terça-feira, 11 de setembro de 2012

“Ranking Universitário da Folha de S. Paulo”, por Sylvia D. Moretzsohn


Saiu hoje no Observatório da Imprensa o artigo “Sobre universidade, campeonatos e reportagem”, colocando mais um facho de luz (ufa!) sobre o confuso RUF (Ranking Universitário da Folha). Clipei um trecho, imperdível:

Sobre universidades, campeonatos e reportagem
Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 11/09/2012 na edição 711 do OI - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

O caderno especial que a Folha de S.Paulo publicou na segunda-feira (3/9) com “o primeiro ranking de universidades brasileiras” é um raro exemplo de esquizofrenia jornalística. Idealizada pelo próprio jornal e realizada ao longo de oito meses com a intenção de ser uma “iniciativa de avaliação sistemática do ensino superior no país”, a pesquisa traz tantas inconsistências que nem deveria ter sido publicada. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi um caderno intrinsecamente contraditório, que apresentava os índices e a “receita para medir o ensino”, ao lado de artigos que reconheciam a fragilidade dos números e a extrema simplificação que eles promoviam.

Para completar, a coluna de domingo (9/9) da ombudsman Suzana Singer destacava: “Ranking universitário criado pela Folha tem problemas graves de metodologia, mas é bom para chacoalhar a academia”. Por que a academia deveria sentir-se chacoalhada com números imprestáveis é desses mistérios para os quais não se imagina uma resposta coerente, embora o ranking – cuja sigla, RUF, “parece latido de cachorro” – tenha provocado “bastante barulho”, com o envio de “mais de 300 mensagens em apenas três dias” à ombudsman.

Porém, é forçoso reconhecer o empenho desse jornal em “chacoalhar a academia” de tempos em tempos. Um dos episódios mais famosos ocorreu há 24 anos: foi o da “lista dos improdutivos da USP”, publicada em fevereiro de 1988, e que provocou respostas incisivas de alguns dos mais brilhantes intelectuais do país. Na época, o jornal divulgava uma relação produzida pela reitoria. Agora, fabrica seus próprios números e expõe uma contradição essencial: se há problemas graves de metodologia, por que o ranking teria credibilidade?

LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA:

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[Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)]

FONTE DO TEXTO E DA IMAGEM:

 

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