sábado, 30 de junho de 2012

Reflexos da Rio+20

Selecionei oito charges que resumem, habilmente, os ecos da conferência que pretendia gerar ações que a política abortou.












terça-feira, 12 de junho de 2012

Namorando no “Meu Cantinho”

Ele abriu o envelope e encontrou um bilhete: “Estou na praça pensando em você, sentada naquele banco.”

Sorriu. Aquela letra redonda e o beijo no papel, selado pelo batom, eram marcas indeléveis de autoria dela. Somente ela sentaria naquele banco no final da tarde, ao lado da fonte luminosa, pronta para assistir o jorrar de águas coloridas na primeira ausência do sol.

O engraxate maroto, ansioso por uma gorjeta, pergunta se ele não vai mandar uma resposta.

— Claro! – respondeu. – Meu cantinho!

— O quê? – perguntou o engraxate.

— Diga “meu cantinho”. Ela entenderá.

Pelo menos uma vez na semana, na boca da noite, ela caminhava apressada para a fonte da praça. Não queria perder o melhor lugar. Tal qual criança esperando pelo recreio, ficava sentada, com os olhos acesos, ansiosa, sacudindo os pés. O sol já se fora e a qualquer momento a fonte começaria a jorrar.

Seu olhar, fixo na água, foi desviado por um vulto. Era o engraxate que voltava.

Ele disse pra falar “meu cantinho”.

Ela sorriu. Ele adorava aquele bar. Cheio de cadeiras preguiçosas, daquelas feitas de cordões grossos de náilon, uma vermelha, outra verde, algumas azuis. Ele sempre passava a mão no náilon para ver se estava firme e esticado. Sentava, jogando-se para trás com um longo suspiro e olhava, pidão, para o garçom de colarinho puído. Num piscar, recebia sua cerveja predileta (estupidamente gelada) dentro de um tubo de isopor cheio de furos, com cara de mastigado, com a borda encardida tal qual o colarinho do garçom.

Ó Zé! Faz favor! Troca esse isopor. Isso tá um nojo.

Era seu ritual de final de tarde pelo menos uma vez na semana. E ela, quanto mais o conhecia, mais gostava de fechar os olhos e vê-lo em sua rotina. Era impossível não sorrir ao imaginá-lo repetindo seus pequenos prazeres: reclamar com o garçom, tomar o primeiro gole gelado lentamente, com os olhos semicerrados por segundos, como se toda a sua energia e atenção se focassem no sabor da cerveja, até abrir um sorriso de aprovação.

Eles formavam um lindo casal. Não no sentido estético, porque nenhum dos dois era bonito. Mas era tanto amor, que rolava uma aura sobre ambos e ela os fazia, inquestionavelmente, belos!

Ela continuava na praça Antônio João, agora imóvel, com um leve sorriso aprisionado, como hipnotizada pela água colorida que jorrava da fonte luminosa em uma sequência cadenciada e previsível. O som da água, as formas e as cores lhe traziam um conforto inestimável. Era como um voo... Sua alma fazia piruetas e dava saltos (i)mortais, rodopiando, ora vermelha, ora azul.

O choro alto de uma criança a fez aterrissar: um sorvete de chocolate estava recém-estatelado na grama. Ela viu então que já eram oito horas. O tempo havia voado. Levantou-se, atravessou a praça e foi para a esquina do bar “Meu Cantinho”. A lua cheia já estava alta, quase competindo com as lâmpadas que, presas a seus soquetes, pareciam cair de um varal de fios amarrados nos cinamomos.

Ele levantou e a recebeu com os braços abertos. Deu uma fungada gostosa. Adorava aquele suave cheiro de mato que saia de seu cabelo. Abraçá-la era como se voltasse a ser criança, moleque, correndo no guaviral.

Ela adorava beber com ele. Riam. Falavam bobagens. Vez por outra brigavam. Uma discussão sobre um tema qualquer, interminável, que poderia ficar pra próxima semana. É isso! Amavam-se em moto-contínuo e discutiam aos capítulos. Tinham a capacidade de retomar a polêmica dias depois, no mesmo ponto da cervejada anterior. Mas naquela noite ela não deu gás a nenhuma fagulha desarmoniosa. Estava doce e cordata. Atenta, não bebeu demais e sugeriu prazeres para mais tarde. Ele entendeu a mensagem e pediu logo a conta. Pagou reclamando, só para incomodar o garçom.

Em casa ela acendeu velas, apagou as poucas lâmpadas, colocou um LP na vitrola e, ao som do rouco bolero melado, trancou-se no quarto. Ele, ansioso, aguardou na sala. Ela retornou, rindo marota, nua, enrolada em duas faixas de papel crepom, com um grande laço para presente amarrado sobre o seio esquerdo.

Feliz Dia dos Namorados!

Foi então que ele lembrou. Rápido e sacana, sacou o melhor de si:

Feliz Dia dos Namorados pra você também, meu amor. Não me despi pra presente porque sou seu, desde o primeiro dia em que te vi na praça, iluminada pela fonte.

Os sorrisos foram sendo apagados por longos beijos molhados. E aquela noite do Dia dos Namorados nunca mais foi esquecida.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Hoje, no MARCO, abertura de quatro mostras fotográficas



Três fotógrafos – Mercedes Barros, Marcelo Buainain e Roberto Muller – estarão no Museu de Arte Contemporânea expondo seus trabalhos a partir de hoje, até o dia 5 de agosto. Uma temporada de exposições com fotografias somente, quem diria... É o MARCO, antenado com o que há de melhor na produção artística atual.

“Desarrumando o Tempo” e “De Mercedes para Manoel” são as duas mostras de Mercedes de Barros, sobrinha do poeta Manoel de Barros. Seu site é http://www.mercedesbarros.net/

“Mi Amas Vin”, cujo significado é Eu Te Amo em esperanto, mostra o olhar de Marcelo Buainain sobre as principais manifestações de fé e devoção encontradas na cultura brasileira. Veja mais no Facebook: https://www.facebook.com/buainain

“Como uma Fotografia” apresenta o trabalho do carioca Roberto Muller: http://www.robertomuller.com.br/

Saiba mais detalhes sobre os fotógrafos e suas obras acessando o artigo de Marcio Breda:

LOCAL: Museu de Arte Contemporânea de MS – MARCO
ENDEREÇO: Rua Antônio Maria Coelho, 6000 – Parque das Nações Indígenas – Campo Grande, MS.
ABERTURA: Hoje, dia 5 de junho (terça-feira), às 19h30

HORÁRIOS DE VISITAÇÃO: Terças a sextas-feiras das 12 às 18h – Sábados, domingos e feriados das 14 às 18h
INFORMAÇÕES: (67)3326-7449 (das 12 às 18h)
ENTRADA GRATUITA

segunda-feira, 4 de junho de 2012

“E tome Jubileu” – Artigo de Ivan Lessa


A aristocracia pode nos fazer rir, já que o preço para mantê-la é outra história... Divirta-se com a crônica londrina de Ivan Lessa, publicada hoje no site da BBC-Brasil:

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O de 77, que era só de prata, eu perdi. Guardei-me todo para o deste ano, que eu me dou melhor com diamantes de que com o metal mencionado. Esperei, sentado no meio-fio, mas valeu, está valendo e valerá. Quatro dias sacudidos de pedras preciosas.

De repente, todo mundo achando que a Rainha, que é meio objeto de controvérsias, virou um doce de côco e todo mundo a adora. O que eu conhecia de jornal cinematográfico ou televisão virou realidade diante de meus olhos e bundinha cansada.

Continue lendo:

domingo, 3 de junho de 2012

“Por que envelhecemos?” – Artigo de Felipe A. P. L. Costa


Envelhecer é acumular idade. No caso de objetos inanimados, o envelhecimento se confunde com o desgaste provocado por fatores físico-químicos. Nos seres vivos, é diferente. Muitos animais, por exemplo, passam por um processo de deterioração (senescência) à medida que envelhecem. As evidências sugerem que não se trata de um processo universal e inevitável, causado por desgaste mecânico. Como e por que, então, um processo que resulta em deterioração e morte de seus portadores se estabeleceu no curso da evolução?

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Envelhecimento e morte são temas relacionados, de sorte que a pergunta do título costuma vir acompanhada de outra: por que não vivemos para sempre? Alguém poderia, de modo simples, dizer: porque ‘morremos antes’. Em termos científicos, no entanto, essa resposta é bastante insatisfatória – afinal, por que ‘morremos antes’?

Morrer precocemente é algo que com frequência acomete qualquer animal, de abelhas a bem-te-vis, de camundongos a chimpanzés. Em circunstâncias naturais, a morte – entendida aqui como o desaparecimento de um corpo individual – costuma resultar da ação de inimigos naturais (‘morte entre garras e dentes’) ou do estágio final da senescência, a deterioração que acompanha o envelhecimento (‘morte por exaustão’).

Nem todos os animais, entretanto, passam pelo processo de senescência. Assim, embora a ‘morte entre garras e dentes’ seja um risco que se corre em um mundo previamente habitado, a ‘morte por exaustão’ não é tão óbvia ou fácil de explicar. Hipóteses funcionais, como a da ação destrutiva de radicais livres, a do acúmulo de moléculas defeituosas ou a do esgotamento de potenciais genéticos, tentam explicar ‘como’ o processo de deterioração se manifesta. Não é essa a questão. Estamos interessados em examinar a senescência do ponto de vista evolutivo: como e por que um processo que leva seus portadores à morte se estabeleceu no curso da evolução? Em outras palavras, por que, em tantas espécies animais, a aptidão individual (que combina viabilidade e fecundidade) declina com a idade?

Envelhecimento e senescência

O envelhecimento pode ser definido como o acúmulo de idade. Nesse sentido, trata-se de um processo inescapável e universal: todos os objetos envelhecem. No caso de objetos inanimados, o envelhecimento (acúmulo de idade) coincide com a deterioração causada por fatores físico-químicos (desgaste mecânico ou combustão, por exemplo). Os seres vivos não estão imunes a isso, mas tais fatores não são os responsáveis pela deterioração que caracteriza a senescência. A perda de vigor durante o envelhecimento humano é bem diferente, por exemplo, do desgaste mecânico que caracteriza o envelhecimento de uma barra de ferro ou uma pedra.

Podemos definir senescência como um processo de deterioração caracterizado por um declínio na aptidão (perda de viabilidade e/ou redução na fecundidade) à medida que os seres vivos acumulam idade. O envelhecimento é universal, mas a senescência não: várias espécies parecem imunes a ela, enquanto em outras a aptidão aumenta após a maturidade. Este último fenômeno (senescência negativa) parece ser comum principalmente em organismos modulares, como plantas, algas e cnidários.

Mesmo entre os seres vivos com senescência, as características do fenômeno variam muito, incluindo diferenças na longevidade, na idade em que o processo começa e na velocidade com que avança. Em cavalos, por exemplo, cuja longevidade é de algumas décadas, a fase senescente tem início tardiamente: corresponde a menos de um décimo do tempo de vida. Em pavões, que vivem menos de uma década, a fase tem início antes: corresponde a mais de um quinto do tempo de vida.

Tais diferenças são observadas não apenas em animais mantidos em cativeiro, mas também em populações naturais. O curioso é que estudos de campo mostram que, em populações de animais longevos, uma parcela significativa do total de mortes se dá nas faixas etárias mais avançadas. E mais: parte expressiva dessas mortes se deve a fatores internos (‘morte por exaustão’) e não externos (‘morte entre garras e dentes’), sugerindo que a longevidade individual já estaria próxima do limite máximo, ao menos em certos casos. A pergunta, então, é: por que indivíduos que escaparam da ‘morte entre garras e dentes’ ainda assim sucumbem à ‘morte por exaustão’? Por que não vivem para sempre? Em resumo, por que a senescência evoluiu?
[...]

FONTE: Costa, F. A. P. L. 2012. Por que envelhecemos? Ciência Hoje 293: 72-74.

sábado, 2 de junho de 2012

O que inspira o Goldem...


Ele é meu mais novo amigo, daqueles que tenho o prazer de conhecer (e fazer) na livraria “Canto das Letras”. Começamos a conversar e foi difícil parar. Fotógrafo dos bons e amante de livros, blues, jazz e rock... nem precisa explicar muito mais.

Só pra finalizar, dê uma olhada e escute “o que inspira o Goldem”:

Basta dizer que é Dave Brubeck Quartet tocando "Take Five" e já sabem que é um clássico do jazz. Não cansa. Inspira a querer estar com os amigos, tomar uísque com gelo e papear a noite inteira.
Dave Brubeck: piano
Paul Desmond: saxofone alto
Eugene Wright: baixo
Joe Morello: bateria

O site dele: http://goldemfotos.com.br/home

E o endereço do tumblr “O que inspira o Goldem”:

O Pantanal e o Cerrado... ajudando a alfabetizar




Material didático elaborado cuidadosamente pelo Prof. Paulo Robson de Souza, da UFMS, dirigido especialmente a crianças e adultos em processo de alfabetização. Os livros e fichários, além de explorar o significado de palavras familiares às comunidades locais, apresentam centenas de curiosidades da fauna, da flora, da história e da geografia dessas regiões. Em cada livro, 130 termos abordados sob diferentes níveis de informação, referências e conteúdos científicos interagem com poemas e fotos em um inspirador convite ao conhecimento. Todo o material foi impresso pela Editora da UFMS.

DATA DO LANÇAMENTO: dia 5 de junho (terça-feira), às 10 horas.
LOCAL: Feira Agroecológica da UFMS, no corredor central do setor bancário.
ENDEREÇO: Cidade Universitária – UFMS - Campo Grande, MS.

Que coisa boa!
Todo o material foi elaborado no Projeto de Extensão “Valorização da produção de alimentos de origem vegetal para o desenvolvimento de três comunidades do Pantanal e Cerrado”.
E a data do lançamento coincidiu com o Dia Mundial do Meio Ambiente...
Nada é por mero acaso!
Parabéns ao Paulo Robson e seus colegas de projeto.

Alfabetizadores: bom trabalho!

 

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