segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Como usar o 13°. salário para ficar “chique”




“Chique é não ter dívida. Usar o dinheiro extra para resolver esse problema é um presente que você se dá.”


 
Gloria Kalil, consultora de moda

domingo, 27 de novembro de 2011

"Encontros sobre a Arte e seus assuntos", com Maria Adélia Menegazzo

sábado, 26 de novembro de 2011

Uma livraria que presenteia...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A tecnologia do abraço, por um mineiro


Recebi um texto lindo, apesar de repleto de palavras difíceis, tais como “tequilonogia” e “massargiado”. Não ficou “taum bunitim”, mas tomei a liberdade de traduzir o dialeto mineiro (e fiz alguns acréscimos, pequenos):

O matuto mineiro falava tão calmamente, que parecia medir, analisar e meditar sobre cada palavra que dizia.

“Pois é... das invenções dos homens, a que mais tem sentido é o abraço. O abraço não tem jeito de não ser compartilhado, é impossível uma pessoa somente aproveitá-lo! Tudo quanto é gente, no abraço, participa uma beradinha...

Quando você tá danado de saudades, o abraço de alguém te alivia...
Quando você tá com muita raiva, vem um, te abraça e você fica até sem graça de continuar com raiva...
Se você tá feliz e abraça alguém, esse alguém pega um pouquinho da sua alegria...

Se alguém tá doente, quando você o abraça, ele começa a melhorar e você melhora junto também...

Muita gente importante e letrada já tentou dar um jeito de saber por que que o abraço tem tanta tecnologia, mas ninguém ainda descobriu. Mas, eu sei! Foi um bom espírito de Deus que me contou. Eu vou contar pra vocês o que foi que ele me falou:

O abraço é bom por causa do coração...
Quando você abraça alguém, faz massagem no seu coração!
E o coração do outro é massageado também!
Mas não é só isso, não... Aqui tá a chave do maior segredo de todos:
É que quando se abraça alguém, com um abraço bem apertado, a gente fica com dois corações no peito guardado.”

Isso que é tecnologia! Melhor que um queijinho...

[Obrigada ao Prof. Paulo Robson pelo texto.]

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A música do western-spaghetti “Três homens em conflito”





A película, como se dizia na época, fez sucesso na década de 60 (século passado), apesar do estranho título (politicamente correto?) em português: “Três homens em conflito” (título original: Il buono, il brutto, il cattivo / The good, the bad and the ugly). Um western-spaghetti – filme ambientado no Velho Oeste americano, com produção italiana – que deu fama a Clint Eastwood.

A música-tema do filme, de Ennio Morricone, é aqui apresentada pela orquestra de cordas britânica “Ukulele” (foto), um grupo formado por um violão e seis pequenas guitarras de quatro cordas, as ukuleles (“pulgas saltadoras” no idioma havaiano). Se você achar o início do vídeo meio estranho, espere até 1 minuto e 18 segundos para entrar no clima da música. E divirta-se!

[Obrigada pela dica do Johnny Khouri.]



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“Bonito”, um poema de Paulo Robson


Nos jardins submersos de Bonito
Algas, lama, dourados, grandes folhas,
Caramujos e musgos... cospem bolhas.
Naturais, são aquários infinitos.
Mundos d’água gasosa — e inauditos —
Nos inspiram poemas, fantasias.
Respirar dentro d’água é alegria
Para os que vivem imersos na pureza.
Reparando melhor, a natureza —
De algum modo — respira poesia.

Paulo Robson.


terça-feira, 22 de novembro de 2011

“Uma viagem à Grécia”, com Carla de Cápua


A artista plástica Carla de Cápua nos convida para uma bela viagem pela Grécia através de seus desenhos, gravuras e óleos sobre tela. Com um roteiro preparado cuidadosamente, a cicerone Carla mostra a sensibilidade de seu olhar na escolha de cada local a ser visitado ou cada objeto a ser apreciado. Embarque no MARCO, ainda hoje ou durante o trajeto, até o dia 20 de janeiro de 2012.

LOCAL: Museu de Arte Contemporânea de MS – MARCO
ENDEREÇO: Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque das Nações Indígenas – Campo Grande, MS.
ABERTURA: Hoje, dia 22 de novembro (terça-feira), às 19h30
HORÁRIOS DE VISITAÇÃO: Terças a sextas-feiras das 12 às 18h - Sábados, domingos e feriados das 14 às 18h
ENTRADA GRATUITA
INFORMAÇÕES: (67)3326-7449 (das 12 às 18h)


Consumo! Compras, compras e compras... A HISTÓRIA DAS COISAS


Todos nós (com exceções, é claro) gostamos de fazer compras. Você pode até ser do tipo que não as “faz”, mas certamente delas usufrui, em maior ou menor grau. Resumindo: somos todos consumidores e, menos ou mais conscientes, estamos imersos em uma economia baseada no consumo.

Qual é o problema em fazer compras? O comércio ganha com isso. O produtor e o distribuidor também ganham, assim como, obviamente, a parte mais interessada: você, que ganha porque adquiriu alguma coisa que queria ou de que precisava. Enfim, trata-se de uma série de elos coesos, em diferentes graus de dependência. Aparentemente, essas interrelações são tão familiares que nos parecem naturais na vida em sociedade. É exatamente aí que moram o perigo e as contradições: o que compramos, por que compramos e de quem compramos.

Retratando os hábitos de compra e venda, seus custos e consequências, foi lançado nos Estados Unidos no final de 2007 um curta-metragem que transporta o espectador para uma viagem instigante pela cultura de consumo — desde a extração de recursos, passando pela produção e distribuição de um bem qualquer, até seu descarte —, expondo o custo real desse bem. E assim, o filme mostra os diferentes caminhos percorridos pelas “coisas” que são vendidas e compradas, caminhos esses que são objetos de estudo da “economia de materiais”.

O filme, “The Story of Stuff” (A História das Coisas), foi escrito pela economista Annie Leonard. Com pós-graduação em Planejamento na Universidade Cornell, em Nova York, Annie especializou-se em problemas internacionais de saúde ambiental e sustentabilidade ao longo de mais de 20 anos de pesquisas, que a levaram a percorrer fábricas e descartes de lixo ao redor do mundo.

Em um de seus trabalhos pioneiros, Annie Leonard esteve em países asiáticos para identificar os trajetos do lixo exportado dos Estados Unidos e Europa. Suas constatações sobre o tráfico internacional de lixo foram documentadas não apenas em grande número de artigos, mas também em depoimentos perante o Congresso americano, buscando banir tais exportações destinadas ao Terceiro Mundo.

Coordenadora do “Funders Workgroup for Sustainable Production and Consumption” (Grupo de Trabalho dos Financiadores para a Produção e Consumo Sustentáveis), faz atualmente palestras sobre os impactos do materialismo e do consumismo sobre a economia global e a saúde internacional. Em “A História das Coisas” a escritora (que também é a narradora) examina os custos sociais, ambientais e globais da extração, produção, distribuição, consumo e descarte. Analisando uma cultura movida a coisas, ela identifica nas políticas pós-Segunda Guerra Mundial a semente das noções de consumismo e examina como essas noções ainda orientam grande parte das economias do mundo.

Tanto na limitada vida útil de um computador quanto nas mudanças em qualquer ramo da moda, ela vê exemplos de produtos projetados para durarem pouco (fabricados para ficarem obsoletos rapidamente) ou para criarem no consumidor o desejo de atualizá-los regularmente (o seguidor da moda é bombardeado com a ideia de que precisa “continuar na moda”, ou seja, comprar os novos lançamentos). E assim, Annie Leonard afirma que essas ações de “obsolescência programada” e de “obsolescência percebida” movimentam a máquina do consumismo. Com um enfoque provocativo mas realista, o filme pode gerar reações dos mais diferentes tipos. Acho que essa é a ideia: fazer pensar! Queremos continuar vivendo nesse sistema de consumo?

O curta pode ser visto em inglês em sua versão original — http://www.storyofstuff.org/ —, ou legendado em português, através do vídeo aqui disponibilizado.

Se o tema lhe interessa, assista e tire suas próprias conclusões. Talvez as imagens (e a contundente explicação da narradora) revelem muito mais de nosso cotidiano do que realmente gostaríamos de ver. Eu sou suspeita: sou fã do trabalho de Annie Leonard! E há anos venho insistindo em divulgá-lo. Acho que o curta-metragem escancara o tamanho do embuste político que existe no capitalismo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Benetton e sua famosa estratégia: polemizar!


Se você não conhece, a Benetton é um grupo italiano que já fez muito sucesso no Brasil (no final dos anos 80 e início dos 90), não exatamente por seus jeans e camisetas coloridas, mas por suas campanhas publicitárias polêmicas, que na época deram muito o que falar (e ainda dão). Veja uma delas, veiculada em 1991, com o nome de “Angel & Devil” (“Anjo & Demônio”):


O fotógrafo Oliviero Toscani foi o grande parceiro do grupo Benetton, desde os anos 80, ao criar imagens de impacto que exasperavam diversos segmentos da sociedade e instituições, tais como a Igreja Católica no beijo entre o padre e a freira:


E hoje, cerca de vinte anos depois de sua fase mais agressiva (publicitariamente falando), a Benetton retorna distribuindo mais beijos na boca, entre líderes adversários. Todos eles são falsos (os beijos, é claro). Um deles, entre o papa Bento XVI e o imã sunita Ahmed El Tayeb, foi condenado pelo Vaticano, que não só o qualificou como “uma grave falta de respeito com o papa”, como também ameaçou processar a Benetton, que, educadamente, publicou seu pedido de desculpas e deletou a fotomontagem de seu site.

A proposta da campanha não tem meias palavras: cada beijo entre os adversários vem com um apelo para o fim do ódio – UNHATE (algo como “desodiar”). E, devo confessar, me diverti com duas das imagens. As que mostram beijos entre a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy (mais parecendo um “selinho” roubado pela alemã) e entre Barack Obama e Hugo Chávez (que me leva a rir pelo clima de latin lover que paira entre os dois). Veja as cenas, ou melhor, as fotomontagens:





“Coro de Câmara da UFMS” se apresenta hoje, em Campo Grande


Uma apresentação para festejar a noite de domingo, com a impecável regência do maestro Manoel Câmara Rasslan.


sábado, 19 de novembro de 2011

Um menino – André Matos Moreira – e seus desejos


Na Fazenda Azulão — a primeira morada da família Mattos lá pelos idos de 1902 — uma bela mata protegia a casa do calorão, deixando passar uma aragem úmida e refrescante nas tardes de sol a pino. A casa, erguida pelo patriarca Francisco de Mattos Pereira, já não existe mais. A Azulão foi retalhada por heranças, mas boa parte dessa mata foi mantida, soberana. E ainda hoje ameniza o calor para quem passa por lá.

Erguida pela família de uma das netas do patriarca — Clarinda de Matos Moreira e seu marido Devaldo Moreira, um paulista, poeta —, outra casa foi construída no local em que hoje um pedaço da Azulão leva o nome de Fazenda Coqueiro. E nela morou um menino... Um menino que não andou a cavalo, não correu com medo de boi brabo e tampouco brincou de arar a terra. Um menino quieto e retraído que desfrutou da sombra da mata para caminhar, sentar-se e ler — André Matos.

Esse trineto de Francisco de Mattos Pereira, e bisneto do Zé Leitão, deu dor de cabeça à família. Baita menino esquisito! Todo mundo esperava que ele, se não morresse logo, fosse diferente mesmo. Afinal, tinha nascido muitas horas após o rompimento da bolsa — diziam as comadres — e até o Dr. Vilela, logo após o parto, no dia 10 de outubro de 1984, pressentia algum tipo de problema: “Vamos ver o que vai acontecer...”.

Mas o menino, filho de José Humberto de Matos Moreira e Neusa Carmo Gonçalves, sobreviveu e acabou crescendo na Fazenda Coqueiro, criado pelos avós paternos.

As esquisitices começaram mesmo quando André desandou a ler antes de completar cinco anos e não parou mais. Encantado com a descoberta das formas das letras, seus desenhos e significados, ele passou a devorar livros e revistas com mais apetite do que para mingau de aveia. E não havia cristão que o distraísse enquanto estava lendo — nem uma promessa de bicicleta nova ou de caminhãozinho basculante. Tampouco um pedação de rapadura com queijo fresco dava conta do recado. Até que um dia, na cidade, André descobriu outra paixão que deixou os livros em segundo plano.

Era uma sala, na casa de Eliane Freitas de Alencar, em um final de tarde. André, impecável em sua roupa de passeio, se distraía com uma revista quase de seu tamanho enquanto sua avó Clarinda, que o levara consigo, conversava com algumas amigas. De repente, um som nunca antes ouvido o deixou paralisado. E ele me contou, recentemente, com detalhes: “Eu tinha quatro anos de idade e uma centelha me atingiu. Somente hoje eu sei explicar o que senti. Foi como se uma corrente elétrica tivesse me atravessado. Eu nunca tinha escutado nada parecido. E tampouco entendia de onde saía aquele som. Havia um piano na sala, todos estavam em silêncio e a Eliane o tocava. Mas eu nem fazia ideia de que a música vinha do piano. Aquele som foi inesquecível... E uma certeza naquele momento tomou conta de mim: ‘É isso que quero fazer!’, decidi”.

E o menino levou a sério sua decisão. Alguns meses depois, no aniversário de cinco anos, bateu pé e não deixou a moça da loja embrulhar aquele imenso carro de bombeiros que a avó escolhera para lhe dar. Pediu um piano! E a avó o atendeu, com o único então disponível: um pianinho de brinquedo.

André tanto tocou e tanto pediu, que a avó Clarinda cedeu: levou-o para ter umas aulas de piano com a professora Iza. E ele logo começou a ler partituras, sem nem saber como. Impressionada com a aptidão do neto, Dona Clarinda o encaminhou para estudar piano clássico com a professora Eliane, a mesma que lhe apresentara o som que o eletrizara alguns meses antes.

A partir daí a história é de uma dedicação espartana. André passou a adolescência estudando prazerosamente, fazendo exatamente o que descobriu que queria fazer, com o incentivo da avó. Assim, concluiu o curso de nível técnico em piano, em Campo Grande, e ganhou o tão desejado presente, agora de gente grande: um piano... digital. Ainda residindo em sua terra natal, Dourados, MS, outros interesses afloraram e ele apaixonou-se, quase casou. Foi sua primeira desilusão amorosa. A tristeza o levou a outras plagas. Foi para Goiás (mas felizmente não formou uma dupla caipira). Ali trabalhou em um conservatório e começou a firmar-se como pianista, junto com um preparador vocal. Quando deu por si, já estava produzindo arranjos, compondo e dirigindo gravações. Estudou durante quatro anos no Conservatório de Goiás, enquanto ministrava aulas de piano em Goianésia e Goiânia e dirigia um coro vocal em Ceres.

Voltou para Dourados e tornou-se pianista auxiliar na Igreja Presbiteriana do Brasil – a “igreja do relógio”. Em 2008 dedicou-se a um curso de afinação e restauração de piano, em Campo Grande, com Albino Ferraz. Em seguida sua avó teve diagnóstico de câncer e André decidiu permanecer em Dourados. Hoje ele tem a alegria de acompanhá-la, curada, enquanto ensina piano, estuda, grava e compõe em seu próprio conservatório na cidade — o Escritório da Música —, além de ser pianista e regente do coral da igreja do relógio. E, graças a Deus, continua sendo um cara esquisito, daqueles que ficam horas e horas ao piano, ou imerso em leituras.

Pois é... Dizem que avós estragam os netos. Nesse caso, Dona Clarinda, todos na cidade estão lhe agradecendo. Que belíssimo “estrago” a senhora fez!
___________


P.S. Respondendo dúvidas enviadas por e-mail: o ANDRÉ MATOS MOREIRA existe, mesmo! O texto é uma crônica baseada em fatos reais da sua história (até a mata é verdadeira). Aqui está ele, em uma foto recente - um belo homem de 27 anos.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Feliz Aniversário!


Se você frequenta uma livraria dessas, a gente canta “Parabéns pra você”... pra você!

E aproveite para conhecer uma das muitas histórias:
Uma livraria e oito cadeiras!



Ateliê Ana Ruas: Curso de Fotografia, em Campo Grande

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Depois das cicatrizes, um projeto: “Câncer de mama não é uma fita cor-de-rosa”


A repórter do The Wall Street Journal ficou impressionada: “Passeando por uma rua de Nova York, deparei com um cartaz que me tirou a fala: uma mulher jovem com cicatriz de mastectomia. O cartaz dizia: ‘Câncer de mama não é uma fita cor-de-rosa’. Eles têm razão, sem dúvida. Mas o realismo gritante me sacudiu”.

As imagens aqui mostradas, fortes e cheias de dignidade, fazem parte de The SCAR Project (Projeto CICATRIZ), uma exposição fotográfica de sobreviventes de câncer de mama com menos de 40 anos, idealizada por David Jay, um fotógrafo de moda que trabalha na Austrália. (Essa doença é hoje a principal causa de morte em mulheres jovens de 15 a 40 anos em todo o mundo.) Retirando o véu que sempre cobriu a crueza da doença, as fotos de Jay nos forçam a ficar cara a cara com a dimensão humana das lutas e vitórias pessoais associados a essa realidade.


Como fotógrafo profissional, Jay está em contato com o universo da moda e beleza há mais de 15 anos e ficou pessoalmente tocado pela doença quando uma amiga próxima foi diagnosticada com câncer de mama aos 32 anos. Tal impacto o levou a criar The SCAR Project, dedicando-se ao longo dos últimos três anos a retratar mulheres que vêm lutando contra o câncer de mama. O resultado foi forte e pungente.


As fotos chegam a público no momento em que muitas instituições beneficentes voltadas ao câncer de mama estão sendo criticadas ao reduzirem a conscientização sobre a doença a ações prosaicas, como marchas e fitas cor-de-rosa. The SCAR Project é de certa forma o oposto do que uma fita rosa simboliza. Em vez de evitar a face humana da doença, o projeto obriga as pessoas a se aproximarem desconfortavelmente a esse confronto realístico.


Falando sobre o projeto Jay diz: “Para essas mulheres jovens, ser retratadas parece representar sua vitória pessoal sobre essa doença atemorizante. Isso as ajuda a recuperar sua feminilidade, sua sexualidade, identidade e poder, após terem sido despojadas de uma parte importante disso tudo. Através dessas imagens simples, elas parecem começar a aceitar o que lhe aconteceu e a ganhar força para seguir em frente com orgulho”.

Conheça mais detalhes sobre o projeto acessando o site

[FONTE DAS IMAGENS: Fotos de David Jay – The SCAR Project site]

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Uma antologia de Glauco


Dono de um humor irreverente e politicamente incorreto, Glauco (1957-2010) retorna às bancas e livrarias com uma antologia de suas “tirinhas”. Com 304 páginas, o livro Geraldão – Espocando a Cilibina foi organizado e editado por Toninho Mendes, editor e mentor da Circo Editorial. Nele estão reunidas todas as histórias de Glauco publicadas nos dez primeiros números do gibi do Geraldão e em outras revistas da editora que foram vendidas de maio de 1987 a dezembro de 1988. Além do Geraldão, estão presentes personagens que só poderiam ter saído da mente irrequieta de Glauco, tais como o Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

O livro também traz uma HQ-homenagem inédita de Laerte e textos dos estudiosos Franco de Rosa e Gonçalo Jr., que ajudam a compreender a obra de Glauco e o contexto de suas criações. Considerado um dos mais ousados cartunistas de sua geração, Glauco foi um criador intenso, que durante trinta anos divertiu seus leitores com um humor inovador e totalmente despudorado, segundo a crítica especializada.

Geraldão – Espocando a Cilibina, de Glauco Villas-Boas. Editora Almedina. 304 págs. R$ 77,00

[A tirinha do Casal Neuras e o texto foram clipados da rede.]

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

L’Animateur


De um festival de curtas-metragens de Berlim, o criador e as criaturas...

Uma parábola. Uma metáfora. Um sonho.


domingo, 13 de novembro de 2011

Lançamento da “Coleção Photo Poche”



A Cosac Naify acaba de lançar no Brasil a famosa coleção francesa de livros de fotografia em pequeno formato, com sua característica capa preta, cada um contendo um breve texto e cerca de 60 imagens de excelente qualidade produzidas por um expoente da fotografia.

A “Coleção Photo Poche” é um dos maiores acervos impressos da história da fotografia mundial e foi criada em 1982 pelo editor francês Robert Delpire, através do Centre National de La Photographie, uma instituição vinculada ao Ministério da Cultura e Comunicações da França. Desde então começou a ser editada em vários países e agora, com mais de 150 volumes, chega ao Brasil.

Os primeiros cinco volumes trazem o fotógrafo surrealista Man Ray (1890-1976), três célebres membros da agência Magnum — Henri Cartier-Bresson (1908-2004), Elliott Erwitt (1928) e o brasileiro Sebastião Salgado (1944) —, e Helmut Newton (1920-2004), o fotógrafo de moda famoso por seus nus femininos.

A loja virtual da Cosac Naify informa que os volumes recém-lançados, com 144 páginas cada um, podem ser adquiridos individualmente (R$ 34,00 por volume) ou todos em uma caixa (R$ 159,00):

sábado, 12 de novembro de 2011

Clarice Lispector


“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania... Depende de quando e como você me vê passar.”

Clarice Lispector

[Dica da Márcia Lemes]

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

As três mais belas livrarias do mundo


Em uma de minhas viagens a Buenos Aires descobri um templo — mais exatamente um ateneu — inteiramente consagrado aos escritos e à leitura. Nenhum nome poderia ser-lhe mais adequado: El Ateneo. Localizado no número 1860 da Avenida Santa Fe, no centro de Buenos Aires, os livros estão ali dispostos de tal maneira que evocam folhetos de peças teatrais ou libretos de ópera. Livros e mais livros, milhares deles, a seu dispor, para que o espetáculo da leitura seja encenado por você, leitor. Essa imagem de fantasia cênica foi certamente estimulada pela beleza do lugar, pois a livraria ocupa um edifício incomum para essa finalidade: um elegante e charmoso teatro, construído em 1860, que foi preservado em todo o seu esplendor original.

Em El Ateneo, as adaptações arquitetônicas são de muito bom gosto, com livros dispostos nos locais antes ocupados por cadeiras e poltronas, ou seja, no espaço que era destinado a platéia. Além desse local no térreo, muitos outros livros estão distribuídos pelas antigas fileiras de enormes camarotes dos dois andares superiores. Elegantemente, três camarotes menores que ladeiam o palco foram transformados em saletas de leitura. No subsolo estão as obras infanto-juvenis. E no palco, atrás de imensas cortinas de veludo (evidentemente vermelhas) sempre mantidas entreabertas, há mesinhas para se praticar a leitura enquanto se sorve um café. (O teatro adaptado pode ser observado na fotomontagem abaixo, clipada do Flickr).


Folhear desenhos de Quino — o pai da contestadora Mafalda — degustando café ou chá, ou até uma taça de vinho da casa, no mesmo palco em que um dia Gardel se apresentou... O visitante-leitor passa literalmente a fazer parte do encanto do teatro. A sensação é de ser acolhido pela atmosfera envolvente do lugar.

De volta ao Brasil, descobri que a livraria portenha ocupa o segundo lugar da lista das dez mais importantes do mundo, por sua beleza e valor arquitetônico, como revelou um concurso promovido em 2008 pelo jornal britânico The Guardian. Pesquisei recentemente e descobri que a classificação das dez se mantém inalterada desde então.

A mais bela de todas as livrarias encontra-se em Maastricht, na Holanda. É a Boekhandel Selexyz Dominicanen, que ocupa uma fabulosa construção do século XII: uma antiga igreja dominicana que já não dispunha de congregação e estava sendo usada como depósito de bicicletas, mas que agora é descrita como “uma livraria feita no céu”.


O segundo lugar ainda é da El Ateneo que ocupa o teatro de 151 anos na vizinha Buenos Aires.

A terceira mais bela livraria do mundo está em Portugal, na cidade do Porto. É a Lello & Irmão, que existe como tal desde 1881. Além do edifício em que funciona atualmente, construído em 1909 em estilo gótico, seu ponto-chave é uma intricada e sinuosa escadaria interna, com degraus vermelhos. A livraria também se destaca por um amplo vitral no teto e pelos incontáveis nichos repletos de entalhes e livros, muitos livros.



Que curioso... Uma igreja sem fiéis e um teatro sem atores se transformaram nas duas mais belas livrarias do mundo. Admiro a mentalidade política e cultural que promove e estimula ações desse tipo, permitindo a restauração de imóveis de importância arquitetônica. No Brasil, com certeza teriam sido demolidos para a construção de algum edifício “novo” – e a livraria que funciona ininterruptamente há mais de um século talvez tivesse virado estacionamento...

Há pouco tempo retornei a Buenos Aires. Foi quando Jorge Luis Borges (1899-1986), no El libro de los seres imaginarios, juntamente com bons amigos, me fez companhia em minha mais recente temporada no palco da El Ateneo. E brindamos, com um excelente vinho, ao inestimável prazer da leitura.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A magia e a delicadeza de ser criança!


A história foi baseada em uma crônica de José Pedro Goulart, publicada no livro A voz que se dane, da editora L&PM. O vídeo é da produtora Mínima, com criação e direção de J. P. Goulart.

Nem dá pra acreditar que é uma propaganda... da Panvel Farmácias — que nem faço ideia de onde é, mas que acertou em cheio na beleza de celebrar a magia infantil.


Um programa batuta... no rádio!


Computador ligado, internet conectada e rádio sintonizado! Exatamente isso. Boas ideias existem para serem usadas. E os links para “estações de rádio” proliferam na rede. Notícias, músicas, entrevistas, todos com som de qualidade, sem aquela chiadeira do século passado — quando sintonizar a estação exigia dedos de fada para conseguir girar o botão milimetricamente.

E aqui está a rádio batuta! Uma iniciativa do Instituto Moreira Salles com programas imperdíveis. Veja (ou melhor, ouça) alguns deles, com música, muita música:


Especiais da Rádio Batuta ― Elizeth Cardoso, Nei Lopes e Wilson Moreira, Elton Medeiros 80 anos, Wilson Batista, Monarco, Portela, Império Serrano, Ademar Casé, Orlando Silva, Paulo Mendes Campos, João Bosco.
Documentário “Tim tim por tim tim – A música de João Gilberto.”
Os Batutas ― Custódio Mesquita, Pixinguinha, Adoniran Barbosa, Catulo da Paixão Cearense, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Ataulfo Alves, Benedito Lacerda, Cyro Monteiro e muitos outros.

Ligue sua antena e boa sintonia!


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Carl Sagan (1934-1996): “Nós estamos aqui, neste pálido ponto azul”


Há exatos 77 anos, no dia 9 de novembro de 1934, nascia Carl Edward Sagan, um astrofísico americano que rompeu barreiras astronômicas em um trabalho pioneiro de divulgação científica. Com seu extraordinário carisma e conhecimento, Sagan teve um papel decisivo na “tradução” dos mistérios do cosmos para o grande público, a partir dos anos 60 do século passado.

Como astrônomo e pesquisador em exobiologia, ele também trabalhou na NASA e foi encarregado de dar instruções aos astronautas da missão Apollo. Para homenageá-lo no dia de seu aniversário, garimpei este curta-metragem, “The pale blue dot” (“O pálido ponto azul”), que foi realizado postumamente com base em um de seus artigos: “You are here”. No filme, a voz também é dele, graças à mixagem de uma antiga gravação em que Sagan lia seu próprio relato. O filme é de David Fu, da “Pale Blue Films”, e mostra uma foto da Terra a mais de 6 bilhões e meio de quilômetros de distância. E o belo texto de Sagan fala mais, muito mais do que distâncias astronômicas...



Ana Ruas explica "Porque não usar desenhos estereotipados" - Hoje, no MARCO

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Daltro expõe em Dourados

Dono de um nome forte, Epaminondas Pedreira Daltro Junior optou assinar-se Daltro em suas obras. Esse corumbaense que agora em dezembro vai completar 46 anos é um artista plástico autodidata que desenha desde menino. Apaixonado pelo trabalho, Daltro dedica-se há mais de 20 anos à pintura com que mostra Corumbá com seus casarios e suas festas populares, a vida no Pantanal com suas paisagens e histórias e o cotidiano do peão pantaneiro.

Com um amplo itinerário de exposições pelo Brasil, Daltro abre hoje (dia 8 de novembro) uma mostra de suas telas no espaço da Livraria Canto das Letras, prosseguindo até o final do mês.

Exposição Individual de DALTRO, de 8 a 30 de novembro de 2011

LOCAL: Livraria Canto das Letras
ENDEREÇO: Av. Weimar Torres, 2440 – Centro – Dourados, MS.
ENTRADA FRANCA
TELEFONE: (67)3427-0203

IMAGEM: “Peões no Pantanal”, tela de Daltro.
Foto de Gisele Colombo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Poesias, fotos e o cotidiano de... formigas!


O mundo é curioso e deliciosamente diverso. Existem pessoas que se interessam por formigas a ponto de dedicarem toda a vida a observá-las. Aqueles que um dia se apaixonaram por elas são, irremediavelmente, poetas. Todos foram a criança que certa vez, por mero acaso, deparou com uma formiga pensativa sobre um pedregulho. Foram o moleque que, acompanhando por um tempo interminável a marcha de uma delas que mal equilibrava uma descomunal borboleta, de repente encontrou embaixo do pé de limão o maior carreiro de formiga que já caminhou sobre a Terra.

Tenho amigos que foram impelidos por esse deslumbramento infantil para estudar formigas. Adultos, levam hoje o pomposo nome de mirmecólogos e, com certeza, compartilham uma visão especialmente interessante sobre a vida. Ninguém pesquisa formigas impunemente.

Um deles é o Prof. Paulo Robson de Souza, da UFMS, que expôs recentemente “O cotidiano das formigas no Pantanal em quatro atos: morar, cuidar, explorar, comer” — uma invasão de privacidade exposta em 45 fotos, a convite dos organizadores da vigésima edição do Simpósio de Mirmecologia realizado em Petrópolis, RJ, em outubro.

Como curador da mostra, o Prof. Dr. Rogério Silvestre, da UFGD, comentou que o trabalho de Paulo Robson “representa todo o cuidado e carinho de uma mirmecologia artística e expressa a diversidade de um pedaço significativo do Brasil como um teatro em quatro atos: morar, cuidar, explorar e comer; são cenas de um universo fascinante da vida das formigas”. E, ao apresentar as fotos, concluiu: “Entre nesse palco e divirta-se”.

ATO DE EXPLORAR - PROCURANDO NOVOS HORIZONTES - Sobre folha morta, Camponotus melanoticus em comportamento de reconhecimento.

ATO DE COMER - TOCANDIRA BÊBADA DE EMBIRUÇU - Paraponera clavata alimentando-se em nectário floral de Pseudobombax longiflorum (árvore da família das malváceas, antes denominadas bombacáceas) durante a noite.

ATO DE CUIDAR - EM TAPETE DE FOLHAS UMA PÉTALA VOU LEVAR - Operária de Atta (saúva) transportando pétala da leguminosa Senna multijuga para abastecer seu ninho para cultivo de fungos.


Ainda sobre a exposição, Paulo Robson explica que quase todas as legendas das fotos foram de autoria de Rogério Silvestre, que também o coorienta em sua pesquisa de doutorado na UFMS.

Em breve, outro doutor na área... Mais uma possibilidade de parceria para Manoel de Barros.

Não precisei de ler São Paulo, Santo Agostinho, São Jerônimo, nem Tomás de Aquino, nem São Francisco de Assis —
Para chegar a Deus.
Formigas me mostraram Ele.

(Eu tenho doutorado em formigas.)

Manoel de Barros

sábado, 5 de novembro de 2011

Adeus a uma grande e doce amiga

Ela se foi e deixou marcas inesquecíveis naqueles com quem conviveu. Ninguém se aproximava dela sem pagar o preço de se transformar em uma pessoa melhor. Tinha os dons da doçura e da mansidão. E como era sábia...

Tia Dulce querida: foi muito, muito bom tê-la por aqui. Tive o grande privilégio de passar parte da minha vida com a sua presença. Quase todos os dias da minha infância eu saía de casa, autorizada ou não, e atravessava a rua, com lama ou poeira, correndo ao seu encontro. E entrava na sua casa pelos fundos, como um tufão. Primeiro eu chamava o seu nome, depois via se algum primo podia brincar. Lembro-me de você, como hoje. E do carinho com que impregnava cada gesto seu, mesmo o mais simples deles: desde o tempero do guisado com mandioca, o sorriso solidário e a exata quantia de manteiga no pão quentinho, até o conselho em um momento de tristeza e solidão. Uma tia acolhedora, cuidadosa e amiga.

Uma amorosa mãe, dona de uma habilidade agregadora de que nunca vi igual. E que festa era brincar no quintal da sua casa, com meus primos Walter, Dirce, Antoninho, Fernando e Miguel. Os demais ― Marcos, Chico, Inez e Marcelo ― nem haviam nascido nessa época, ou ainda eram muito pequeninos para resistirem às intermináveis guerras com sementes de cinamomo, aos saltos no jogo de amarelinha e à correria do pique.

E ela, pacientemente, olhava a todos com atenção. Que presente era senti-la por perto. Afeto no silêncio, no olhar, no abraço. Conheci poucas pessoas que falassem tanto, tão sabiamente e com tamanha eloquência quanto tia Dulce ao calar-se para me ouvir. Nunca me repreendeu, nunca me reprimiu. Ajudou-me a crescer e, infelizmente, pouco aproveitei a chance. E hoje cá estou, sentindo-me como aleijada e cega perante a agilidade e a visão da vida, da qual quase nada ainda sei, embora tenha sempre admirado o modo como tia Dulce a conduziu.

Obrigada, minha doce e amada tia. Muito obrigada.

“Caminhos Percorridos” por Lúcia Monte Serrat, em Campo Grande, MS

A Galeria Lúcia Barbosa, localizada na sede da Casa de Ensaio, está recebendo uma nova exposição a partir de hoje (sábado, dia 5): “Caminhos Percorridos”, da artista plástica Lúcia Monte Serrat.

Curitibana residente em Campo Grande desde 1982, Lúcia é atualmente professora aposentada do curso de Artes Visuais da UFMS. Nessa mostra ela revela, literalmente, os caminhos percorridos no desenvolvimento de seus estudos que culminaram em produções artísticas focadas no universo feminino, nas figuras de flores e de mulheres e suas emoções. Além de sua incessante produção individual, a artista também desenvolve há nove anos um estudo do processo criativo por meio da pintura, com o grupo “Sem medo de ser feliz”. Exatamente o perfil da Lúcia: uma artista comprometida com a qualidade de vida das pessoas que a cercam.

Estando em Campo Grande, não deixe de apreciar:

Exposição “Caminhos Percorridos”, de Lúcia Monte Serrat ― de 5 de novembro a 5 de dezembro de 2011

ABERTURA: Hoje, dia 5 de novembro (sábado), às 18h.
LOCAL: Galeria Lúcia Barbosa, na sede da Casa de Ensaio.
ENDEREÇO: Rua Padre João Crippa, 1699 – Centro – Campo Grande, MS.
HORÁRIO DE VISITAÇÃO: das segundas às sextas-feiras, das 13 às 17h.
ENTRADA FRANCA
TELEFONE: (67)3384-4843

IMAGEM: “Fragmentos de Emoção”, acrílica sobre tela de Lúcia Monte Serrat

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Máquina de escrever

A gente estava esvaziando a casa da tia no último fim de semana, fazendo uma faxina daquelas, arrastando móveis, abrindo gavetas, vasculhando roupa de cama, louça, quadro, livro – aquela confusão –, quando ouço uma gritaria e meus dois filhos me chamando:

— Manheeeê!
— Faaala – respondi.
— A gente achou uma coisa incrível. Se ninguém quiser, pode ficar pra gente? Pode, hem?
— Depende. Que é?

Os dois falavam juntos, animadíssimos:

— Ééé... uma máquina, mãe.
— É só uma máquina meio velha. É! Mas funciona, tá ótima!

Minha filha interrompeu o irmão mais novo, dando uma explicação melhor:

— Deixa que eu falo! É assim..., é uma máquina, tipo um... teclado de computador, sabe? Só o teclado. Só o lugar que escreve.
— Sei.
— Então. Essa máquina tem, assim, tipo assim... uma impressora, ligada nesse teclado. Assim, ligada direto, sem fio. A gente vai, digita, digita...

E ela ia falando mais alto, com a voz entusiasmada:
— ...e a máquina imprime direto na folha de papel que a gente coloca. Imprime ali mesmo! É muuuito legal! Direto, na mesma hora, eu juro! Sinistro, manhê!

Eu não sabia o que falar. Eu ju-ro que não sabia o que falar diante de uma explicação daquelas, de uma menina de 13 anos, sobre uma máquina de escrever. Era isso mesmo?

— Entendeu, mãe? Zupt! A gente escreve e imprime. A gente até vê a impressão juntinho na hora que vai escrevendo. Não precisa nem entrar no computador, ligar, entrar no Word, nem escrever olhando na tela, mandar pra impressora, esse monte de máquina, de estabilizador, comprar cartucho caro, não precisa de nada disso, mãe! É muuuito legal, e nem precisa colocar na tomada! Funciona sem energia e escreve direto na folha da impressora!
— Nossa, filha...
— Só tem duas coisas: não dá pra trocar a fonte nem aumentar a letra, mas não tem problema. A cor da tinta também tá bem fraquinha, mas acho que tem jeito. Vem, que a gente vai te mostrar. Vem!

Eu parei e fui encontrá-los. E olhei, pasma, os dois com os olhos brilhando ao lado de uma velha máquina de escrever.

— Mãe. Será que alguém da família vai querer? Hem? Ah, a gente vai ficar torcendo, torcendo para ninguém querer, pra gente poder levar lá pra casa. Isso é o máximo! O máximo!

Bem, enquanto estou aqui, neste “teclado” de computador, escrevendo, estou ouvindo o plec-plec da tal máquina, que, claro, ninguém da família quis, mas que aqui em casa deu até briga, de tanto que já foi usada. Está no meio da sala de estar, em lugar nobre, rodeada de folhas e folhas de textos “impressos na hora” por meus filhos.

— Sinistro! – eles dizem. – Plec-plec-plec... Olha só! Plec-plec-plec!

__________


Encontrei este texto na internet há anos, sem nenhuma indicação de autoria. Guardei-o. Recentemente recebi umas imagens (encontradas pelo Filipe Ferracini) de uns desenhos feitos com máquina de escrever por Keira Rathbone. Foi uma imediata associação de ideias. Peguei o velho texto guardado e me deixei levar pela memória, o que me fez tomar a liberdade de reescrever alguns trechos. Para tanto, apossei-me de minha OLIVETTI – Lettera 22 que continua (quase) como nova e datilografei. O “plec-plec-plec” ainda tem som de rebeldia.

A minha era exatamente assim, verde, tal qual a que está no acervo permanente do MoMA, em Nova York:


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Desenhando com a máquina de escrever

A artista britânica Keira Rathbone usa máquinas de escrever “pré-históricas” para criar sua arte. Digitando – ou, para usar um termo mais exato, datilografando – letras, números e símbolos em vez de pinceladas, traços a lápis ou pixels, ela constrói imagens surpreendentes, que incluem desde paisagens até retratos.

A imagem foi garimpada pelo Filipe Ferracini. Eu fui atrás e achei a fonte: http://www.keirarathbone.com/


terça-feira, 1 de novembro de 2011

COMUNICAÇÃO É TUDO... Bactérias e fungos vivos na vitrine e o filme “Contágio”


Sou aficionada por campanhas publicitárias inteligentes. É o caso das vitrines vivas que foram instaladas em Toronto, Canadá, para divulgar o lançamento do filme de ficção Contágio (nome original: Contagion), dirigido por Steven Soderbergh.

Cada vitrine, na realidade, é uma gigantesca placa de cultura onde foram inoculados fungos e bactérias. Com o passar das horas, em condições extremamente favoráveis, as colônias dos micro-organismos proliferam rapidamente. E as pessoas testemunham, ao vivo, essa impressionante capacidade de “contágio”. (Embora o filme seja sobre um vírus letal transmissível pelo ar, assista ao vídeo e no que ele lhe evoca: se bactérias, fungos ou seja lá o que for). E não se esqueça: lave bem as mãos depois.

Agência de Propaganda: Lowe Roche, Toronto, Canadá
Diretores de Criação: Steph Mackie e Mark Biernacki
Diretor de Arte: Glen D’Souza
Microbiologista: Dr. Patrick Hickey




 

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