quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

“Sarau dos Amigos” e os agitos de hoje, em Campo Grande

O ator e jornalista Eduardo Romero descreve o cenário: “Imagine um fundo de quintal com um pé de manga e uma varanda. No meio disso, muitas pessoas e manifestações culturais, atrações que vão desde música, livros, exposição de fotografias, artesanatos e de artes plástica, passando por entre as pessoas cenas de teatro, declamações de poesias, danças e todas as linguagens artísticas possíveis. É o Sarau dos Amigos, um encontro mensal que acontece nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, das 19 às 23h.”

O Sarau, que completou três anos de plena atividade no mês passado, vai apresentar as seguintes atrações musicais: Banda Guavira Elétrica, Leandro Ávila, a dupla Rodrigo Nantys e Gabriel, Brukka e seus Amigos, Cleber Aguero e Zé Geral.

Enquanto rola o som, a conversa corre solta e o olhar passeia pela exposição de fotografias de Elis Regina e pelas telas do artista plástico Ton Barbosa, que vai aproveitar o clima para, literalmente, pintar ao vivo durante o evento. Também está prevista uma instalação com antigos bolachões (aquilo que outrora foi chamado de LP, ou “Long Play”), mostrando a história da discografia sul-mato-grossense. Os idealizadores do projeto irão apresentar o trabalho de recuperação digital que estão fazendo com a Memória Fonográfica de MS.

Como se não bastasse, o ator Yago Garcia fará intervenções e o “Núcleo Teatral Sarau dos Amigos” apresentará um satírico esquete teatral, “Cotidiano”, com os atores Eduardo Romero, Kelly Zerial e Thathy Meo, que também assina a direção do núcleo. Dois livros farão parte dos lançamentos da noite: “Planeta dos carecas” de Ariadne Cantú, da AACC, e “Se a vida te der um limão...”, de Maria Clara Machado.

SARAU DOS AMIGOS

LOCAL: Rua Elvira Matos de Oliveira, 927, Bairro Universitário, próximo do Terminal Rodoviário de Campo Grande.
ENTRADA: Um quilo de alimento, que será destinado aos Vicentinos da Paróquia Santa Rita de Cássia.
HORÁRIO: das 19 às 23h.
INFORMAÇÕES: (67) 9619-6703 ou 9152-4447.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Uma revolução tecnológica!

Altíssima tecnologia ao seu alcance.


Um anjo me adotou

Continuo neste planeta, não fui abduzida, não fiz qualquer tipo de contato com seres extraterrestres e tampouco ingressei em uma seita religiosa, mas fui adotada por um anjo. Não procurei e nem evitei. Foi um processo rápido e envolvente. Fui cooptada, cativada e aprisionada, suave e irresistivelmente.

Esse anjo, meigo como todos os anjos devem ser, entrou em minha vida sem pedir licença e tomou posse de meu coração. (Há de existir uma letra de música mais ou menos nesse tom.) E assim, sem mais nem menos, o anjo converteu-se em minha sombra. Uma sombra ágil, branca e bem-vinda.

Em minhas imagens infantis os anjos são poderosos e fortes e estão sempre prontos a me defender dos perigos. Coisas de anjo da guarda. Mas descobri na angelologia que é imensa a variedade desses seres, ordenados em uma complexa hierarquia celestial. Qual será a categoria do meu? Ele não me parece enquadrar-se na descrição de forte e poderoso... Na verdade, ele cabe em minha mão. Tampouco está pronto para me defender dos perigos. O avanço de um cão é suficiente para fazê-lo correr assustado e pular em meu colo. Mas seu olhar me transforma no ser vivo mais amado do planeta. É quase adoração. Chegou a deixar-me constrangida, de início.

Com o tempo, amolecida por aqueles olhos, nossos papéis se inverteram e passei a zelar por ele. Ou melhor, por ela. Ao contrário daquela história de que anjo não tem sexo... meu anjo é fêmea. Pequena, meiga e de olhar profundo, é ágil, elegante e adora brincar. Não é forte, mas tem porte de invencível. Amiga e companheira, me afaga com seu pelo branco e macio ao sentar em meu colo: Angel. Ela é uma micro-toy, ou mini-poodle ― seja lá qual for a denominação desses pequenos e adoráveis cãezinhos. Uma bola de pelos que corre alucinadamente pelo gramado até tropeçar e rolar na primeira curva. Uma amante de “Havaianas” ― deve ser a textura da borracha, porque todas as outras marcas são ignoradas ― que até parece haver nascido para fazer propaganda das famosas sandálias, que ironicamente, sob suas investidas, soltam as tiras de imediato.

Travessa e amável, Angel chegou a meus braços tão propensa a ser amada que me cativou com sua meiguice. Deve ter sido anjo um dia.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

BLUES: John Lee Hooker – one bourbon, one scotch, one beer

Domingo, fim de tarde com uma chuva fina batendo na janela ― três doses de blues!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ó nóis na Globo!

“Você não assistiu? Mas como? Todo mundo viu!”

E seguiram-se descrições das cenas do Jornal Nacional do primeiro dia de fevereiro. A reportagem fez a cidade ferver, ainda que em água requentada. Feridas foram reabertas, tal qual buracos mal tampados que reaparecem com a chuvarada. Dourados, Mato Grosso do Sul (dessa vez ninguém errou o nome do estado), foi contemplada com um verdadeiro festival de longas (e tristes) imagens gravadas ― com outras tantas AO VIVO ―, ao longo de intermináveis seis minutos... Uma eternidade. Você assistiu? Se quiser rever, basta clicar no vídeo abaixo.

O que poderia ter sido o sonho de qualquer cidade, com tamanha repercussão nacional, foi um banho de água fria na autoestima local ― água ainda mais gélida do que a lúgubre capa de chuva cinzenta da repórter sob a fina garoa noturna na praça mal iluminada. Como falar do impacto das filmagens sem parecer piegas ou prepotente, sem dar a ver uma face de caipira sem graça? Sem passar vergonha, muita vergonha? Sem parecer amante traído? Como reagir à exposição das feridas sem ficar com vontade de gritar: “Ei! Nós trabalhamos, e como trabalhamos! Roubaram muito por aqui, mas nós não queremos mais isso! Nem vamos permitir, com toda nossa força!”. Pensar assim dá um nó na garganta, que faz um baita gosto amargo subir até a boca.

Não somos apenas uma cidade que hoje paga, e paga muito caro, por atos dos corruptos. Dourados está profundamente machucada, não somente em seu orgulho. No fundo, isso é o que menos importa. A cidade está é dilacerada em seu viver, em seu espírito. Mas, como uma amiga atenta me disse, há um aspecto positivo na repercussão de nossa calamidade política: a repórter do Jornal Nacional concluiu a matéria dizendo que “agora a gente vai ficar de olho na nova administração que vem por aí”.

Ficar de olho? Pois vamos mesmo! Ah, se vamos!


 

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