sábado, 28 de julho de 2012

Afinal, que dia é hoje?


É isso mesmo. Que dia é hoje? Não basta ser sábado ou domingo, dia 28 ou 29 de julho. Atualmente nenhum dia fica impune; há sempre algo mais em uma data qualquer. Quer conferir? Vamos dar uma espiada na última semana: na sexta-feira, 27, comemorou-se o Dia do Motociclista; a quinta-feira, 26, foi o Dia dos Avôs; já 25 de julho, que celebrou o Dia de São Cristóvão, foi a data campeã da semana com o Dia do Motorista, do Taxista, do Caminhoneiro, além de ter sido o Dia do Colono, do Escritor e da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A terça-feira, 24 de julho, foi o Dia da Iluminação Elétrica e a segunda-feira, 23, foi dedicada ao Guarda Rodoviário. Na semana anterior, o dia 19 (ou terá sido 20?) foi o Dia dos Amigos. Tudo isso sem esquecer aqueles (e aquelas) que gostam da grafia politicamente correta: Dia do Motociclista e da Motociclista, do Caminhoneiro e da Caminhoneira, dos Amigos e das Amigas, dos Avôs e das Avós.

E há mais, muito mais... Não há data que escape: Dia do Cantor Lírico e do Futebol, Dia da Junta Comercial, do Comércio, do Comerciário e do Comércio Exterior. Muitas datas comemorativas são marcos importantes para categorias de trabalhadores, algumas representam dias de luta, outras lembram ganhos na justiça e há aquelas que registram tragédias. São dias e mais dias, feriados ou não, comemorados efusivamente ou ignorados. Muitos foram planejados, cuidadosamente, para mobilizar o comércio em grandes vendas; outros relembram fatos que nunca deverão ser esquecidos.

Geralmente não me lembro de datas. Essas lembranças tornam-se um hábito somente quando certos eventos se repetem em nossa vida. E é exatamente isso que tem me preocupado: cenas persistentes, assustadoramente presentes no cotidiano de todos nós.

Pense um pouco. O que tem acontecido todo dia? Basta ler um jornal, ver o noticiário de qualquer canal de TV ou mesmo conversar com um vizinho. Você já sabe do que estou falando... Todo dia alguém sofre algum tipo de violência. E violência gera notícia. Em minha percepção, quanto mais o assunto se prolonga, maior é a sensação de que algo maléfico nos envolve.

Entristece-me (e me assusta) ver pessoas que comentam atos violentos com a maior naturalidade, e até certo frisson, como quem relata as cenas empolgantes de um ator recém-premiado.

Estamos chegando a uma situação limítrofe: a da violência que perde, cada vez mais, a sua verdadeira face — deformada, velada —, e se transforma em um espetáculo de reality show. A violência que a sociedade enferma finge não ver, evita discutir e insiste em acobertar. A violência aceita como um determinado “preço” por isso ou por aquilo. Assim, simples, familiar, como qualquer evento rotineiro.

E por falar em evento, qual será o dia da semana mais violento? Pensando bem... Que dia é hoje?

 

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