segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Uma “Pietà” é a Foto do Ano da Imprensa Mundial

O júri internacional do 55.o Concurso Anual de Fotografia da Imprensa Mundial escolheu uma imagem clicada por Samuel Aranda, da Espanha, como a Foto do Ano. A fotografia premiada (aqui postada) mostra uma mulher amparando nos braços o filho ferido, no interior de uma mesquita convertida em hospital de campo por manifestantes contrários ao governo do presidente Ali Abdullah Saleh, durante confrontos em Sanaa, Iêmen, em 15 de outubro de 2011. Samuel Aranda estava no Iêmen em missão para o jornal New York Times. Suas imagens são veiculadas pela Corbis Images.

Foto do Ano, do repórter fotográfico espanhol Samuel Aranda.

O concurso atrai fotojornalistas e documentaristas fotográficos de todo o mundo. Neste ano, participaram 5 247 fotógrafos de 124 países, com 101 254 imagens recebidas até o encerramento das inscrições, em meados de janeiro.

Saiba mais sobre o concurso:
http://www.worldpressphoto.org/gallery/2012-world-press-photo

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Afetos, desafetos... e um adeus

Ela vinha de uma família pouco dada a manifestações afetuosas. Quando menina, sofreu — e mesmo adulta nunca superou a falta que sentia de um carinho. Foi um daqueles casos quase caricatos de carência afetiva.

O pai se atrapalhava todo ao dar um simples abraço. Por vezes, após meses sem vê-la, estendia a mão ao reencontrá-la, como para um aperto de mãos no mais formal dos encontros, apesar de estar visivelmente emocionado. Ela demorou a traduzir esses sinais desencontrados e compreender que ele a amava e não sabia como dizê-lo. O afeto paterno era evidente na atenção e no cuidado cotidiano, mas ele era tão exagerado em seu zelo que a sufocava na maioria das vezes. Não sabia demonstrar ternura e tampouco dosar qualquer gesto de preocupação, transparecendo apenas uma postura autoritária desagradável.

A mãe quase a enlouqueceu. Era seca e frívola, movida pelas aparências, preocupando-se o tempo todo com “o que os outros vão pensar”. E a pobre menina cresceu... amada pelo pai — que não sabia como mostrar tal amor — e desprezada pela mãe — que nunca conseguiu disfarçar como ela a incomodava com seus constantes apelos por afeto.

Conhecemo-nos no internato, há quase cinco décadas, e me tornei sua amiga e confidente. Dividíamos dores e doces que nossas famílias distantes mandavam. Estudávamos juntas — assim como aprendemos a fumar e a namorar. Nunca mais perdemos contato e fui a fiel depositária de suas tristes memórias. Fiquei sabendo que ela morreu na última terça-feira, em pleno Carnaval.

Minha amiga partiu em busca do afeto materno que não conheceu e do amor declarado de um pai. Foi embora da forma como viveu, em um desencontro de emoções — desta vez, ironicamente, como personagem de uma tragédia envolvendo a ela e a um carro desgovernado, com um Pierrô bêbado na direção. Minha amiga, o avesso de uma Colombina — nunca foi uma mulher sedutora e volúvel —, partiu acompanhada pelo lamento rouco de uma cuíca.

Até quando alcoolizados inconsequentes, que ofendem os Pierrôs e os Palhaços, continuarão ceifando vidas? Sonho com um Carnaval em que Colombinas e Pierrôs se encontrem, antes e depois da folia, e a vida continue, com nossa incessante busca pelo afeto.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Projeto “Color Humano”, de Daniel Casares Román

Como traduzir color humano? “Cor humana” soa como uma referência às antigas raças — branco, negro, amarelo... — e essa não me parece ser a intenção do fotógrafo Daniel Casares Román. Haverá uma tradução melhor? Talvez não em termos semânticos, mas, sob o olhar atento de Román, essa “cor” é aquela que ele capta com suas lentes ao vê-la nas múltiplas identidades de pessoas ao redor do mundo — o reflexo do calidoscópio da diversidade étnica e da miscigenação.

A imagem mais conhecida de Casares Román é justamente uma do projeto “Color Humano” que, selecionada entre cinco mil fotografias concorrentes, foi publicada na revista National Geographic: uma índia amazônica (abaixo postada).


Assista ao vídeo e acesse os links. Viaje pelas imagens de Daniel Casares Román que, para minha alegria (e maior responsabilidade sobre a qualidade de minhas postagens), é um dos seguidores deste blog.
[Perdoem-me os dois minutos de pura vaidade.]


Projeto “Color Humano”:



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Nossos grandes inventos…

Afinal, quais foram os mentores dos grandes inventos da humanidade? Se você não sabe, ou tem dúvidas, assista ao curta-metragem de animação criado pelos alunos da Animation School de Cape Town, África do Sul.

Saiba mais sobre a escola de animação no site

Wing It from The Animation School on Vimeo.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

“Teologia Moral da Manga”, por Rubem Alves

Não tenho certeza da autoria, como quase tudo que circula na internet. Sinceramente, o texto não me parece ser de Rubem Alves. Mas a história tem uma lógica meio caipira e simplista que convida a ler e sair da rotina de uma terça-feira de Carnaval. Aproveite e não deixe sobrar mangas em seu quintal.
Teologia Moral da Manga

O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num banco, estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano... Novas perspectivas... E como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunâmi... Será que vai chover?

Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo: “Qual é então o maior problema do Brasil pra ser resolvido?”. E aí o representante rural, nosso querido “Mazzaropi da modernidade” falou com um tom sério demais para aquele dia:

— O maior problema do Brasil é que sobra muita manga!

Tentei entender a teoria... Fez-se um silêncio e ele continuou:

— O senhor já viu como sobra manga hoje, caída da árvore? Já percebeu como se desperdiça manga?

— Sim... Creio que todos já percebemos isto. Onde tem pé de manga, tem sobrado manga — respondi.

E ele continuou:

— Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança, as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas pra acreditar que só sorvete e jujuba são sobremesas gostosas. E criança deve comer manga e deixar escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho, tem pai... Se tiver pai e manga de sobremesa é porque a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga, que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é porque tem passarinho que canta e espaço pra árvore crescer e pra fazer sombra... Se tiver sombra, tem um banco de madeira pro pai chegar do trabalho e descansar... Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é porque toca viola... E com certeza tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar, sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus... Quem louva a Deus, não tem medo... Nada lhe faltará, porque tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz... Não reclama da vida em fila do banco!

Daí fez-se um silêncio...
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FONTE DA IMAGEM: Foto de Claude Bloc

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“Ficha Limpa” – O desejo popular foi atendido!

A Lei da “Ficha Limpa” não fere a constituição, concluiu o Supremo Tribunal Federal (STF), que hoje também a julgou válida para ser aplicada já nas eleições deste ano.

A decisão torna inelegíveis por oito anos os políticos cassados e os condenados criminalmente por órgão colegiado, independente de o caso ter sido ou não julgado em última instância.

É o Brasil começando a dar um basta aos corruptos.
Aplausos!
Muitos aplausos!

FONTE DA IMAGEM: Desenho de Quino - Mafalda, feliz!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pensando nas próximas eleições...

 

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