerações”.

E fez uma advertência: “Temos de impor ao livro eletrônico a riqueza de conteúdo que teve o livro de papel. A pergunta é se realmente queremos isso”.

Com a palavra, o leitor!

[IMAGEM: Foto do escritor Jorge Luis Borges]


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nelson Rodrigues está hoje na Mostra de Teatro da UFGD

Cena de A Serpente, de Nelson Rodrigues (Foto de Jefferson Ravedutti).


A Serpente é o texto mais curto do dramaturgo Nelson Rodrigues, com apenas um ato de duração. Apesar de breve, a peça tem um ritmo intenso e a força característica da sua obra teatral, com um drama familiar sobre a paixão de duas irmãs pelo mesmo homem.

No elenco estão os atores Luciana Kreutzer, Aline Duenha, Emmanuel Mayer, Bruno Moser e Natali Allas. O diretor, Nill Amaral, destaca que “buscamos focar a encenação no trabalho do ator, para ressaltar a poética de Nelson através da dimensão dos personagens”. E o impacto rodrigueano fica evidente nas dimensões míticas e psicológicas de uma história que mescla cenas de amor, inveja e ódio.

Com cenário de Maira Espíndola e iluminação de Gil de Medeiros, A Serpente, sob o olhar afiado de Nill Amaral, espera por você, hoje, no Teatro Municipal de Dourados, às 20h.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Música e Memória: O cérebro armazena a vida com trilha sonora

Pacientes com Mal de Alzheimer talvez possam retardar o desenvolvimento da doença por meio de musicoterapia. O pesquisador Petr Janata, da Universidade da Califórnia, monitorou a atividade cerebral de um grupo de voluntários enquanto estes ouviam música e concluiu que a região do cérebro associada à música também está associada às memórias mais intensas de uma pessoa. Seu estudo foi publicado na revista científica Cerebral Cortex.

Segundo Janata, a revelação pode ajudar a explicar por que a música pode despertar reações fortes em pessoas com Alzheimer. A região ativada durante o experimento, o córtex pré-frontal (logo atrás da testa), é uma das últimas áreas do cérebro a se atrofiar à medida que a doença progride.

“O que parece acontecer é que uma música conhecida serve de trilha sonora para um filme mental que começa a tocar em nossa cabeça”, diz o especialista. “Ela traz de volta as lembranças de uma pessoa ou um lugar, e você pode de repente ver o rosto daquela pessoa na sua mente. Agora podemos ver a associação entre essas duas coisas – música e memória.”

E eu, leiga no assunto, sempre achei que o som tinha o dom de pulverizar maus eflúvios. Ouvir música, cantar, dançar... Três tipos de software especializado que, quando acionados na máquina cerebral, ativam o prazer e dão vontade de viver. Quero passar a vida fazendo upgrade!

Como é que se escreve?

Um vídeo rápido. Somente para recordar uma antiga proposta publicitária das Editoras Online. Antiga, mas atualíssima.

Não tenho nada a acrescentar e tampouco a deletar: Ler mais ajuda! E, mesmo assim, um dicionário não se dispensa.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vargas Llosa, sobre literatura e ditaduras


IMAGEM: Llosa em foto de Daniel Marrenco (Folhapress).


O escritor peruano Mario Vargas Llosa recebeu, no último dia 7 de outubro, o Prêmio Nobel de Literatura por sua “cartografia das estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual”, conforme justificou a Real Academia Sueca.

Em recente viagem ao Brasil, na semana passada, Llosa concedeu uma entrevista à Folha S.Paulo, no auditório do jornal, onde falou sobre sua obra, escritores brasileiros, América Latina, ditadores, literatura e o seu recente prêmio.


Sobre literatura e ditaduras, Vargas Llosa comentou:


Um bom de leitor de literatura é uma pessoa inquieta frente ao mundo e à realidade. E isso sempre foi muito bem entendido pelas ditaduras, todas ― de esquerda, de direita, militares, religiosas, ideológicas. Porque não há ditadura que não queira controlar essa atividade que é a criação de mundos fictícios. Estabelecem censuras, estabelecem censores, têm uma desconfiança natural pela literatura, porque intuem que nela há algo perigoso. E creio que têm razão, que há algo perigoso na quimera que é a literatura.

Mostra de Teatro da UFGD, em Dourados

A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) realiza sua Mostra de Teatro 2010, no período de 20 a 23 de outubro, como parte das comemorações dos cinco anos de sua criação.

Sobre o espetáculo de abertura, “Doido”, concebido e interpretado por Elias Andreato (foto), a jornalista Nanda Rovere nos revela que seu criador fez “uma interessante miscelânea de diversos artistas que escreveram com maestria sobre a essência humana e sobre a arte. Apresenta textos de autores que falaram de uma maneira tocante sobre o amor, a vida e o teatro, como Shakespeare, Vinícius de Moraes, Oscar Wilde, Dante e Fernando Pessoa.”

“Um foco de luz dirige o olhar do espectador para o ator e durante 60 minutos não é possível desgrudar a atenção do palco. Elias Andreato tem uma energia tocante e domina o palco, seja em espetáculos solos (Doido é o seu sétimo monólogo) ou contracenando com outros colegas de profissão. Dirigindo-se à platéia, o ator expõe sentimentos comuns a todos nós com uma força avassaladora. Ele se entrega de corpo e alma a esse trabalho, que reflete as suas alegrias e indagações sobre a profissão de ator.”

E Nanda Rovere conclui: “Assistir a esse espetáculo é passeio obrigatório para quem aprecia as artes cênicas. É diversão, aliada a excelente oportunidade para uma reflexão sobre o ser humano e a arte.”

A propósito, o monólogo “Doido” rendeu a Elias Andreato o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de Melhor Ator de 2009.

Confira a programação da mostra, com espetáculos sempre às 20h, no Teatro Municipal de Dourados:

Dia 20 – quarta-feira – DOIDO, de Elias Andreato.
Dia 21 – quinta-feira – A SERPENTE, de Nelson Rodrigues, com o grupo OFIT e direção de Nil Amaral.
Dia 22 – sexta-feira – A CABELEIREIRA, do grupo Hendÿ.
Dia 23 – sábado – A LIÇÃO, de Ionesco, com direção de José Parente.

INGRESSO: Um quilo de alimento não-perecível.

A programação ainda prevê uma oficina de teatro, no dia 22 de outubro, com Renata dos Reis Vieira. As inscrições já estão abertas, “custam” a doação de um livro infanto-juvenil e podem ser feitas das 7h às 11h e das 13h às 17h na Coordenadoria de Cultura, localizada na Unidade 1 da UFGD, na rua João Rosa Góes, 1761, Vila Progresso.

INFORMAÇÕES: Coordenadoria de Cultura da UFGD.
TELEFONE: (67) 3411-3612

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Rebobine, Por Favor ― A Exposição", no MARCO, em Campo Grande


Campo Grande é a terceira cidade a receber Rebobine, Por Favor – A Exposição, depois de Nova York, Rio e São Paulo. Suas instalações estarão abertas de 26 de outubro a 14 de novembro no Museu de Arte Contemporânea (MARCO).

Com criação do cineasta francês Michel Gondry, a exposição utiliza a idéia central do divertido filme homônimo por ele dirigido. No filme ― Rebobine, Por Favor ―, o personagem principal (Jack Black), após desmagnetizar acidentalmente as fitas da videolocadora em que trabalha, decide substituir o conteúdo irremediavelmente perdido, utilizando para isso suas próprias produções. E começa a filmar, fazendo regravações de “O Rei Leão”, “Robocop”, “Caça Fantasmas”, “Conduzindo Miss Daisy” e muitos outros títulos famosos, com cenários e figurinos que são, literalmente, de fundo de quintal.

Como todo visitante, você poderá percorrer os cenários que compõem esta singular exposição, mas se você convive com um cineasta adormecido em sua imaginação, chegou sua grande chance de realizar um filme, num processo criativo totalmente original, utilizando os cenários criados pelo diretor Michel Gondry.

Para participar como “cineasta”, inscreva-se com antecedência (as vagas são limitadas). Acesse o site, telefone para o MARCO e tire suas dúvidas. Será necessário participar de workshops em dois horários durante a semana e um horário nos finais de semana, onde o grupo, de até 15 pessoas, fará o planejamento básico da filmagem. Após participar do workshop, o grupo terá à disposição uma câmera, fornecida pelos produtores da mostra, além de equipamento de luz.

A exposição é gratuita e os vídeos realizados estarão disponíveis para serem vistos na “Locadora” ― um dos cenários expostos, que reconstitui a videolocadora do filme homônimo dirigido por Gondry, já lançado no Brasil (veja o trailer postado abaixo).

Proporcionar ao público uma oportunidade única de “interagir cinema”, numa linguagem moderna, democrática e original, é o intuito desta exposição. “Trata-se de um conteúdo simples e ao mesmo tempo extremamente criativo, uma junção rara nos dias atuais. Não tenho dúvidas de que as pessoas que visitarem a exposição se surpreenderão tanto quanto eu me surpreendi quando tive o primeiro contato com ela, em Nova York”, afirma Lia Vissotto, diretora da Cinnamon Comunicação, que em 2008 montou a exposição em São Paulo (no Museu da Imagem e do Som) e em 2009 no Rio de Janeiro (no Centro Cultural Banco do Brasil).

Rebobine, Por Favor – A Exposição

LOCAL: Museu de Arte Contemporânea – MARCO
ENDEREÇO: Rua Antônio Maria Coelho, 6000 - Parque das Nações Indígenas, Campo Grande, MS.
DATA: de 26 de outubro a 14 de novembro
HORÁRIOS PARA VISITAÇÃO: de terça a sexta-feira das 12h às 18h. Sábado, domingo e feriado das 14h às 18h.
TELEFONE PARA INFORMAÇÕES: (67) 3326-7449
ENTRADA GRATUITA

WORKSHOPS: de terça a domingo, em horários especiais (grupos de até 15 pessoas – sete inscrições prévias pelo site da exposição e oito no MARCO, através dos monitores).


SOBRE O DIRETOR: para conhecer (ou relembrar) a filmografia de Gondry, acesse o site da exposição.


Marcelo Buainain e sua foto "bressoniana"

Uma das fotos de Marcelo Buainain que fez parte da mostra "Bressonianas — A influência de Henri Cartier-Bresson no Brasil".

A mostra, realizada sob curadoria de Eder Chiodetto, apresentou 42 imagens de sete renomados fotógrafos brasileiros que declaradamente revelaram esta belíssima influência nas suas obras. São eles: Carlos Moreira, Cristiano Mascaro, Flávio Damm, Juan Esteves, Marcelo Buainain, Orlando Azevedo e Tuca Vieira. A propósito: Marcelo Buainain é sul-mato-grossense, de Campo Grande.

O texto abaixo foi clipado de um comentário do fotógrafo, incluído no álbum BAHIA – SAGA E MISTICISMO, na sua página do site Facebook:

E ASSIM TUDO COMEÇOU...
No início da década de 90 travei um íntimo contato com a obra do fotógrafo Cartier Bresson. O cenário foi em Londres, no interior do Victoria and Albert Museum, onde tive o privilégio de manusear e reproduzir quase trezentos originais do mestre francês. Anos mais tarde, atendendo ao convite do curador Eder Chiodetto, debrucei-me sobre o meu arquivo em busca de algumas imagens que tivessem uma conotação bressoniana. Essa experiência me revelou algo que desconhecia até então, a importância e a dimensão da influência da obra do Bresson sobre o meu olhar.

Marcelo Buainain


"Playing for change - stand by me" – Mudando com Música

A ideia surgiu cinco anos atrás em Santa Monica, Califórnia. Um técnico de som, Mark Johnson, gravando os arranjos de músicos que se apresentavam em ruas, becos e avenidas, “percebeu que era possível unir o mundo através da música, divulgando coisas positivas e pacíficas, para mudá-lo para um mundo melhor.” Desde então, Mark trabalha com seu projeto PLAYING FOR CHANGE (literalmente “Tocando para mudar”), que se transformou em um grande sucesso, com CDs e DVDs vendidos em toda parte e mais de um bilhão de acessos no YouTube, mudando por completo a vida de Mark, dos cantores e dos instrumentistas.

Neste vídeo, o primeiro da série, músicos de rua de várias regiões do mundo ― EUA, Holanda, Congo, Venezuela, África do Sul, França, Brasil, Rússia, Espanha e Itália ―, graças a uma cuidadosa mixagem de som, tocam juntos a deliciosa e oportuna canção “Stand by me” (“Fique a meu lado”).

Assista ao vídeo, tenha uma excelente semana, e... fique comigo!


domingo, 17 de outubro de 2010

Quando a escala é a biodiversidade...

Uma libélula, em imagem intitulada “Elegância”. (Foto: Tiberio Taverni, Itália.)


Edward Osborne Wilson é um biólogo americano reconhecido mundialmente como uma das maiores autoridades em formigas, além de ser um dos mais bem conceituados cientistas da atualidade.

Membro do quadro da Universidade Harvard desde o início dos anos 50, ele se destacou nas quatro décadas seguintes como professor de zoologia, curador de entomologia (estudo dos insetos) no Museu de Zoologia Comparativa e pesquisador. Suas realizações incluem a criação (com Robert H. MacArthur) da teoria da biogeografia de ilhas, uma área essencial da ecologia e biologia de conservação modernas. Além disso, suas pesquisas o levaram a um novo enfoque científico sobre os princípios biológicos do comportamento e organização sociais humanos: a “sociobiologia”, que provocou uma revolução acadêmica e causou muitas controvérsias nos anos 70. Dois de seus 21 livros receberam prêmios Pulitzer: Da natureza humana (1978) e As formigas (1990, em coautoria com Bert Hölldobler).

Wilson também foi editor do livro Biodiversidade, que em 1988 introduziu esse termo e trouxe atenção mundial para o tema. Sua obra A diversidade da vida (1992), que reuniu conhecimentos sobre a magnitude da biodiversidade e também sobre as ameaças que incidem sobre ela, teve importante impacto junto ao público. Outro de seus livros, O futuro da vida (2002), propõe um plano para salvar a herança biológica da Terra.

Hoje, ele dá continuidade a suas pesquisas entomológicas e ambientais no Museu de Zoologia, em Harvard, onde um dia escreveu:

“Se toda a humanidade desaparecesse, o mundo voltaria ao rico estado de equilíbrio que existia há dez mil anos. Se os insetos desaparecessem, o ambiente iria do colapso ao caos.”

Jimmy Hoffman, fotógrafo

Ele reside na Espanha, na Costa Brava, e especializou-se em retratar a vida selvagem, registrando caçadas e ataques violentos dos seus bichos prediletos: louva-a-deus! Desses simpáticos insetos, Hoffman já publicou imagens que parecem saídas de roteiros de ficção científica.

Três jovens louva-a-deus caminham sobre o caule de uma roseira. (Foto: J. Hoffman).

FONTE: BBC – Brasil.

sábado, 16 de outubro de 2010

Viver não é preciso...


Em “Navegar é Preciso”, Fernando Pessoa (foto) registrou:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo (e a minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Afora a beleza do poema, nunca entendi de que modo uma frase como essa ― Navegar é preciso; viver não é preciso ― poderia ter se originado de navegadores, com a palavra “preciso” tendo o significado de “necessário”. Seriam eles tão alucinados por navegar, “viver no mar”, que a própria vida não teria mais sentido, nem necessidade, sem uma embarcação sob os pés? Logo no mar, onde as lições de sobrevivência se acumulam a cada momento? Justo os navegadores, que são atores e espectadores da força da vida e da beleza do mar à mercê de elementos que se renovam a cada dia? Sempre acreditei que Fernando Pessoa transformara o significado de “preciso”, “exato”, em “necessário” por simples conveniência poética. Afinal, navegar sempre exigiu habilidades especiais, técnica, principalmente entre os navegadores da antiguidade, cuja tecnologia parece tosca aos olhos atuais. Para navegar era imprescindível o mais absoluto rigor, fosse para observar e seguir estrelas e constelações ou para manipular sextantes e astrolábios. Enfim, navegar era um exercício de precisão, sem a qual não haveria navegação, mas sim naufrágio! NAVEGAR É PRECISO! Já viver... Ah! Para viver não havia e ainda não há regras, tampouco rigor ou técnicas. A vida nos surpreende. VIVER NÃO É PRECISO!

E curiosamente, por mero acaso (em um daqueles banais eventos da imprecisão da vida), descobri em um site de domínio público a possível origem da frase apontada por Fernando Pessoa como sendo dos navegadores:

“Navigare necesse; vivere non est necesse” ― do latim, frase que Pompeu, general romano (106-48 a.C.), ditou aos marinheiros amedrontados que se recusavam a viajar para a guerra.

Enfim, seja ou não seja esta a real autoria da sentença, resta a curiosidade de conhecer o singular incentivo do poderoso general romano, “senhor” das vidas que comandava. Quantos séculos se passaram... E muitos poderosos ainda decidem (ou tentam decidir) qual será o destino e a “necessidade” das vidas alheias.

Sem guerras abertamente declaradas, o desafio da atualidade é viver sem fazer concessões aos caprichos de quem exerce o poder. Viver simplesmente. Pensar, decidir, sem manuais que imponham rotas de navegação e destinos predeterminados.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pássaros e fios elétricos: música suspensa no ar

Tudo começou com esta foto aí ao lado, clicada por Paulo Pinto e publicada no Estadão no ano passado. Jarbas Agnelli, músico e publicitário, ficou intrigado ao observá-la e intuiu que havia uma partitura na imagem, onde cada pássaro poderia ser uma nota musical:

“... resolvi tentar ‘tocá-la’, já que a imagem continha 5 fios, exatamente o números de linhas num pentagrama. Ao piano descobri que a melodia era doce e suave, quase infantil. Produzi então, após decidir por uma métrica e um tom, uma música com roupagem erudita, usando samples de um quarteto de cordas, flauta, clarinete, oboé e fagote, além de vibrafone e glockenspiel. Confesso que o resultado final dessa minha parceria com os pássaros me emocionou, e me levou a procurar o fotógrafo da foto na internet. Descobri facilmente Paulo Pinto (o fotógrafo também tinha nome de pássaro!), um renomado fotógrafo jornalístico, e lhe enviei a música, pedindo permissão para usar a foto. Ele prontamente me respondeu de volta, entusiasmado com o resultado, e, mais ainda, com o fato de eu ter visto o mesmo que ele viu no momento do clique. De posse da foto em alta resolução criei um vídeo simples, na tentativa de ilustrar minha linha de raciocínio. Uma foto, que virou uma música, que virou um vídeo.”
Jarbas Agnelli — Músico, publicitário e diretor da agência AD Studio.

Leia todos os detalhes dessa história e seus desdobramentos clicando no link do artigo “A música influencia o filme que influencia a música”, publicado na Revista Ponto Com.

Aproveite e aprecie a doce melodia que os pássaros nos enviaram, registrada por Paulo Pinto e decodificada por Jarbas Agnelli:

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Navegar é preciso...


Hokule’a ― Um barco que é uma tradição restaurada. (Foto: Monte Costa.)

Na primavera de 1976, Mau Piailug se ofereceu para navegar em um barco a vela do Havaí ao Taiti. A expedição, que cobriria 4000 km, era organizada pela Polynesian Voyaging Society — entidade havaiana que estuda técnicas tradicionais de navegação — para verificar se os marinheiros antigos poderiam ter vencido esse trajeto em mar aberto. A embarcação era bela, uma canoa de casco duplo chamada Hokule'a, ou “Estrela de Júbilo” (a estrela Arcturus, para a ciência ocidental). Mas não havia ninguém para comandá-la. Naquela época, Piailug era o único homem que conhecia a antiga arte polinésia de velejar orientando-se pelas estrelas, pela sensação do vento e pela aparência do mar. Então ele se apresentou.

Sendo um habitante da Micronésia, ele não conhecia as águas e os ventos do Taiti, situado remotamente a sudeste, mas tinha uma imagem do arquipélago na cabeça. Ele sabia que se mirasse essa imagem não se perderia. E ele nunca se perdeu. Após percorrer mais de 3000 km, a Hokule'a foi sobrevoada por um bando de pequenas andorinhas-do-mar brancas que rumavam ao ainda invisível Atol de Mataiva, próximo ao Taiti. Piailug sabia que a empreitada estava quase concluída.

Nessa viagem de um mês ele não levava bússola, sextante ou cartas náuticas. Ele não era contra o uso de instrumentos modernos, em princípio. Uma bússola poderia ocasionalmente ter utilidade durante o dia; e ele, ao menos quando já estava em idade avançada, chegou a usar um relógio. Piailug, no entanto, não trabalhava com latitudes, longitudes, ângulos ou cálculos matemáticos de qualquer tipo. Ele caminhava, e navegava, sob uma teia de estrelas em forma de abóbada, que lentamente se movia de leste para oeste, desde a ascensão de cada uma no horizonte até o ponto oposto, em que mergulhava no mar, e conhecia esses pontos tão bem — mais de 100 pelo nome, incluindo as estrelas a eles associadas, com sua cor, luz e hábito — que parecia guardar um cosmos inteiro na cabeça, mantendo-se determinado, atarracado e modesto, no controle desse movimento celestial.

Ao início de cada viagem oceânica, levando água em cabaças e também tubérculos amassados envoltos em folhas, ele apontava a canoa considerando a direção correta do vento e, em seguida, alinhava-a segundo um trajeto que ia de uma estrela ascendente a outra oposta, que se punha no horizonte. Com a estrela de partida às suas costas e a de destino à sua frente, ele mantinha o curso. Durante o dia, guiava-se pelo nascer e pôr do Sol, mas também pela própria água oceânica, a mãe da vida. Conseguia ler a que distância estava de costa, e a direção desta, pela sensação das ondas contra o casco. Podia detectar águas rasas pela cor e ver a luz de lagunas invisíveis refletida na barriga das nuvens. Peixes de sabor mais doce significavam rios ao largo; grupos de aves retornando à noite mostravam-lhe onde a ficava a terra firme.

Começou a aprender tudo isso ainda criança, quando seu avô, também navegador-mestre, sustentava-lhe o corpo em piscinas de maré para ensinar-lhe como as ondas e o vento batiam de modo distinto de um lugar para outro. Mais tarde veio a memorização intensiva da bússola de estrelas, na forma de um círculo de seixos de coral, cada um deles um astro, dispostos na areia circundando um barco de folhas de palmeira. Isso não era diletantismo, mas estudo imprescindível: no minúsculo Atol de Satawal, onde passou a vida, a pesca em alto-mar era necessária à sobrevivência.

Ainda assim, as maneiras antigas iam mudando velozmente. Depois que Piailug, aos 18 anos, foi consagrado palu, ou navegador iniciado, sendo ornado com guirlandas e aspergido com cúrcuma amarela para mostrar o conhecimento que adquirira, nenhum outro ilhéu do Pacífico recebeu tal consagração por 39 anos. Sozinho, ele partia em seu barco levando os encantamentos apropriados para os espíritos do oceano, incluindo “proteção mágica” contra o polvo do mal que vagava furtivamente nas águas entre Pafang e Chuuk. Levava também a sabedoria para nunca se perder — o que ocorreu apenas uma vez, quando naufragou em meio a um tufão e passou sete meses, com sua tripulação, à espera de resgate em uma ilha desabitada.

Como palu, no entanto, ele não podia permitir que suas habilidades morressem com ele. Estava empenhado com o dever de transmiti-las. Daí sua disposição em comandar a Hokule'a. Essa viagem, que provou que a migração dos povos do sul e do oeste para o Havaí não fora um acidente, mas provavelmente um ato deliberado de suprema habilidade marítima e estelar, transformou a autoimagem dos havaianos; e mudou a vida de Piailug. De um momento para outro, passou a ser requisitado como professor. Pacientemente, com ponteiro na mão e sentando-se sobre uma perna dobrada, ele explicava a bússola de estrelas para os novos candidatos a navegador; mas permitia que fizessem anotações. Sabia que eles nunca conseguiriam guardar tudo de cabeça, como ele o fizera.

Muito do que Piailug sabia, é claro, era secreto. O sigilo era sério: quando falava dos espíritos, seu rosto sorridente tornava-se mortalmente sóbrio, e até mesmo alarmado. Para uns poucos alunos, ele transmitia “A fala do mar” e “A fala da luz”. Ao fazer isso, quebrava a regra de que o conhecimento da Micronésia deveria permanecer naquelas ilhas. Parecia-lhe, porém, que os polinésios e micronésios eram um único povo, unido por um vasto oceano que ele, tal como tantos que o precederam, já havia cruzado por milênios em barcos diminutos.

Em 2007 o povo havaiano presenteou-o com uma canoa de casco duplo, a Alingano Maisu. A palavra Maisu significa “fruta-pão madura derrubada da árvore pela tempestade”, que qualquer um pode comer. A fruta-pão era a árvore favorita de Piailug: alta e leve, com veios sinuosos excelentes para a construção naval, látex pegajoso para calafetagem e grandes frutos ricos em amido, que, fermentados, forneciam alimento ideal para uma viagem oceânica. Maisu, porém, também designava a tranquila partilha comunitária de algo bom — semelhante ao conhecimento de como navegar por semanas pelo Pacífico afora, sem mapas, passando sob as estrelas.

FONTE DO TEXTO: Obituário de Pius Mau Piailug — que morreu no dia 12 de julho de 2010, com 78 anos — publicado em The Economist.

Navegar é preciso... (2)


O navegador-mestre Pius Mau Piailug em 1983 na praia, no Atol de Satawal, Oceano Pacífico, com uma bússola de estrelas traçada na areia.
(Foto: Steve Thomas ― Traditional Micronesian Navigation Collection.)


Um homem especial que conhecia a antiga arte polinésia de velejar orientando-se pelas estrelas, pela sensação do vento e pela aparência do mar. Um professor que emocionava seus alunos ao ensinar como navegar com todos os sentidos conectados com a natureza.

Saiba mais sobre o navegador-mestre clicando em NAVEGAR É PRECISO...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

BIODIVERSIDADE: Somos um planeta cada dia mais pobre


A demanda mundial por recursos naturais é tamanha que consumimos “um planeta e meio” nas nossas atividades. Haja “pegada”!

Leia a notícia na íntegra clicando AQUI.

Montada com peças de Lego, a impressora funciona com uma canetinha hidrográfica


Com o dia das crianças chegando, não resisti a compartilhar o vídeo.
O inventor, com certeza, brinca com nossa imaginação.

Alô, mundo! Criatividade faz bem para a vida.

[Vi a impressora na Revista Galileu.]


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quem vive no mar?


Um verme poliqueto (algo como uma minhoca marinha com muitíssimas cerdas), adequadamente chamado árvore-de-natal, residindo sobre o esqueleto de um coral.
Foto: John Huisman, Murdoch University.


Uma água-viva que, à maneira de uma espaçonave, navega em águas tropicais.
Foto: Larry Madin, Woods Hole Oceanographic Institution.


Uma espécie pouco conhecida, a lagartixa-da-rocha (mas não se engane: é um PEIXE).
Foto: Oystein Paulsen, MAR-ECO.

Em um esforço de cientistas do mundo inteiro, foi recentemente divulgado o último inventário da vida marinha — um censo por amostragem, voltado a revelar não o número exato (ou mesmo aproximado) de indivíduos que existem nos oceanos, e sim quantas espécies estão atualmente vivas (não necessariamente “bem de vida”), habitando mares afora (e adentro).

Números... O que representam esses números? Por que fazer a contagem de espécies e não de indivíduos, como em qualquer outro censo? Só para pensar: Um único e pequeno coral tem centenas, milhares de “indivíduos” que atuam em tamanha sintonia que formam algo como um único organismo. Uma sociedade perfeita, quase utópica. Mas como recensear uma utopia? Felizmente os cientistas nos explicam como trabalharam. Leia o texto clipado do site sobre o censo de vida marinha:

Representando a resposta mais abalizada e abrangente até o momento para uma das mais antigas questões da humanidade —“o que vive no mar?” —, os cientistas do Censo da Vida Marinha divulgaram um inventário da distribuição e diversidade de espécies em áreas-chave oceânicas mundiais. Eles trabalharam organizando informações, desde as coletadas ao longo de séculos até dados obtidos durante recentes censos decenais, para criar uma lista das espécies presentes em 25 regiões biologicamente representativas — desde as áreas antárticas até as árticas, passando pelas temperadas e tropicais. Essa documentação ajuda a determinar um ponto de partida para medir as mudanças que serão provocadas pela humanidade e pela natureza.

Aproveite para mergulhar no site, sem precisar de escafandro, e navegar em mais imagens (fotos e vídeos): http://origin.coml.org/ 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sinalizando, toda noite, todo dia...

Fiquei parada por minutos, por quase uma hora talvez, enquanto o cenário se transformava. A neblina estava caindo e cobrindo a minha rua. (Curioso como a gente se apossa facilmente de uma rua, seja ela da sua casa, do seu hotel, na sua cidade ou fora do seu país. Para mim bastam alguns dias para isso...)

Entre as tréguas que a neblina densa concedia, a lâmpada da esquina imprimia como um holofote uma marca luminosa sobre um palco: PARE. Madrugada adentro, noite afora, e o PARE ali, imóvel, sinalizando nenhuma viva alma na rua deserta.

Da janela, tudo ficava cada vez mais nítido. Eu entendi perfeitamente. E um bom vinho me fez companhia, antes, bem antes, que o PARE perdesse a magia sob o dia claro que nascia.

[Foto de minha autoria.]

sábado, 9 de outubro de 2010

Lennon faria hoje 70 anos de idade

John Lennon (Liverpool, 9-out-1940 – New York, 8-dez-1980)

Love is real, real is love
Love is feeling, feeling love
Love is wanting to be loved
Love is touch, touch is love
Love is reaching, reaching love
Love is asking to be loved
Love is you
You and me
Love is knowing
We can be
Love is free, free is love
Love is living, living love
Love is needing to be loved


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

178 milhões no Senado da República... [Texto de Paulo Nolasco*]

A polidez é a primeira virtude, e talvez a origem de todas elas. É também a mais pobre, a mais superficial, a mais discutível: e seria mesmo uma virtude? [...]. A polidez zomba da moral [...]. Um nazista polido, o que isso muda com relação ao nazismo? O que isso muda no horror? Nada, evidentemente, e a polidez é bem caracterizada por esse nada. Virtude da pura forma, virtude de etiqueta, virtude de aparato! A aparência de uma virtude portanto, e apenas a aparência. (Comte-Sponville)

Mais essa hoje... A mais recente das canalhices: o Senado da República arrombou os cofres públicos em 178 milhões. Pelo que os brasileiros acabaram de ver a partir daqui, de Dourados, até o Norte do País, não é só de estarrecer espasmodicamente, é mais ainda, é lembrar aquela “Sibilia” eliotiana, do poema A terra estéril, que, sacrificada e condenada ao suplício de “não morrer”, implorava ao seu detrator – “Quero morrer”... Por menos, quase nada comparativamente, Dourados perdeu seus representantes dos dois poderes (o Prefeito, “matuto”, da segunda e esplendorosa cidade do estado, ainda mofa na cadeia) e ainda sacrificaram-se postulantes à eleição recente. Não é lindo de morrer, mas é de morrer de rir! Não dá mais para esbravejar, nem evocar antigas e sábias lições, pior ainda a “oratio catilinaria” dos historiadores das ideias e das mentalidades... Não há violência maior do que a que rouba nossos sonhos (Calderón).... de justiça, confiança, respeito e amor correspondido ao semelhante. Nem nós mesmos, os da “classe letrada”, jogamos sequer um níquel na Fontana, não diria da esperança e da inocência, mas nas das que se estribam os políticos, homens públicos, e todos os “podres poderes”: da sabedoria, da cultura letrada, da loquacidade e da última das virtudes, a polidez... A máscara caiu, e não foi só a que os homens estampavam na cara e em dissimuladas palavras, mais desgraçadamente foi a máscara que emoldurava os “lugares” institucionais, os palácios em geral, as casas de lei (tábuas), as mídias interesseiras, inclusive os espaços “públicos” que se conspurcaram no e com os “privados”: Acabam fazendo no espaço “público” aquilo que deviam fazer na “privada” e no recesso de suas casas. Mas para tudo há uma explicação, ainda que (re)emendada, justificada pelo “quiproquó” de uma democracia claudicante com a qual não se sabe lidar, respeitar e exercitá-la; mal saímos de um regime ditatorial e poucos frequentaram uma escola/educação “democrática” para a “contemporaneidade” do nosso tempo. O que resultou, hoje, na desconfiança de qualquer aparência de boa-fé, de toda polidez que já foi virtude e que hoje zomba da moral. Além de nós mesmos, os “outros”, despossuídos de tudo, todos aprendemos a duras penas que o “grande teatro burguês”, sua encenação, não convence, nem comove nem ludibria mais ninguém. Ou se refundem as ordens e os poderes dos Palácios burgueses ou os cidadãos escolherão “outros” representantes, os sem polidez, essa virtude da aparência (é por orgulho que somos polidos, um matador do holocausto também pode ser polido); por isso, não é difícil explicar o porquê do surgimento, aqui e ali e acolá, desses outros e “impolidos”, não-engravatados, menos “cultivados” aos nossos olhos, liderando as nossas expectativas de uma moral que não se deite com a polidez vazia, sem estofo, pura matéria de aparência. Um indígena se elege presidente, um analfabeto se elege alcaide, presidente, e outro vai parlamentar, fazer lei e fiscalizar no Parlamento. Mas faz falta a esses “outros”, iletrados, desavisados do jogo burguês, a perspicácia e a loquacidade que fundou a velha pólis: tagarelice/arte de saber falar para reinar na cidade, ou seja, faltam-lhes a “loquacidade” que, como aquele velho político do banco da praça, tudo-diz-e-nada-diz-nem-faz. Mas ainda vamos, sim, procurar os ficha-limpa, os homens e mulheres honrados, ainda que os encontremos nas grotas dos Jequitinhonhas e nas Cachoeirinhas das cidades. Menos loquazes, menos afoitos por cargos públicos, porque esses aí não passam mais em concurso público. Caíram a casa e a máscara da polidez dos bem-nascidos.

* Paulo Nolasco é douradense; Doutor em Letras; Comparatista; Professor de literatura, crítica literária e cultural na UFGD; Membro da Academia Douradense e da Sul-mato-grossense de Letras; Pesquisador do CNPq.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Doando palavras que estimulam e confortam

O Hospital Mário Penna de Belo Horizonte, que atende, por mês, 70 mil pessoas com câncer, lançou um projeto sensacional que se chama “DOE PALAVRAS”. Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho. Veja qual é a justificativa do hospital para tal doação, tão diferente:

Muitas vezes o que nossos pacientes mais precisam é de escutar as palavras certas: mensagens positivas de amor, esperança e força têm o poder de transformar a maneira como eles enfrentam o câncer.

Trabalhamos isso todos os dias. Mas com o Brasil inteiro do nosso lado vamos ficar mais fortes. Esse é o objetivo desse projeto: usar a inteligência coletiva para gerar um grande fluxo de mensagens do bem e levar toda essa força para dentro do Hospital Mário Penna.

Funciona assim: você manda sua mensagem através deste site ou pelo twitter usando a hashtag #doepalavras. Depois de passar por um filtro, ela é exibida em TVs dentro do hospital, em locais onde os pacientes mais precisam de força, como a sala de quimioterapia.

As mensagens compiladas nesse projeto vão se transformar em um livro, que será doado para diversos hospitais.

Contamos com você. Muitas vezes o que um paciente mais precisa é acreditar na cura.

Acesse o site e doe suas palavras. Eu já doei as minhas:
Pense na medicação como um facho de luz percorrendo seu corpo. Luz que afasta as trevas, as dores e o câncer...
http://www.doepalavras.com.br/

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tirando o coelho da cartola...

Veja como o mágico perde seu extraordinário poder diante de um coelho que se recusa a sair da cartola — ou: como mudar as regras do jogo. (Uma reflexão para o segundo turno?)

Um curta-metragem de animação da Pixar em parceria com os Estúdios Disney. Um vídeo que dispensa mais apresentações. Divirta-se!

 

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