quinta-feira, 29 de setembro de 2011

“Mi Amas Vin” – Uma declaração de amor de Marcelo Buainain


Com seu livro mais recente, Mi Amas Vin, cujo significado é “eu te amo” em esperanto, o fotógrafo sul-mato-grossense Marcelo Buainain mostra a mais fiel tradução de seu olhar sobre as principais manifestações de fé e devoção presentes na cultura brasileira.

No lançamento do livro em João Pessoa (PB), no último dia 27, Buainain fez questão de comentar: “Humboldt, em expedição ao Amazonas, assinalou que o Brasil não só estaria destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, como também a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e fé, servindo de fonte inesgotável de iluminação espiritual”.

A imagem acima é a capa desse novo livro.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Manoel de Barros: Gorjeios

Gorjeio é mais bonito do que canto porque nele se inclui a sedução.
É quando a pássara está enamorada que ela gorjeia.
Ela se enfeita e bota novos meneios na voz.
Seria como perfumar-se a moça para ver o namorado.
É por isso que as árvores ficam loucas se estão gorjeadas.
É por isso que as árvores deliram.
Sob o efeito da sedução da pássara as árvores deliram.
E se orgulham de terem sido escolhidas para o concerto.
As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.


FONTE DO TEXTO:
Manoel de Barros – 2007 – Ensaios Fotográficos – 7ª. Edição, Ed. Record.

FONTE DA FOTO: Octavio Campos Salles – site Pixdaus.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Um livro “esquecido” de propósito?

Em uma caminhada rápida pelo centro da cidade, atravesso a praça e vejo um livro deixado em um banco.
Penso imediatamente: “Que pena... Alguém o esqueceu”. Curiosa, me aproximo e descubro que a primeira página informa, em letras garrafais: “Este livro é de quem achou. Leia e passe adiante”.

Essa foi uma das simpáticas estratégias adotadas pela prefeitura de Nova Friburgo (RJ) para incentivar a leitura: livros espalhados pela cidade. Além dessa prática de “esquecer livros” em lugares públicos (conhecida mundialmente como bookcrossing), o conjunto dessas iniciativas incluiu a criação de uma secretaria municipal “Pró-Leitura”, a primeira do Brasil, que teve uma breve repercussão na mídia nacional... em 2009!

Infelizmente o projeto não durou mais que um ano. A secretaria foi fechada e os livros sumiram. O bookcrossing, apesar de mundialmente difundido, ainda é pouco conhecido no Brasil. O conceito surgiu nos Estados Unidos no final do século passado. Trata-se, basicamente, de ações voluntárias de quem acredita que seus livros serão mais úteis ao serem lidos por muitas pessoas do que guardados em casa, “aprisionados” em uma estante. Tanto é que existem várias comunidades de bookcrossing na internet que utilizam a palavra “liberte” para a ação de largar o livro em um espaço público. É um ato de desprendimento e cidadania. Pessoas apegadas a seus livros ficam arrepiadas só de pensar na possibilidade de vê-los entregues à própria sorte. Mas você pode etiquetá-los, solicitando contato. Se tudo der certo e seu livro for encontrado por alguém civilizado (e habituado com a internet), você poderá seguir a sua trajetória país adentro – ou até mundo afora.

Hoje já existe um site que orienta sobre como participar da comunidade mundial que tem a aspiração de transformar o mundo em uma grande biblioteca móvel:
Acesse o site e informe-se clicando em LEIA, LIBERTE e SIGA.

Bem vindo à biblioteca mundial do livro usado – ou melhor, do livro reutilizado!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Versos caipiras, com Rolando Boldrin

Ele é um intérprete como poucos o são, dono de um estilo peculiar que nos faz lembrar o matuto, o caipira do interior. Nesse vídeo ele declama “Herança e reencarnação” – um poema de Cornélio Pires – no Sr. Brasil da TV Cultura.

O amigo que me enviou o vídeo comentou que as palavras foram psicografadas por Chico Xavier e que a poesia de Cornélio Pires é repleta de sabedoria: “nos ensina a valorizar a herança das atitudes nobres, de um tesouro que o ladrão não rouba, nem a ferrugem consome, já que normalmente as heranças envolvendo bens materiais acirram os ânimos na disputa, separando, ao invés de unir familiares e parentes”.

Agora só falta você conferir:




domingo, 25 de setembro de 2011

Comendo, com papel e tudo!

O ambiente do restaurante “De Culinaire Werkplaats” (“O Ateliê Culinário”, em holandês) é um charme e o cardápio é um esmero. Seus pratos são feitos para surpreender o olhar e o paladar, mesclando sabores, arte e design. Ele fica em Amsterdam e é famoso por tudo isso e pela criatividade de seu chef, Eric Meuring.

Recentemente, Eric associou-se à designer têxtil Marjolein Wintjes para juntos criarem um sucesso: papel comestível! Trata-se de diferentes preparados que resultam em finas películas formadas pela cuidadosa mistura de alguns vegetais e frutas, com seus sucos e polpas. Os papéis fazem furor quando são utilizados como embalagem dos doces produzidos pelo chef.

Quando li a matéria sobre os papéis comestíveis, não resisti à vontade de postar a notícia, pelo inusitado e por pura tentação. Afinal, conhecendo Amsterdam, estou convencida (por pura maldade) de que o chef teve a idéia de criar o papel comestível depois de observar, pela enésima vez, algumas pessoas devorarem seus doces com papel e tudo. Basta lembrar que Amsterdan é a cidade da larica oficializada!

E dê uma espiada nos papéis comestíveis. Na primeira foto, papel de moranguinhos. Na segunda, papéis de diversos sabores embrulhando os doces locais.

Bon appétit!


FAT 3.0 – Festival de Arte e Tecnologia


Conferências, oficinas, sessões de comunicações, mostras de obras artísticas e concertos de música eletroacústica estão a sua espera no FAT 3.0, em Campo Grande, MS, no período de 26 a 29 de setembro. Confira a programação no site do evento e faça sua inscrição.

Realização: UFMS, SESC-MS Unidade Horto, Museu da Imagem e do Som – MS, Instituto de Ensino Superior da FUNLEC.

Inscrições, programação e outras informações:


sábado, 24 de setembro de 2011

A internet, coletando nossos dados e isolando-nos em uma “bolha”

Sempre que você clica em busca de alguma informação, seja um texto, uma imagem ou um amigo, em qualquer site da rede, todas as suas “preferências” estão sendo registradas e armazenadas. Nem adianta deletar o histórico de suas navegações pela web (isso só funciona para manter a discrição entre usuários do mesmo computador). Acessou alguma coisa? Aquele “assunto” ficou cadastrado no site que você utilizou. Assustador, não é mesmo? Você, eu e todo mundo que usa internet estamos sendo “vigiados”.

Eu não sabia disso tão claramente, apesar de anos atrás haver chamado a atenção de alguns amigos para as propagandas que vinham “ao lado dos meus e-mails”. Achei muito estranho. Sinistro. Percebi na época que, dependendo do assunto abordado no e-mail recebido, uma ou mais propagandas o acompanhavam. Por exemplo, se um amigo estava na Flórida e escrevíamos sobre isso, surgiam propagandas de viagens e ofertas de passagens para os EUA. Se o texto falava em livros, apareciam links para livrarias. E assim por diante. Escrevi, incrédula, aos amigos: “Tenho a sensação de que alguém está lendo minhas conversas!”. Riram de mim (e eu também). Alguns comentaram que era somente um registro de palavras-chave do assunto. Eu continuei insistindo, desconfortável, me sentindo invadida. As tais palavras-chave nunca estavam no campo “assunto” do e-mail; eram trechos e mais trechos redigidos no texto enviado ou recebido. Mas o assunto acabou morrendo com o tempo.

Recentemente, um amigo me enviou um link para um vídeo: uma palestra de Eli Pariser revelando o papel da internet nos dias de hoje ao nos manter em um “filtro-bolha”.

Saiba quem é ELI PARISER: Americano nascido em Maine em 1980, Pariser foi programador de computadores e ficou conhecido ao lançar pela internet, em 2001, uma petição para que os Estados Unidos não reagissem militarmente em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro. Em cerca de trinta dias, antes de Pariser completar 21 anos de idade, a petição já tinha quinhentas mil assinaturas. Atualmente ele atua como ativista e cientista político e, em maio deste ano, lançou seu primeiro livro, The Filter Bubble: what the internet is hiding from you (“O filtro-bolha: o que a internet está escondendo de você”). E foi exatamente sobre esse livro que Pariser falou. Para acesso ao vídeo da palestra, clique em:

Após assistir ao vídeo entendi que a internet é hoje um “Big Brother”, sem câmeras e sem teletelas, feito na mais absoluta discrição. Da sociedade imaginada por George Orwell ― em seu “romance ‘quase’ ficção científica”, 1984  ―, não sobrou nem sequer a propaganda do sistema: “The Big Brother is watching you”. (“O Grande Irmão está observando você”, ou, como era para ser compreendido pela sociedade fictícia: “O Grande Irmão zela por você”.) Hoje, na vida real, o registro do que você faz na internet ocorre sem que você saiba, sem nenhum tipo de aviso ou sinal. O Grande Irmão é invisível.

O mais interessante é que não há nenhuma teoria conspiratória e tampouco a “vigilância” aterrorizante de Orwell. O que a internet está fazendo é programado para, digamos, “facilitar nossa vida”. Alguma coisa mais ou menos assim: com o acréscimo monstruoso de informações e de usuários, seria praticamente impossível mostrar, em uma busca qualquer, todos os resultados encontrados. E assim, conforme o perfil do usuário, o site de busca vai filtrar o que lhe será mostrado. É isso que Eli Pariser chama de “filtro-bolha”. Estrategicamente, Google, Yahoo e até Facebook, as search engines (termo que pode ser compreendido como “máquinas de busca”), omitem as informações que seus programadores julgam ser irrelevantes para cada um de nós, com base em nossos hábitos de pesquisa. Isso, porém, não é feito por funcionários. Em vez disso, o sistema opera com algoritmos (embora às vezes com alguma ajuda humana). O problema, diz o autor, é que assim deixamos de ser expostos a ideias contrárias, a opiniões que possam divergir das nossas, e vamos sendo jogados na direção daqueles que se parecem, filosófica e idealisticamente, com cada um de nós.

Você acha que “facilitar sua vida” é lhe mostrar só o que um sistema de busca acha que você quer ler e ver? E sua capacidade de escolha? Não deve ser respeitada? Afinal, ao acessar a internet você quer ideias e mais ideias. (Pelo menos é meu caso.)

Mas, como um amigo comentou: “Não há razão pra alarme. Há gente que só Veja. A bolha é a mesma”.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Por Tutatis! Que os céus não caiam sobre nossas cabeças!


Um satélite da Agência Espacial americana, a Nasa, do tamanho de um ônibus deve cair na Terra nesta sexta-feira. A agência afirma que pelo menos 26 pedaços grandes devem cair em um espaço de cerca de 800 quilômetros em qualquer lugar do planeta, exceto na América do Norte. Ainda não se sabe a hora ou o local exato da queda dos destroços.

A Nasa calcula que há cerca de uma chance em 3,2 mil de um destroço atingir uma pessoa e acrescenta que, desde o início da era espacial, no final dos anos 50, não há ferimentos confirmados causados por queda de objetos vindos do espaço.
FONTE: BBC-Brasil

Como diriam Asterix e Obelix: “Por Tutatis! Que os céus não caiam sobre as nossas cabeças!”

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Fique sabendo as razões que levaram a Nasa a informar que o satélite deve cair na madrugada de sábado (em notícia publicada pela Folha S.Paulo, às 16:54h). Para ler o texto na íntegra, clique AQUI.


FONTE: Folha S.Paulo
IMAGEM: Editoria de Arte/Folhapress
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Atualizando a informação:

A Nasa afirmou que o satélite UARS se desintegrou ao entrar na atmosfera terrestre sobre o Pacífico na madrugada de hoje (sábado, dia 24 de setembro).

FONTE: BBC-Brasil


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Gritos de dor


Meu amigo José Renato me enviou este texto com dois pedidos: Melhore isto e grite por mim, por favor!

Hoje em São Paulo uma criança de 10 anos atirou na professora e se matou. Uma criança! Não foi tentativa de assassinato nem suicídio; foi um roubo, foram muitos roubos. Roubamos. Eu roubei, tu roubaste, ele roubou, nós roubamos... Não são suficientes os sujeitos diretos e indiretos na língua portuguesa para distribuir tanta culpa. Uma vida mal havia começado e terminou. Mas será, será que havia vida? Vida de criança? E os sonhos, quando os perdeu? Mas crianças não perdem os sonhos; alguém os rouba. E quem os roubou? Crianças possuem voz para falar, cantar, rir, chorar, pedir, implorar. Quem a ouviu? Quem roubou sua voz? Criança tem esperança e esta foi roubada. Que ser dos infernos rouba a esperança de uma criança? Elas têm tanto a oferecer, a crescer, desenvolver, retribuir, e roubaram todos estes direitos dela.

Milhões, bilhões de outras crianças são roubadas de suas vidas diariamente e morrem no corpo, se não na alma. Acabam com os corpos e as almas mirradas. E as deixam vagando num mundo que não aceita fraquezas e as persegue.

Os políticos corruptos, os corruptores, os maus deste mundo? Não! Nós!!! Nós é que desviamos o rosto, que evitamos olhar ou ouvir, que deixamos acontecer o mal, cometemos diariamente o crime de lesa-humanidade. Somos todos torturadores.

Alguns de nós discutimos filosofia e nos achamos super-humanos; outros de nós, religião, e nos classificamos como melhores ou piores que os demais. Alguns de nós nos entretemos com artes e nos aproximamos das musas do Olimpo. Somos todos nobres, altos e elevados em nossas atividades e nos rebaixamos à cegueira e insensibilidade. Frequentemente estes de nós relegam a classe dos fracos e frágeis como menos humanos ou mesmo diabólicos. Mas nenhum estende a mão a um indivíduo ou a voz à multidão ou seus atos aos poderosos. Alguns de nós abraçamos com o coração nossos times e timões ou os partidos políticos e julgamos uns certos e outros errados e dividimos, e de tanto nos importarmos com isto não colocamos o ser-irmão acima das ideias e ideais. Alguns de nós até fazem passeatas para a liberação desta ou daquela droga.

Somos todos culpados desta morte e de outras. Não passamos de animais em bando que, quando aparece o predador, abandonam o mais fraco para o restante do bando sobreviver. Discutimos ciência e razão, filosofia e psicologia, religião e humanidade. Mas, na hora que é para valer, nos reduzimos a elementos de manada. O que é horrendo é que temos consciência e consciência de a termos e nos deixamos animalizar da pior forma, que é o “humananimalizar”. Não atingimos nem o estágio evolutivo para nos tornarmos Mefistófeles e nos tornamos diabretes imbecilizados. Somos Legião. Que vergonha meu Deus!

José Renato Delben

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É claro que nada precisou ser alterado, ou melhorado. José Renato cravou fundo um punhal que faz sangrar porque nunca é usado. Um punhal que, em meu caso, fica guardado anos a fio em uma caixa áspera e pesada, hermeticamente lacrada. Minha caixa é tão difícil de ser localizada que chega a ser invisível. E ela guarda o mesmo punhal que agora senti enterrado em meu peito. E, pela primeira vez, enxerguei – claramente. Em sua lâmina está gravado seu nome: omissão! E que vergonha dolorosa a omissão traz...

Agora só posso atender a um dos pedidos de meu amigo:
Gritar!
Gritar de dor!

Umberto Eco e a leitura


Faz alguns milhares de anos que a espécie se adaptou à leitura. O olho lê e o corpo inteiro entra em ação. Ler significa também encontrar uma posição apropriada, é um ato que envolve o pescoço, a coluna vertebral, os glúteos. E a forma do livro, estudada durante séculos e ajustada sobre formatos ergonomicamente mais adequados, é a forma que esse objeto deve ter para ser segurado pela mão e levado à correta distância do olho. Ler tem a ver com nossa fisiologia. [...]

O ritmo da leitura acompanha o do corpo, o ritmo do corpo acompanha o da leitura. Não se lê apenas com o cérebro, lê-se com o corpo inteiro, e por isso sobre um livro nós choramos, e rimos, e lendo um livro de terror se nos eriçam os cabelos na cabeça. Porque, mesmo quando parece falar só de ideias, um livro nos fala sempre de outras emoções, e de experiências de outros corpos.

Trechos do livro de Umberto Eco: A Memória Vegetal - 2011 - 2ª. Edição. Rio de Janeiro. Ed. Record. Páginas 30 e 31.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“Primavera”, de Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.


Do livro “Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1”, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1998, p. 366.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Começa hoje: “Astral”, de Isaac de Oliveira


LOCAL: Museu de Arte Contemporânea de MS – MARCO
ENDEREÇO: Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque das Nações Indígenas – Campo Grande, MS.
HORÁRIOS DE VISITAÇÃO: Terças a sextas-feiras das 12 às 18h - Sábados, domingos e feriados das 14 às 18h
ENTRADA GRATUITA
TELEFONE: (67)3326-7449 (das 12 às 18h)


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Rios voadores


Você já se perguntou alguma vez de onde vem grande parte da chuva que cai sobre sua cidade em Mato Grosso do Sul? 

FONTE DA IMAGEM: National Geographic      

Os cientistas afirmam que as nuvens que nos trazem chuvas são, em sua maioria esmagadora, alimentadas por “rios voadores”. Essa expressão foi cunhada para explicar, com um toque poético, um fenômeno real:

“Rios voadores são cursos de água atmosféricos, invisíveis, que passam em cima de nossa cabeça transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil.”

No site www.riosvoadores.com.br está a explicação de como é captada a água que dará origem aos tais rios que voam: “A Floresta Amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada do oceano Atlântico que, ao seguir terra adentro, cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da floresta esquentada pelo sol tropical, as árvores devolvem a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água, que volta a cair novamente como chuva mais adiante.”

E o site também esclarece o mecanismo de deslocamento dos rios voadores: “Propelidas em direção ao oeste pelos ventos alíseos, as massas de ar carregadas de umidade – boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta – encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes. Elas se precipitam parcialmente nas encostas da cadeia de montanhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos. Barradas pelo paredão de quatro mil metros, as correntes aéreas ainda carregadas de vapor d’água (rios voadores), fazem a curva e partem em direção ao sul, para as regiões do centro-oeste, sudeste e sul do Brasil e os países vizinhos. É assim que o regime de chuva e o clima do Brasil devem muito a um acidente geográfico localizado fora do país”.

E à Floresta Amazônica devem mais, muito mais! Sem ela, possivelmente, nenhum rio voador teria água suficiente para chegar até nós e cair como chuva.   

Veja um diagrama que mostra, em detalhes, o caminho dos rios voadores através da América do Sul:

domingo, 18 de setembro de 2011

Isaac de Oliveira e seu “Astral”


Mergulhando nos domínios do saber milenar do tempo e do espaço, Isaac de Oliveira faz, com seus traços e cores inconfundíveis, representações arquetípicas de signos astrológicos sobre os corpos de suas musas. A essa criação, Isaac deu o nome de “Astral”.


A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul abre na próxima terça-feira (dia 20 de setembro), no MARCO (Museu de Arte Contemporânea), em Campo Grande, a exposição “Astral”, com 61 obras inéditas de Isaac de Oliveira. A abertura será às 20h, com entrada franca.

Com tinta acrílica sobre tela e outras técnicas mistas, tais como aerografia, adesivagem e desenhos em papel-cartão, o artista plástico retrata corpos femininos e códigos astrológicos. Isaac relata que “se interessa por símbolos gráficos desde a adolescência, quando começou a estudar design.” Mas, foi recentemente que a atenção do artista despertou para a forma dos glifos, ao passear o olhar distraído pelas páginas de um jornal e encontrar a seção de horóscopos. Isaac explica que “os glifos, esses ícones de origem hindu, também utilizados nas culturas mesopotâmica e egípcia, representam planetas e luminares na linguagem astrológica”.


Mesmo sem ater-se ao simbolismo místico desse conhecimento – onde círculos, semicírculos e cruzes que compõem tais glifos representam, respectivamente, espírito, mente e matéria –, com foco apenas no delicado movimento das linhas que os compõe, Isaac encontrou na forma desse sistema de códigos rica matéria-prima para sua criação. A pesquisa sobre o tema levou-o a outras descobertas: “ao zodíaco e suas representações antropo e zoomórficas, ao lúdico desenho das constelações no firmamento e às exóticas mandalas do horóscopo”.


“Minha necessidade visceral de retratar periodicamente a beleza e a sinuosidade do feminino também se uniu, quase que instantaneamente, à plasticidade de todo esse universo”, afirma Isaac. Assim, a liberdade criativa do artista constrói pontes entre os dois mundos.

Exposição “Astral”
LOCAL: Museu de Arte Contemporânea de MS – MARCO
ENDEREÇO: Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque das Nações Indígenas – Campo Grande, MS.
HORÁRIOS DE VISITAÇÃO: Terças a sextas-feiras das 12 às 18h - Sábados, domingos e feriados das 14 às 18h
ENTRADA GRATUITA
TELEFONE: (67)3326-7449 (das 12 às 18h)


Conheça Isaac de Oliveira

Campo-grandense por opção há 33 anos, Isaac nasceu baiano de Itajuípe, distrito de Ilhéus, em 1953. Conectado com a natureza e portador de genes para o desenho (o que muitos chamam de vocação artística), aos quatro anos descobriu o traço e o movimento, e a beleza da fusão de ambos, com as ondas do mar.

Tal interesse começou a vicejar quando sua família mudou-se para São Paulo, já em sua adolescência, e Isaac foi estudar arte, aprendendo sobre as variadas correntes criativas e passando a frequentar galerias. Posteriormente, foi morar em Campinas, onde cursou Belas Artes e conheceu inúmeras personalidades da cena artística paulista, como Jane Mascarenhas, Moretti Bueno e Geraldo Jurgensen.

Após o convívio com o artista espanhol Arturo Molina, seu trabalho tomou outro rumo. Isaac descobriu os grandes murais, as técnicas do óleo e da tapeçaria pintada e ampliou seu aprendizado sobre história da arte e seu repertório cultural.

Na década de 70, começou a trabalhar como ilustrador. Sua carreira artística estruturou-se definitivamente quando ele se transferiu para Campo Grande, em 1978. Convidado a associar-se a uma agência de publicidade local, estabeleceu-se na cidade, conheceu sua companheira, a arquiteta Selma Rodrigues, com quem também divide a paixão pela arte, e começou a participar ativamente do movimento das artes plásticas do estado e do país.

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E na próxima terça-feira, dia 20 de setembro, Isaac nos mostrará sua última criação – musas e signos do zodíaco – na abertura da exposição “Astral”, no MARCO. Pelas fotos das telas divulgadas para a imprensa, vejo a maturidade do artista que conheço há anos e, cada vez mais, sinto que o menino baiano está presente, feliz, deixando sua marca primordial: a beleza do movimento das ondas do mar.

sábado, 17 de setembro de 2011

E então... Quando a gente se vê?

Naquela manhã o telefone tocou insistentemente, mais que o habitual. Eram as confirmações:

— E então? Você vai hoje à noite?

Entusiasmada, confirmo dizendo que sim. Sempre gostei desses encontros. Afinal, não é fácil reunir esse grupo. Algumas dessas pessoas já trabalharam juntas, parceiras em diferentes fases da vida profissional. Agora, mais de dez anos depois dos primeiros contatos, gostam de se rever, de se encontrar. Mesmo que algumas estejam mais próximas e outras ainda mais distantes que no passado, alguma coisa as une fortemente. Além dos encontros (ultimamente raros), tem havido uma breve, fortuita troca de e-mails: um aviso, um texto oportuno, um comentário intrigante. Mas o vínculo se estreita mais e mais em cada (re)encontro, realizado fielmente há mais de oito anos.

Oito anos... Em comparação com os contatos deletáveis das redes sociais, facebooks e similares, oito anos de vínculo são tempo considerável. Amizades tecidas lentamente em um tear de trocas, respeito e carinho: cada um dá seu ponto, seu nó, sua cor. E o tempo vai sendo trabalhado, moldando uma imensa manta colorida que acolhe e abriga.

Eu amo essa tecelagem entre amigos. Já tricotamos e tecemos juntos. Até tentamos desfazer alguns nós mal tramados, horríveis e doloridos. Desatamos alguns e outros não. Os desfeitos e os que persistem seguem em nossa trama, como marcas visíveis na manta compartilhada. E são exatamente estes que nos tornam pessoas melhores, mais atentas e cuidadosas umas com as outras. São estes nós que nos mantêm mais unidos e menos frívolos.

Se bem que toques de frivolidade entre amigos são uma delícia – uma inesgotável fonte para a ironia e o bom-humor. Um toque fútil, uma tolice qualquer, pode revelar muito mais sobre qualquer aspecto por demais “sério” de nossa vida do que dezenas de comentários circunspectos e taciturnos. E os bons amigos são mestres na manipulação dessas divertidas diferenças individuais.

Diferenças... Como fazem bem, como enriquecem a convivência. É delicioso compartilhar a diversidade do grupo. Todos são (ou atuaram como) cientistas e, consequentemente, possuem espíritos curiosos, irrequietos. Suas áreas de atuação: física, química, biologia, ecologia, economia da saúde e sociologia. E assim, em nossas intermináveis conversas, saltamos com a maior facilidade de um quasar para a Lei Maria da Penha, entre um prosaico gole de vinho e uma garfada na massa com cogumelos, sem ninguém se preocupar com o rastro da poeira das estrelas, embora um brinde tenha sido feito ao avanço nacional contra a violência doméstica. “É um Brasil que agora prende quem bate em mulher, mas que continua a afagar quem rouba”, alguém comentou com ironia afiada pela realidade política nacional.

Novos argumentos sobre a escolha de mais um vinho nos mobilizam, enquanto alguns olhares trocados com a mesa vizinha lembram algo como “paquera”. (Alguém ressuscitou essa palavra jurássica, que poderia hoje ser compreendida como “estar a fins de ficar”.)

Com não menos seriedade, discutimos a seguir as preferências de condimentos de cada um, com mais, menos ou sem alho... e os últimos eventos políticos. Evidentemente, em tudo há um limite para a seriedade. E o álcool (com a boa companhia) libera vastas gargalhadas. A noite vai encerrando o último encontro. Alguém, pagando a conta, se lembra de perguntar:

— E então? Quando a gente se vê novamente?


[FONTE DA IMAGEM: Programas Livres Net]

Qual é o tamanho do universo?


Atenda ao convite de Peter Moon: “Construa comigo uma imagem mental das dimensões do cosmo.”


Acesse sua coluna clicando em:

FONTE DA IMAGEM: NASA – Hubble site.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um livro raro, de 1624, com desenhos tão atuais


FONTE DA IMAGEM: Gravura de Giovanni Battista Braccelli, 1624 – Biblioteca Digital Mundial.


Aí está um fragmento de um “presente” da - http://www.wdl.org/pt/ - Biblioteca Digital Mundial: um livro de gravuras de Giovanni Battista Braccelli publicado em Livorno, Itália, em 1624, com o título Bizzarie di varie figure (algo como “Excentricidades de figuras diversas”).

O site da biblioteca descreve a obra como “designs curiosos” e comenta que Braccelli construiu “um conjunto de 50 gravuras a água-forte em celebração da figura humana de formas geométricas. Quadrados, triângulos, círculos e paralelogramos substituem músculo, ossos e tecidos, descrevendo o corpo num novo vocabulário visual”. O site informa também que as obras de Braccelli são muito raras e que esta cópia, da Coleção da Biblioteca do Congresso, é o exemplar mais completo de que se tem conhecimento.

Fiquei impressionada com os desenhos e fiz associações imediatas. As figuras da gravura acima (duas mulheres?) me parecem modelos do francês Courrèges desfilando, em 1963, suas últimas criações com formas geométricas e metálicas. Sua coleção “space age” (“idade espacial”) entrou para a história da moda representando a revolução Courrèges dos anos 60. Que curioso. Um francês, três séculos depois, utilizaria um estilo tão similar... E era designado como “futurista”. Quem foi Braccelli então? Um viajante do tempo? Nas suas idas e vindas ele deve ter conhecido Barbarella...

Barbarella (1968) e Braccelli (1624), separados por apenas 344 anos...

FONTE DAS IMAGENS:
À ESQUERDA: A atriz Jane Fonda interpretando “Barbarella” (1968), filme dirigido por Roger Vadim.
À DIREITA: Fragmento de gravura de Giovanni Battista Braccelli, extraído do livro Bizzarie di varie figure (1624), da Biblioteca Digital Mundial.


Da exposição de artes plásticas, MYTHOS (que aconteceu em maio e junho de 2009, na UFGD, em Dourados), me apossei do texto da curadoria de Maria Adélia Menegazzo e Maysa de Barros:

O mytho é narrativa que permeia todos os tempos, todas as culturas e que se expressa em ritos, nem sempre próximos e conhecidos. É errôneo relacionar o mito apenas com a cultura popular ou o folclore. O mito está por tudo, é nossa história, é nosso modo de ser e de pensar.”
 
Barbarella, com seu “traje espacial do século 41” confeccionado no século XX, revela uma inesperada sintonia com uma figura do século XVII descrita como “bizarra” por seu criador, Braccelli. Contemple as duas imagens, dando asas ao imaginário. Divirta-se, sem pressa, vasculhando a memória e identificando seus próprios mitos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Gargalhas funcionam como analgésico

Dar uma boa gargalhada libera substâncias químicas que agem como analgésicos naturais, reduzindo a dor, como indica uma pesquisa da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.

 

O coordenador da pesquisa, Robin Dunbar, acredita que uma risada incontrolável libera endorfina, uma substância que não apenas gera certa euforia, mas também atua como analgésico. “É o esvaziamento dos pulmões que causa o efeito”, disse o pesquisador à BBC.

 

Mas atenção: a pesquisa indicou que uma risadinha contida não basta; é preciso liberar uma boa gargalhada para que o efeito redutor da dor se manifeste.

 

FONTE DO TEXTO E DA IMAGEM: BBC - Londres

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Colas e... Parafusos

Nos anos setenta (século passado!), quando participei ativamente de grupos de fotógrafos amadores em São Paulo, eram comuns os comentários sobre as máquinas fotográficas japonesas de então. Um deles ficou em minha memória. Era alguma coisa como: “Esses japoneses são incríveis... Eles estão aplicando ‘uma gota de cola’ a cada peça, exatamente no local em que os alemães colocam ‘duas gotas de cola e um parafuso’ ”.

Sem nunca ter pensado muito no assunto, creio que as vantagens da leveza das máquinas japonesas ainda não estavam sendo assimiladas. Na época, sonhávamos com uma famosa máquina fotográfica alemã: a robusta e resistente Leica, a câmera favorita de Cartier-Bresson (1908-2004) – um dos fotógrafos mais importantes do século XX.

E foi exatamente essa visão de “forte e resistente” que me veio à mente com a propaganda da Bosch. O que a memória e a imaginação não fazem...  Um parafuso e uma marca alemã foram suficientes.
                            
CRÉDITOS DA IMAGEM:
CLIENTE: Bosch
AGÊNCIA: Jung von Matt/Elbe GmbH, Hamburgo, Alemanha
DIRETORES EXECUTIVOS DE CRIAÇÃO: S. Hanke, Wolf Heumann
DIRETORES DE CRIAÇÃO: Andreas Ottensmeier, Harald Gasper
DIRETOR DE ARTE: Roman Mitterer

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O paraíso de Borges




Eu sempre imaginei que o paraíso deve ser algum tipo de biblioteca.


Jorge Luis Borges

domingo, 11 de setembro de 2011

“Querida Foto”: essa árvore fez parte da minha infância

Querida Foto,
Essa árvore fez parte da minha infância. Brinquei de casinha na sua sombra miúda. Enterrei um tesouro ao lado da copa e me escondi atrás do seu tronco quando meu cachorro morreu, soluçando como se o mundo fosse acabar. Passei horas e horas conversando com ela. Mas ficamos por muito mais tempo ainda em silêncio. Deitada, eu adorava acompanhar a sua sombra mudando com o sol. E rimos muito. Eu com gargalhadas de cócegas e ela farfalhando suas folhas até derrubar algumas. Brinquei de esconde-esconde, pique e até de navio-pirata, observando a “terra à vista” do alto do mastro do seu tronco. Chegamos a nos machucar juntas. Quebrei ramos ao brincar de pirata sem mar e de alpinista em uma terra sem montanhas. E ela me esfolou nos braços. Do galho mais alto caí de mau jeito e trinquei o tornozelo. E ela me derrubou por muitas vezes mais. Eu não aprendia que o meu lugar era no chão. Crescemos juntas. Ela ficou forte e alta. E eu saí sem me despedir para estudar na cidade. Nunca mais nos encontramos. Eu voltei um dia e só encontrei capim. E percebi que, muito mais do que uma amiga de infância, essa árvore fez, e faz, parte da minha vida.
Maria Eugênia.

Achei essa imagem na internet. Infelizmente não consegui descobrir sua autoria, mas decidi mostrá-la assim mesmo, sem o devido crédito, ao me dar conta de que, por mero acaso (e existe acaso?), ela atende à proposta do site QueridaFoto.com (veja o post abaixo, ou clique AQUI). Mas, falante como sou, não consegui me ater a um pequeno comentário. Acabei brincando com as palavras, e fiz uma breve crônica, misturando memórias reais e inventadas.


sábado, 10 de setembro de 2011

“Querida Foto”: revelando suas memórias

Tudo começou quando Taylor Jones vasculhava uma caixa de antigas fotografias de família e encontrou uma que mostrava seu irmão caçula sentado em uma cadeira à mesa da cozinha. Jones, um canadense de 21 anos, tirou os olhos da imagem e notou que a mesma cadeira estava a sua frente. Elevando a foto e fazendo-a encaixar-se no cenário que observava, ocorreu-lhe uma ideia que transformou seu blog de ​​fotografia em um fenômeno da internet.

A ideia era tão simples quanto contagiante: “Fotografe uma foto antiga colocada em frente ao local original onde foi ‘clicada’ e poste-a na internet”. O resultado é uma porta mágica para o passado, plena de nostalgia, combinando o velho método de impressão fotográfica e o poder multiplicador das redes sociais. Em apenas um mês, o site de Jones, DearPhotograph.com (QueridaFoto.com), passou de um blog principiante ao mais recente “meme” da rede, com mais de 3,5 milhões de acessos. (Para quem não está habituado ao termo, um “meme” é uma imagem ou informação online que se populariza como uma epidemia.) Parte do magnetismo do site é o fato de cada foto trazer uma descrição – muitas vezes sedutoramente concisa – explicando o que a fotografia significa para quem a tirou.

Veja nas três fotos que selecionei do site como os comentários revelam a carga emocional que acompanha cada imagem:

Querida Foto:
Soltar a mão de minha mãe no primeiro dia de aula foi a parte mais difícil.
Liz

Querida Foto:
Sempre me lembrarei de meu primeiro peixe.
Brian Thurman


Querida Foto:
Eu lhe disse que viriam dias melhores.
Joel Witte

Para mais detalhes acesse:

 

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