sábado, 29 de setembro de 2012

“Paraíso dos agrotóxicos”, artigo de Henrique Kugler


A realidade e as perspectivas são assustadoras. No artigo de capa da revista Ciência Hoje deste mês, Henrique Kugler revela que “o Brasil é a lixeira tóxica do planeta. Desde 2008, somos os maiores consumidores globais de insumos químicos para agricultura. Substâncias já proibidas em vários países encontram mercado fértil em terras brasileiras”.

Uma denúncia providencial, no mês de aniversário de 50 anos do lançamento do livro Primavera Silenciosa de Rachel Carson (1907-1964).

Para ler o artigo da Ciência Hoje:


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Perder um filho


Dores, pesares. Como é irremediavelmente triste perder um filho em gestação... Seis meses de vida pulsando e, de um momento para outro, a luz definha e o coração é duramente golpeado.

Não há justificativa médica que console. Ao contrário, surgem novas dores, mais profundas. “A culpa é minha?”. Mas existem culpados nessa perda? Como saber as razões e os tantos porquês? “Por que agora? Por que comigo?” E a vida perde sentido, dilacerada.

A essa família querida só posso dedicar meu pesar e meu pranto solidário. Ofereço também minha dor, em ínfima dose perante a sua. Quem sabe nossas dores tenham poderes cicatrizantes, lentos mas eficazes, como aqueles que a flor usa para conseguir virar semente.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Caricatura, cartum, charge... “Qual é a graça? Um manifesto”, por Alberto Dines


Sou fã de carteirinha do texto leve e inteligente de Alberto Dines. Hoje, no Observatório da Imprensa, ele faz um manifesto sobre a crítica visceral do bom humor — “O riso é libertário. Impossível suprimi-lo, sufocá-lo.” — e as charges anti-islâmicas do semanário satírico francês Charlie Hebdo. Um artigo irretocável. Aproveite:


DO VANDALISMO AO VAUDEVILLE
Qual é a graça? Um manifesto

Por Alberto Dines em 25/setembro/2012, na edição 713 do OIObservatório da Imprensa

O homem é o único animal que ri e este particularismo faz do humor um tema da maior seriedade. Socrátes, São Tomás de Aquino, Immanuel Kant debruçaram-se sobre as diferentes formas de humor, mas Sigmund Freud parece ter encontrado a melhor interpretação – ou, pelo menos, a mais política – ao constatar que o riso é resultado da remoção de uma censura interna. Alívio.

O riso é libertário. Impossível suprimi-lo, sufocá-lo. Graças ao riso o rei infalível aparece nu, inexpugnáveis muralhas mostram-se feitas de barro e vilões mal-encarados ficam ridículos sentados na privada. Comédias derrubaram déspotas ainda no império romano, sátiras desarmaram a ignorância da Inquisição portuguesa, os pequenos pasquins do Renascimento sugeriram piadas que de outra forma não poderiam ser engendradas.

Contra a ignorância

Caricatura vem do italiano caricare, carregar, exagerar, buscar o grotesco; charge vem do francês, charger, forçar; cartum vem do inglês, cartoon, cartão, onde se fazem desenhos humorísticos. O Ocidente fez do riso uma arma a um tempo destruidora e enriquecedora, agressiva e benfazeja, ponte e ruptura.

De qualquer forma, a caricatura é essencialmente jornalística, como escreveu Henry James, porque é “a crítica do momento no exato momento”. O que nos leva a concluir que as charges anti-islâmicas do semanário satírico francês Charlie Hebdo não são engraçadas porque se mostraram flagrantemente oportunistas, extemporâneas, obrigatórias.

Se o paroxismo produzido pelo clipe anti-Maomé escancarou a distância do mundo islâmico da noção elementar de liberdade de expressão, o sensacionalismo do Charlie Hebdo mostra como a “imprensa livre” tripudia sobre as regras de convivência democrática. Se o mau humor não consegue produzir bom humor, algo desandou – no traço, na letra ou no espírito do gozador.

Inexiste um conflito entre as civilizações quando o Oriente deixa-se levar pelo delírio e o Ocidente pelo vaudeville.

Caricaturistas, uni-vos contra a simploriedade. Abaixo a repetição, vamos gozar os chargistas sem inspiração.

FONTE DO TEXTO:

FONTE DA IMAGEM: Edição 713 – 




segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sayaka Ganz e seus cavalos


Ela não esculpe, no sentido literal da palavra, e as peças que formam suas “esculturas” estão nas casas de todos nós. Com certeza já jogamos fora várias delas alguma vez. Sayaka Ganz cria animais moldando restos de cabides, tampas de potes, escumadeiras, escorredores de macarrão, cordas de varal e muitos outros objetos de plástico caseiros descartados. Mas, ao observá-los, o que salta aos olhos é a unidade, o equilíbrio, o movimento. Seus cavalos parecem seres mágicos que rompem as paredes a galope:













Sobre sua filosofia de trabalho, a artista comenta:

Acredito que seja muito difícil prever o futuro em termos de nossa pegada ecológica. Nossas previsões costumam ser tão equivocadas, e não há garantias para o futuro de ninguém. Não quero condenar o uso do plástico ou nosso desejo de uma vida mais cômoda e fácil. Acredito que a melhor maneira para os artistas ajudarem a reduzir o lixo é mostrar como esses materiais podem ser belos e o que pode ser feito com esses objetos e materiais do dia a dia. Quando pensamos nessas coisas como belas, damos-lhes valor. Se valorizarmos nossos recursos, desperdiçaremos menos.
Sayaka Ganz.

Saiba mais sobre ela e sua obra: www.sayakaganz.com


sábado, 22 de setembro de 2012

“Primavera Silenciosa”: 50 anos de um livro que fez muito barulho!


Quem diria... Tudo o que hoje conhecemos como política ambiental — cujo foco principal é o cuidado com os diferentes tipos de degradação e poluição ambiental que podem comprometer a qualidade de vida da população —, possivelmente não existiria se não fosse por um livro. E que livro! Ele contém citações e mais citações dos resultados de trabalhos científicos realizados até o início de 1960, mostrando os efeitos devastadores do DDT e de outros pesticidas sobre os pássaros e outros animais. E aí está a explicação do título da obra, Primavera Silenciosa (Silent Spring, no original): os pássaros, ao se alimentarem de insetos envenenados, morriam também e assim, em plena primavera, estação de acasalamento e reprodução, eles não mais cantariam.

O livro foi publicado nos Estados Unidos, após quatro anos de estudos por Rachel Carson (1907-1964), uma bióloga marinha que tinha a habilidade de escrever de forma clara e acessível ao público leigo (uma raridade entre cientistas até hoje). Ela também escreveu artigos de destaque e romances focalizando a história natural e o meio ambiente, incluindo uma premiada trilogia — Under the Seawind (Sob o vento marítimo), The Sea Around Us (O mar à nossa volta) e The Ends of the Sea (Os confins do mar) — que apresenta a vida marinha em linguagem acessível, em forma de história.

Com a publicação de Primavera Silenciosa, Rachel Carson foi execrada pelos poderosos da indústria química, sendo chamada de louca e coisas piores. No entanto, graças às denúncias de seu livro, ocorreram mudanças políticas e de conduta em testes químicos de produtos. Hoje, com o devido reconhecimento, ela está na lista da revista Time como uma das personalidades mais influentes do século 20, e seu polêmico livro é reeditado e traduzido mundo afora. No Brasil, a editora Gaia o relançou em 2010:


Sobre Rachel Carson, as consequências de seu trabalho, e muito mais, Flávio de Carvalho Serpa escreveu um detalhado artigo (publicado no site Planeta Sustentável, em 6 de setembro de 2012), que transcrevo a seguir.

Para mais informações, veja também http://www.rachelcarson.org/

Primavera Silenciosa

Como a bióloga marinha Rachel Carson despertou a consciência ambiental planetária

Flávio de Carvalho Serpa

Quando a bióloga marinha Rachel Carson lançou seu histórico livro, Primavera Silenciosa, em setembro de 1962, qualquer indústria química de inseticidas e outros derivados sintéticos podia lançar no meio ambiente o que bem entendesse, sem testes cientificamente projetados. No fundo, praticamente bastava que essas substâncias sintetizadas não matassem o químico responsável. Aliás, nem existia nos EUA a agência de proteção ambiental, a EPA.

Ao completar o cinquentenário, neste mês de setembro, Primavera Silenciosa já é um clássico do movimento de defesa do meio ambiente, e influenciou decisivamente várias gerações de cientistas e militantes. Al Gore, o ex-vice-presidente dos EUA e criador do documentário Uma verdade inconveniente, tinha em sua sala na Casa Branca somente um quadro de personalidade pendurado na parede: era uma foto de Rachel Carlson. Gore escreveu no prefácio da edição comemorativa de Primavera Silenciosa de 1992 o seguinte: “Para mim, Primavera Silenciosa teve um profundo impacto... realmente, Rachel Carlson foi uma das razões pelas quais me tornei consciente do meio ambiente e me envolvi com os assuntos ambientais. Carlson me influenciou mais do que qualquer pessoa, e talvez até mesmo mais do que todas elas juntas”. Em 2007, o documentário de Gore levou ao mesmo tempo o Oscar da Academia de Cinema americana com o melhor documentário e, em seguida, arrebatou também o Nobel da Paz. Uma dívida histórica paga a Rachel.

Lamentavelmente ela não pôde assistir o triunfo de sua empreitada, que catalisou a militância ecológica em todo planeta. Rachel morreu prematuramente de câncer, aos 56 anos, em 1964, dois anos depois de completar sua principal obra. Não pôde se orgulhar também das honrarias póstumas. A Escola de Jornalismo de Nova York considerou Primavera Silenciosa uma das melhores reportagens investigativas do século XX. E o jornal inglês The Guardian a colocou no primeiro lugar entre as cem pessoas que mais contribuíram para a defesa do meio ambiente em todos os tempos.

Pouco conhecida na atual geração de militantes ecológicos no Brasil, Rachel é uma celebridade mundial.

Embora tenha sido uma bióloga marinha, o grande feito de Rachel foi traduzir toda a literatura científica disponível à época numa brilhante obra literária de denúncia e divulgação científica. O livro tem nada menos de 57 das suas 328 páginas só de bibliografia de papers consultados. Isolados ou perdidos nas bibliotecas universitárias esses preciosos estudos e pesquisas só acumulavam poeira. Foi o gênio literário de Rachel que juntou toda essa munição científica pela primeira vez, tornando-a acessiva ao grande público leigo, e disparando os primeiros e ruidosos salvos na guerra dos ecólogos contra a toda poderosa indústria química da época.

Era uma guerra desigual, naturalmente. Uma jovem tímida, recatada, contra o poder arrogante dos acadêmicos, deslumbrados com a revolução da química orgânica. O porta-voz da associação das indústrias químicas dos EUA, Robert White-Stevens, não deixou por menos após a publicação da obra: “Os mais importantes argumentos da senhora Rachel Carson são grossas distorções da verdade, completamente sem suporte científico, evidência experimental e práticas gerais de trabalho de campo. A sugestão dela de que os pesticidas são de fato biocidas destruindo toda vida é obviamente absurda... Se alguém seguir os ensinamentos de senhora Carlson, vamos voltar à Idade Média, e os insetos, doenças e vermes voltariam a herdar a Terra”.

A verdade histórica é que os testes conduzidos pelos fabricantes de pesticidas eram extremamente precários. O erro fundamental é que se testava o efeito sobre algum tipo de inseto ou erva daninha, isoladamente em laboratório. Mas na natureza e no mundo exterior aos assépticos laboratórios existe uma cadeia ecológica. Se os insetos morrem, os pássaros que se alimentam dele também desaparecem. Se as minhocas que rastejam nos campos bombardeados por pulverização aérea são contaminadas, os animais maiores que se alimentam dela também são intoxicados. E assim a cadeia de contaminação acaba atingindo até o topo humano da pirâmide.

E uma vez desequilibrada a cadeia de presas e predadores, a volta à normalidade pode ser demorada, na melhor das hipóteses. Eventualmente todo o nicho ecológico desmorona em longo prazo. A indústria química, inebriada pelo sucesso dos novos compostos e substâncias que permitiam domar desde as dores de cabeça até doenças consideradas incuráveis décadas antes, agiu de maneira arrogante e irresponsável tentando torpedear a carreira e reputação de Rachel. Mas ela acabou vencendo a briga. O DDT e outros inseticidas foram finalmente banidos depois de investigações mais rigorosas. E a indústria química teve de rebatizar os pesticidas como “defensivos agrícolas”.

O presidente John Kennedy ficou tão impressionado com o livro que mandou abrir investigações federais, seguidas por audiências no senado americano. A EPA, a agência ambiental americana, surgiria somente em 1972, graças, justamente às denúncias eloquentes de Rachel.

Atualmente, Primavera Silenciosa é leitura obrigatória em muitas escolas americanas tanto pela importância literária quanto ao fato de ter sido um marco no enfrentamento da poderosa e arrogante indústria química. Mas os alunos são advertidos para levar em conta que alguns dados são, hoje, considerados errados. Pela falta de conhecimento da natureza do câncer na época, todo um capítulo do livro desmoronou. Nada se sabia sobre a natureza endógena ou hereditária do câncer, e Rachel diagnosticou a doença como causada pelos pesticidas mutagênicos.

Além disso, o banimento imediato do uso do DDT, em vez da regulamentação da sua aplicação, causou surtos de epidemias de doenças causadas por mosquitos nos países pobres, especialmente a malária, com milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas com a pulverização seletiva. Mas isso não afeta o valor histórico de Rachel Carson.

Essa obra de divulgação científica acessível ao público em geral fez o que centenas de papers acadêmicos, em linguagem empolada e cheias de jargão, não conseguiram antes. E literariamente a imagem que ela deu, à luz de uma primavera silenciosa, tem um poderoso e tocante poder até hoje. O silêncio dissonante de uma primavera que se inicia toca fundo na imaginação: sem cantorias e revoadas de pássaros, sem as toadas de grilos e outros insetos benéficos, sem peixes nos córregos – quase uma paz de cemitério, profundamente melancólica.

Outro papel importante da obra de Rachel foi a divulgação da teoria evolucionista de Charles Darwin, especialmente numa América conservadora e religiosa. Primavera Silenciosa é uma coletânea viva de extraordinários exemplos da evolução darwiniana em ação. Não com exemplos de casos remotos dos pássaros e tartarugas da ilha Galápagos, visitada por Darwin quando ele teve a inspiração de montar sua teoria.

No livro de Rachel os exemplos de ação evolutiva saltam do meio ambiente onde as pessoas vivem. Elas estão assistindo com seus próprios olhos nos fundos de quintais de sua casa o desaparecimento de pássaros e a proliferação de pestes nas árvores dos bosques logo em seguida às pulverizações de inseticidas em larga escala. Elas podem perceber no dia a dia o desequilíbrio do meio ambiente. Percebem que a eliminação de um inseto ou erva considerada daninhos causa uma proliferação de outros insetos ou pragas que eram mantidas sobre controle natural, na luta entre presas e predadores. É a teoria da evolução em ação, em tempo real, debaixo dos olhos de quem contempla a paisagem silenciosa e ainda se lembra da exuberância da primavera passada.

Rachel na verdade não era a favor do banimento dos inseticidas químicos, e escreve isso várias vezes no seu livro. O que ela denunciava era o uso descontrolado e abusivo nas pulverizações aéreas que atingiam todo meio ambiente ao redor das pragas inimigas. O barateamento dos aviões de pulverizações, depois do boom aeronáutico da Segunda Guerra, inspirou governos e fazendeiros a combater as pragas com a força bruta dos bombardeios. Se a América derrotou a máquina de guerra do nazismo e dos japoneses, porque não iria derrotar formigas e outras pragas da lavoura?

Rachel defendia o uso em pequena escala, de forma seletiva, apenas em focos limitados.

Ela arrolou dezenas de outros métodos não químicos que poderiam ter sido usados como o emprego dos inimigos naturais dos insetos daninhos. Dezenas de exemplos de controle natural de pragas já estavam consolidados na literatura científica. Com custos insignificantes e duradouros — as pulverizações tinham de ser repetidas várias vezes e em muitos casos só fizeram selecionar variedades de insetos resistentes ao DDT e mais prolíficos ainda.

Mas toda essa bem-sucedida experiência anterior ficou fora de moda com o surgimento e proliferação das soluções químicas, embaladas pelo sucesso em várias áreas, como nas novas medicações e na enorme variedade de plásticos orgânicos que mudaram a face da sociedade em todo mundo. A partir de 1960 os grandes fabricantes de produtos químicos drenaram das universidades quase todos os entomólogos que executavam controle biológico de insetos. Dados da época relatados por Rachel mostram que 98% dos entomólogos estavam contratados por empresas químicas e somente os 2% restantes ainda mantinham as velhas e eficientes práticas de controle biológico. Foi um terrível retrocesso.

Escreve ela: “As maiores indústrias químicas estão despejando dinheiro nas universidades para financiar pesquisas sobre inseticidas. Isso cria bolsas atraentes para os estudantes de pós-graduação e cargos cobiçados nas universidades. Os estudos relativos ao controle biológico, por outro lado, nunca recebem esses incentivos — pela simples razão que não prometem a ninguém as fortunas que podem ser ganhas na indústria química. São deixados a cargo dos órgãos estaduais e federais, em que os salários são bastante inferiores”.

Embora essa situação tenha mudado bastante, com a reativação do trabalho de cientistas dedicados aos métodos naturais de controle, a batalha de Rachel está longe de ser vencida, como testemunha o posfácio da edição comemorativa de Primavera Silenciosa. Edward O. Wilson, o renomado entomólogo, escreve nas linhas finais: “Ainda estamos envenenando o ar e a água, corroendo a biosfera. Hoje entendemos melhor do que nunca porque precisamos insistir até o fim no esforço para salvar o meio ambiente, em conformidade com a mente e o espírito da corajosa autora de Primavera Silenciosa”.

Na verdade, as frentes de combate pela defesa do meio ambiente e a qualidade da vida humana se ampliaram espetacularmente com ameaças que Rachel nem imaginava. O uso de água reciclada no abastecimento, por exemplo. A quantidade de drogas de todos os tipos, de antidepressivos até hormônios sintéticos presentes vem crescendo nos peixes, e ainda não se sabe ao certo o efeito que essas medicações residuais podem causar no metabolismo humano. Nem existiam no tempo dela algumas substâncias de uso industrial, como o PCB (bifenil policlorado) que entravam como componentes em plásticos especiais, materiais de isolamento em equipamentos elétricos como transformadores de força. Ficou provado que o PCB interfere no sistema endócrino humano, o que levou à sua proibição em 1979. Mas os resíduos dessa substância ainda estão presentes na natureza e são difíceis de serem eliminados. Outra, o ftalato, usado para amolecer plásticos em brinquedos e chupetas para bebês, está em quarentena em vários países, suspeito de provocar obesidade em crianças.

Portanto, a comemoração do cinquentenário de Primavera Silenciosa ainda está longe de tê-lo tornado num marco de vitória. Está mais para ganhar seu lugar como uma bandeira de advertência permanente de que sem vigilância tudo que pode dar errado vai acabar dando.

Flávio de Carvalho Serpa, em 6/setembro/2012.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Antes da primavera, uma assembleia de plantas



Agora é oficial: a primavera chega amanhã, sábado, dia 22 de setembro, às 10h49 — horário de Mato Grosso do Sul. E, depois de tantos dias quentes e secos, a chuva caiu copiosamente, lavando e limpando ruas, praças, jardins e quintais, como quem prepara a cidade para uma grande festa.

Lá em casa nem deu tempo pra esperar até amanhã. Minhas plantas, que por vezes não dão muita atenção ao calendário, esverdearam fortemente e floresceram às pressas, como quem não aguentava mais tanta tensão e espera. Elas me confessaram que foi culpa da chuva. A água foi tão fresca e abundante que, durante a noite, em uma assembleia extraordinária, decidiram por unanimidade relaxar o controle dos irrequietos e ousados botões e deixarem-se florescer. “Uma florada, duas ou pouco mais”, disseram-me a boca pequena, “até a primavera tomar conta de tudo”.

Eu não me incomodei com a florada fora de época. Ao contrário, gostei! E ri muito (disfarçadamente, é claro) das preocupações da Sra. Íris ao me contar as propostas “revolucionárias” de suas flores que querem durar mais que um dia. Tentei tranquilizá-la: “Hoje existem muitas plantas geneticamente modificadas. Durar mais de um dia vai acontecer a qualquer momento”. Mas ela não se conformou e até me fez um pedido: “Quando essa nova geração chegar, por favor, acomode-a em um canteiro distante do meu”. Fiquei sem saber como reagir, evitando magoar Dona Íris. Mas criei coragem: “Até posso plantá-las em outro canteiro, mas vai ser impossível controlá-las”. E, diante de suas folhas alarmadas, acrescentei: “Certas mudanças são como o pólen: estão no ar!”.

No final do dia, enquanto as íris esmaecidas se preparavam para sementes, com a languidez de quem já cumpriu seus êxtases, duas delas ainda mantinham o viço, com caras pintadas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

COMUNICAÇÃO É TUDO: “Cale-se, por favor...”


Um cinema de Londres inovou com uma solução bem-humorada para silenciar aquelas pessoas que costumam conversar ou até mesmo telefonar durante o filme. E quem estiver fazendo cara de surpresa, que saiba: incomoda! Conversar ou ficar atendendo o celular com cara de obstetra encaminhando a parturiente, estraga o cinema dos outros! (E como tem “obstetra sem fio” nos cinemas de Campo Grande, MS... Uns dois ou três em cada sessão.)

Pois bem: para esses tipos espaçosos, o cinema londrino criou uma solução perfeita. Ah, se a moda pega!


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pianista André Matos Moreira

Você vai fazer questão de vê-lo e ouvi-lo mais, muito mais...
Não perca a oportunidade!

Concerto para piano com André Matos Moreira
Dia: 27 de outubro (sábado)
Horário: 19h
Local: Teatro Municipal de Dourados
Ingresso: R$ 20,00
A renda será revertida para o Natal das crianças abrigadas que aguardam adoção.

Os ingressos estão à venda:
Update – 3422-0300
Livraria Canto das Letras – 3427-0203

Se você não conhece o pianista, leia também:


terça-feira, 18 de setembro de 2012

“Feminista? Eu? Claro que sim!”, crônica de Marta Barcellos



Em época de campanha para prefeitos e julgamento do mensalão, se posicionar politicamente se tornou tão natural nestes dias quanto comentar a novela das nove. Mesmo aqueles que dizem desprezar a política são capazes de engrenar uma conversa fiada sobre o seu provável voto, o candidato menos pior, talvez o melhor, ou comentar a votação no Supremo Tribunal Federal. Por que então, em meio ao saudável debate sobre o noticiário, sinto que minha frase gera algum desconforto?

... é por essas e outras que sou feminista.

As mulheres não me endossam, como seria de esperar. Os homens parecem tentar imaginar a que tipo de feminismo eu me refiro. É curioso notar que, dependendo da roda, um homem se declarar feminista parece mais apropriado do que uma mulher.

Mas vamos ao contexto. O "essas e outras" que motivou a ratificação da minha condição feminista foi uma daquelas notícias que de tempos em tempos refletem a precariedade da situação da mulher no mundo. Não, a história em questão não dizia respeito a uma vítima de chibatadas em plena primavera árabe, mas se referia às estúpidas declarações de um deputado republicano. Todd Akin afirmou que casos de gravidez depois de estupros são muito raros, porque as mulheres teriam defesas biológicas para evitar a gravidez quando se trata de um "estupro legítimo" (legitimate rape, em inglês).

Não é para sair empunhando a bandeira do feminismo, se houvesse uma à mão? Pode ser que o termo feminista tenha ficado um tanto institucionalizado, como se pressupusesse a ligação com algum movimento formal, ou então que tenha simplesmente envelhecido - daí o preconceito. Mas não tem jeito: as mulheres ainda são vítimas de muitas desigualdades, não por culpa de nossos bem intencionados colegas de trabalho, namorados ou maridos - que se dizem sinceramente feministas na mesa do bar -, mas de uma condição histórica e cultural. Se simplesmente ligarmos o "automático", se deixarmos que nossas opiniões e atitudes se influenciem por um suposto "bom senso" relacionado à convivência em sociedade, corremos o sério risco de endossar ingenuamente desigualdades que serviram a séculos de dominação.

Assim como os direitos da criança precisam ser defendidos - a relação de poder dos adultos (inclusive dos maus pais) sobre elas é óbvia -, também é preciso ficar atento aos direitos da mulher, em função dessa dominação histórica. Não é difícil achar mulheres que trabalham, se sustentam, se julgam bem informadas e sensatas e no entanto aceitam injustiças e violências relacionadas à condição feminina. Não conheço, é verdade, nenhuma capaz de desconfiar da "legitimidade" de um estupro porque a vítima engravidou - isso parece mesmo o auge da ignorância. Mas não é difícil encontrar quem, diante da constatação de que uma mulher foi atacada, critique a roupa que ela usava. "Também, né, com aquela minissaia..."

Por isso, além de defender "o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade" (feminismo segundo o Houaiss), eu também apoio iniciativas como a recente "Marcha das vadias". Do ponto de vista de estratégia política, nem sei se o termo "vadia" é o melhor para angariar simpatias mais conservadoras, mas talvez somente o choque sacoleje mentes e dissolva os últimos resquícios da cultura machista entranhada em todos nós.

Pois a mulher tem todo o direito de ser uma "vadia", ou seja lá o que se entenda por isso em atitudes e vestimentas. Pode ser mesmo uma prostituta. Nada disso a torna culpada de sofrer um estupro. E ponto. Esse é o espírito do movimento que surgiu no Canadá, e se espalhou em passeatas pelo mundo, depois que um policial de Toronto pediu que as mulheres não se vestissem como vadias para não serem estupradas.

Talvez estejamos precisando de imagens assim - jovens seminuas exigindo respeito pelas ruas -, semelhantes às dos movimentos de contracultura dos anos 1960, para fazer frente às cruzadas moralistas que espocam pelo mundo. Como se não bastasse os absurdos "científicos" pregados pelos líderes do Tea Party americano, da Rússia e dos países árabes também chegam notícias de retrocessos. Parece que os políticos, na falta de ideologias ou saídas econômicas para a crise global, decidiram defender "a família". Caramba, qual "família"? Vamos combinar assim: se você vir algum candidato, nessas eleições de outubro, defender os "valores da família", saia correndo e vote em seu adversário!

A tal família, à moda antiga, não era boa coisa para a mulher. Ainda hoje, não precisamos ir muito longe (talvez exista um exemplo bem a seu lado) para encontrar algum tipo de violência doméstica tolerada em nome do "bem estar da família". Mulheres humilhadas, mulheres que se submetem, mulheres que acham que é assim mesmo. Pegue as estatísticas - qualquer uma, incluindo as brasileiras - para verificar que as mulheres ainda têm remuneração bem menor que a dos homens, exercendo as mesmas funções.

No seu ambiente de trabalho e na sua casa não é assim? Ao contrário, as mulheres estão dominando? Que ótimo. Tomara que um dia essas exceções se tornem regra, e não precisemos mais ficar tão vigilantes. Enquanto isso, mantenha-se desconfiado, inclusive quando alguém repetir algo do "senso comum", como "feministas eram aquelas mulheres que queimavam sutiãs".

Marta Barcellos
Rio de Janeiro, 14/9/2012


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sayaka Ganz e suas esculturas – No ar, no mar e na terra...


Ela nasceu em Yokohama, Japão e viveu também no Brasil e em Hong Kong. Hoje, Sayaka Ganz leciona design e desenho na Indiana University–Purdue University Fort Wayne (IPFW), nos Estados Unidos, onde reside.

A artista plástica e uma de suas obras.

Utilizando objetos de plástico caseiros descartados, suas recentes esculturas mostram animais em movimento, com energia e cores exuberantes. Entre suas últimas exposições estão “Objects and Spirits” – mostra individual na Robert E. Wilson Gallery, Huntington University, Huntington, Indiana, e “Convergence” – uma individual na Visual Arts Gallery, Indiana University – Purdue University Fort Wayne.

Nadando livremente...

Sua escultura “Ambush” [Emboscada] está agora em uma mostra permanente na ala educacional do Fort Wayne Museum of Art. Atendendo a pedidos de diferentes instituições, ela recentemente concluiu a encomenda de uma série de quatro esculturas da vida marinha para o Monterey Bay Aquarium, na Califórnia. Seus trabalhos estão em coleções e mostras no Reino Unido (Londres e Ilha de Man), Japão (Tóquio e Takaoka) e Estados Unidos (Nova York, San Francisco, Monterey, Toledo e Fort Wayne).

Escultura “Ambush” (Emboscada).

Saindo do mar...
   
Saiba mais sobre a artista plástica e sua obra:






domingo, 16 de setembro de 2012

Hoje, no IV FIT, uma mostra do teatro chileno: “El Olivo”



O grupo chileno Niño Proletário apresenta hoje, no IV FIT, a peça teatral EL OLIVO: Um grupo de homens e mulheres busca refúgio para suas próprias vidas e, em uma pequena cidade no sul do Chile, eles se encontram em um bar...

Uma peça recomendada por Emmanuel Marinho e Margarida Gomes Marques!

EL OLIVO
Horário: 20h
Local: Teatro Municipal de Dourados/MS (Parque dos Ipês)
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: R$12,00 (inteira) | R$ 6,00 (meia)

sábado, 15 de setembro de 2012

O tatu-bola na Copa 2014. E daí?



Depois de 64 anos, o Brasil volta a ser palco do maior espetáculo esportivo do planeta — a Copa do Mundo de Futebol — e qualquer mascote que seja escolhido para o evento deve mostrar a ‘cara’ do Brasil e a ‘cara’ do nosso futebol. A Associação Caatinga, instituição que defende a valorização e a proteção da nossa biodiversidade, tem como proposta de mascote um animal muito especial e peculiar que só existe aqui no Brasil: o tatu-bola (‘Tolypeutes tricinctus’), assim chamado devido à habilidade de curvar-se sobre si mesmo para se proteger quando ameaçado, ficando no formato de uma bola. De hábito noturno, alimenta-se de formigas, cupins, aranhas e frutas. É o tatu mais ameaçado do Brasil e a sua caça já o fez desaparecer de muitos estados. Uma espécie só nossa, de comportamento tão peculiar, que poderia abrilhantar a Copa, mostrando ao mundo a nossa rica natureza e o nosso compromisso com a biodiversidade, além de sensibilizar o povo brasileiro para a defesa e a proteção da nossa natureza. Esse gracioso animal tem no nome a principal protagonista do futebol: a bola. Mascote perfeito para a nossa Copa.

Com essa justificativa, a ONG Associação Caatinga fez uma forte campanha pelo tatu-bola como mascote da Copa. E obteve sucesso! No último dia 11 de setembro ele foi registrado, no Instituto de Marcas e Patentes da Suíça (país em que a FIFA está sediada), como a mascote da Copa do Mundo de 2014.

Os demais candidatos eram o saci, a onça, o jacaré e o Pelezinho. Confesso que torcia para o saci. Gostava da proposta de seus defensores, a irreverente Sociedade dos Observadores de Saci — www.sosaci.org — e seus especialistas no assunto, os “saciólogos”.

Agora, ao reler que a mascote eleita tem a habilidade de curvar-se sobre si mesma para se proteger, ficando no formato de uma bola, todas as minhas restrições foram água abaixo. Percebi que o tatu-bola revela uma nuance interessante do espírito nacional: se estamos correndo perigo, nos protegemos da melhor forma possível. Não só relaxamos ao jogar futebol, mas nos transformamos na própria bola. Uma fantástica capacidade de disfarce. (Que me perdoem os sociólogos, os psicólogos e outros “ólogos”, mas vou abusar da imagem.)

Como brasileira, não faço parte da torcida de uma Copa; faço parte do time. Entro em catarse. Sou a trave que impede o gol adversário. Sou o suor do artilheiro. Sou a chuteira, sou a bola!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

IV FIT Dourados começa amanhã com o espetáculo “Limpe todo o sangue...”



IV FIT – Festival Internacional de Teatro – Dourados

No período de 13 a 23 de setembro, com oficinas, espetáculos e workshops, Dourados vai respirar ares renovados com o IV FIT. Que coisa boa! Fique por dentro de tudo o que vai rolar acessando o site do festival: http://fit.xpn.com.br/

Limpe todo o sangue antes que manche o carpete – A peça de Jô Bilac, encenada pela Cia. dos Inquietos, abre o IV FIT mostrando uma instigante visão sobre a busca do sucesso. Nela, Wilson disputa com Pierre uma única vaga em uma grande empresa. Ao conhecer seu concorrente, passa a forjar situações e encontros inexplicáveis, seguidos de reações das mais inesperadas. Enquanto isso, Sabrina, sua noiva, convence Geda, amiga de trabalho, a ajudá-la num plano abominável, porém lucrativo. Todos estão em busca de uma coisa somente: o sucesso a qualquer preço   doa a quem doer, custe o que custar.

Ficha Técnica
Texto: Jô Bilac
Direção: Eric Lenate
Elenco: Ed Moraes, Luna Martinelli, Mariah Teixeira e Daniel Tavares
Cenário e sonoplastia: Eric Lenate
Figurinos: David Schumaker
Iluminação: Karine Spuri
Fotografia: Gustavo Porto
Arte: Herbert Bianchi e Eric Lenate
Direção de Produção: Ed Moraes

LIMPE TODO O SANGUE ANTES QUE MANCHE O CARPETE
Data: Dia 13 de setembro (quinta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Municipal de Dourados/MS (Parque dos Ipês)
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: R$12,00 (inteira) – R$ 6,00 (meia)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

“Ranking Universitário da Folha de S. Paulo”, por Sylvia D. Moretzsohn


Saiu hoje no Observatório da Imprensa o artigo “Sobre universidade, campeonatos e reportagem”, colocando mais um facho de luz (ufa!) sobre o confuso RUF (Ranking Universitário da Folha). Clipei um trecho, imperdível:

Sobre universidades, campeonatos e reportagem
Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 11/09/2012 na edição 711 do OI - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

O caderno especial que a Folha de S.Paulo publicou na segunda-feira (3/9) com “o primeiro ranking de universidades brasileiras” é um raro exemplo de esquizofrenia jornalística. Idealizada pelo próprio jornal e realizada ao longo de oito meses com a intenção de ser uma “iniciativa de avaliação sistemática do ensino superior no país”, a pesquisa traz tantas inconsistências que nem deveria ter sido publicada. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi um caderno intrinsecamente contraditório, que apresentava os índices e a “receita para medir o ensino”, ao lado de artigos que reconheciam a fragilidade dos números e a extrema simplificação que eles promoviam.

Para completar, a coluna de domingo (9/9) da ombudsman Suzana Singer destacava: “Ranking universitário criado pela Folha tem problemas graves de metodologia, mas é bom para chacoalhar a academia”. Por que a academia deveria sentir-se chacoalhada com números imprestáveis é desses mistérios para os quais não se imagina uma resposta coerente, embora o ranking – cuja sigla, RUF, “parece latido de cachorro” – tenha provocado “bastante barulho”, com o envio de “mais de 300 mensagens em apenas três dias” à ombudsman.

Porém, é forçoso reconhecer o empenho desse jornal em “chacoalhar a academia” de tempos em tempos. Um dos episódios mais famosos ocorreu há 24 anos: foi o da “lista dos improdutivos da USP”, publicada em fevereiro de 1988, e que provocou respostas incisivas de alguns dos mais brilhantes intelectuais do país. Na época, o jornal divulgava uma relação produzida pela reitoria. Agora, fabrica seus próprios números e expõe uma contradição essencial: se há problemas graves de metodologia, por que o ranking teria credibilidade?

LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA:

***

[Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)]

FONTE DO TEXTO E DA IMAGEM:

Já temos mascote para a Copa do Mundo!



Foi registrada hoje (11 de setembro), no Instituto de Marcas e Patentes da Suíça (país em que a FIFA tem sede), a imagem do boneco TATU-BOLA, que será a mascote da Copa do Mundo de 2014.

O lançamento oficial será no final deste mês. O anúncio será feito em campanhas publicitárias dos patrocinadores do Mundial, entre eles Coca-Cola, Sony e Adidas.

Quem está muito feliz é a ONG Associação Caatinga e todos aqueles que lutam pela defesa do patrimônio nacional. Afinal, o tatu-bola - Tolypeutes tricinctus – é nosso! Ajude a protegê-lo:
http://www.acaatinga.org.br/index.php/2012/tatu-bola-e-confirmado-como-mascote-da-copa-do-mundo-2014/

Leia também como tudo começou em “Paca, tatu, cotia? Não! As propostas são: saci, tatu, jacaré, onça e Pelezinho”:
http://www.mariaeugeniaamaral.com/2012/03/paca-tatu-cotia-nao-as-propostas-sao.html

domingo, 9 de setembro de 2012

Comida orgânica é mais nutritiva do que a convencional: mito ou realidade?



O fato de serem cultivados sem o uso de agrotóxicos ou de fertilizantes artificiais é um dos principais motivos que levam à compra de alimentos orgânicos. Há no entanto quem consuma esses produtos por acreditar que são mais nutritivos e menos suscetíveis a contaminação do que os convencionais. Será que essas vantagens todas são verdadeiras?

Para investigar essa crença, um grupo de pesquisadores analisou dados de mais de 200 estudos que comparavam os níveis de nutrientes e de contaminação em alimentos orgânicos e convencionais – incluindo frutas, grãos, vegetais e carnes. Resultado: não foram encontradas grandes diferenças entre os dois tipos de produtos.

Tanto alimentos orgânicos como convencionais apresentaram níveis similares (7% e 6% das amostras, respectivamente) de contaminação pela bactéria E. coli, por exemplo. No caso de carne de frango, 35% das amostras “orgânicas” (vindas de animais que foram criados sem uso rotineiro de antibióticos ou hormônios de crescimento) estavam contaminadas pela bactéria Salmonella, o que foi observado em 34% das demais amostras. No que diz respeito a valor nutricional, também não foram encontradas diferenças significativas.

Em dois outros quesitos, porém, os orgânicos levaram vantagem: presença de resíduos de pesticida e contaminação por bactérias resistentes a antibióticos. A primeira grande vantagem: poucas amostras (7%) dos alimentos orgânicos continham resíduos de pesticidas, encontrados em 38% dos alimentos convencionais. Em relação ao segundo quesito, as amostras de carne de porco e frango vindas de animais criados convencionalmente tinham chance 33% maior de conter bactérias resistentes a antibióticos do as de animais criados organicamente. [o destaque, em negrito, é de autoria do blog!]

Polêmicas à mesa

O uso rotineiro de antibióticos entre seres humanos pode, comprovadamente, abrir espaço para a proliferação de bactérias mais resistentes e, portanto, infecções mais graves. No entanto, ainda não são claros os efeitos que o consumo de animais criados com uso constante de antibióticos tem sobre a saúde humana.

Outro ponto controverso é a existência (ou não) de níveis seguros de pesticidas em alimentos consumidos. “Nós encontramos muito poucos estudos que comparavam a saúde de populações humanas que consumiam grande quantidade de orgânicos e de populações com dietas convencionais; por isso é difícil interpretar o significado clínico dos resultados”, explica a pesquisadora Crystal Smith-Spangler, da Escola de Medicina Stanford (EUA). A grande variedade de métodos de cultivo de alimentos ou criação de animais analisados nos estudos também dificultou a interpretação dos dados.

Futuramente, disse Smith-Spangler, serão investigados os possíveis benefícios de uma exposição menor a pesticidas, em especial para grávidas e crianças.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Irã e Israel: guerra ou paz?


Um homem comum, 41 anos, israelense, decidiu abrir a boca sobre o que sente e pensa sobre os iranianos.


“Tradução e acesso”, por Ana Elisa Ribeiro


Por estes dias, andei pensando muito em tradutores. Conheço alguns, pessoalmente, mas não muitos. Eu mesma sinto um prazer incontido quando me arvoro na tradução de alguma coisa. Mas o sentido que me vem (o sentimento, talvez) é o de estar fazendo algo muito bom pelo meu próximo. Se a Babel era uma espécie de punição, a tradução é a própria transgressão.

Dificilmente seremos poliglotas, democratica e popularmente, poliglotas. Que me perdoem os professores de língua inglesa, mais ainda os que dedicam suas vidas à pesquisa sobre o assunto, mas muito provavelmente seremos sempre um povo de uma língua só, no máximo transeuntes de um segundo idioma meio frouxo. Talvez sejamos sempre excluídos de um universo de falares variados, dando aos poucos que circulam por ali o título imponente de "privilegiados". Mas não estou me lamentando.

Na casa dos meus pais, uns anos atrás, diziam para nós que não precisávamos aprender inglês. Vive-se bem a vidinha nos arredores sem saber outra língua. Que nada, dinheiro gasto à toa. Contente-se com seu português, invista em usá-lo bem e estará feita. De certa forma, concordo com isso, ao menos na parte do português bem-aprendido. Já nas questões alienígenas, sei não. Bem que me faz falta um inglezinho mais bem-arranjado, um espanhol mais respeitável e um francezinho de vez em quando. E bem que tentei.

Para certas coisas, é preciso ter apoio, inclusive moral, quando não o financeiro. Os cursos de inglês que eu conhecia duravam mais de década e ainda deixavam muita gente só no "the book is on the table". Essa deve ser a expressão mais jocosa e mais famosa das piadas nacionais sobre o ensino de língua estrangeira.

Meus pais, que estudaram em disputadas escolas públicas, nos idos de 1950-60, aprenderam, e pra valer, inglês e francês, sem falar nas noções de música, hein. Eu cá, também numa escola pública, tive um inglês de boteco, um aninho raso de francês e algum período de música numa sala com piano. O que ficou?, talvez o leitor indague, quase nada, digo eu. Ou estarei sendo injusta?

Eu sei dizer que me chamo Ana, em francês. Bom, isso já alivia uma parte da conversa, caso eu a tenha. Fui fazer francês na faculdade e aprendi a ler. E li. Tudo numa tacada rápida, de curso instrumental. Mas outro dia tentei ouvir uma palestra na língua de Roger Chartier e já não deu. No espanhol não acontece coisa tão grave porque é língua muito mais hermana. No inglês, tenho a sorte de ter sido fã, muito fã, de rock.

Foi nesse amor vivido pelo rock'n'roll que descobri a tradução. A curiosidade de saber o que estava ouvindo e cantando me movia a traduzir aquelas letras, em geral horrorosas, para a minha língua, que tornava as frases bem maiores. Traduzir na raça, na mão, como não se faz hoje, com tanto translator à disposição. Traduzir com dicionário de bolso, tentando encaixar os sentidos meio na marra, vertendo ao português o que nem sempre tinha explicação.

Vez ou outra, me aventuro a traduzir um texto inteiro, dos grandes, para ajudar meus alunos. Mesmo na pós-graduação, eles chegam mais crus do que eu na leitura de textos originais que serão importantes para sua formação. Não sei se fazendo um desserviço ou não, traduzo o texto para abrir-lhes o acesso, num sentimento forte de que "não posso ficar com isso só para mim". É nesse sentido que acho que os tradutores (especialmente os profissionais, o que não é meu caso, claro) são anjos cheios de vozes, tagarelas abençoados que nos ajudam, os tartamudos, a entrar pela senda dos textos e dos conhecimentos sem tantos tropeços.

Não contra-argumentem, por favor, dizendo que eu deveria incentivar as pessoas a aprender outra língua. É claro que incentivo. Não foram poucos os estudantes que correram ao Centro de Extensão ou a uma escola conveniada para lustrar seu parco inglês de colégio ou mesmo para iniciar a caminhada pelas línguas estrangeiras. É razoável a lista de estudantes que foram fazer alemão, diante da possibilidade do intercâmbio institucional. E aprendem, sofregamente, a falar aquela língua que não ouvimos nas rádios e nem temos o hábito de assistir pela TV. Mas enquanto não nos tornamos todos poliglotas, vou prestando meu serviço de outro lado, compartilhando com outros leitores o que acessei na língua vizinha ou na outra, bem distante.

Passeando em Porto Alegre, ouvi as pessoas contando da Argentina e falando palavras espanholadas. Atinei para uma questão tão importante quanto verdadeira: sou mineira, não faço fronteira com outro país, meus limites são todos em português, meus sotaques, meus falares. Por razões geográficas, políticas, históricas e, claro, educacionais, tenho comigo que não é coisa do dia a dia ter de participar de mais de um universo. Minhas lacunas em relação a isso são resultado da falta de investimento, claro, mas também de não saber que, um dia, me tornaria uma viajante, transitando por lugares onde meu português não ecoa (principalmente o português). Um improviso que me custa, às vezes, o desentendimento, a mudez e a interrupção. No entanto, continuo fazendo a apologia do tradutor, esse falante múltiplo, capaz de tapar com um tapete macio um chão que me pareceria de espinhos.

A tradução deveria fazer parte de políticas de acesso, assim como as outras: a arquitetura, a usabilidade, o jornalismo científico. E é claro que me refiro à boa tradução, capaz de reduzir a opacidade de um texto estrangeiro. Porque a má tradução, ah, esta!, o diabo que a carregue.

Ana Elisa Ribeiro - Belo Horizonte, 31/8/2012
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[Texto clipado do Digestivo Cultural - http://www.digestivocultural.com/]


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

“Quarta Erudita” com o violão de Carlos Alfeu


A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, que realiza toda primeira quarta-feira de cada mês o projeto Quarta Erudita, apresenta hoje, dia 5, às 20h, no Teatro Aracy Balabanian do Centro Cultural José Octávio Guizzo, o violonista Carlos Alfeu.

O projeto Quarta Erudita, inaugurado em abril de 2009, tem como meta o fomento e a difusão da música erudita, proporcionando aos músicos locais um espaço para suas apresentações e incentivando a formação de público e de mercado para esse tipo de evento cultural. Um projeto que merece aplausos!

Veja uma pequena mostra do som de Carlos Alfeu tocando Ernesto Nazareth:


terça-feira, 4 de setembro de 2012

“Encantares”? Só com Emmanuel Marinho...



O poeta douradense está preparado, como nunca, para fazer o que sabe como poucos: atuar, falar, tocar, recitar, encantar com seu próprio canto.

Sorte sua se você vai estar em Dourados amanhã, dia 5 de setembro (quarta-feira). Emmanuel Marinho fará uma apresentação especial, beneficente, no auditório do Alphonsus Hotel, às 20h. Quem chegar por último corre o risco de não encontrar lugar e perder o encanto.

Informações e ingressos antecipados: (67) 9629-1957

sábado, 1 de setembro de 2012

Uma tela de “Van Gogh” vista do espaço



Ao redor da ilha de Gotland, na Suécia, as águas escuras do mar Báltico e a flora marinha flutuante (fitoplâncton) formam contrastes de azuis, bem ao estilo Van Gogh na tela “Noite Estrelada”.

A foto recebeu o primeiro lugar em um concurso – promovido pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos –, em que o público escolheu as cinco melhores imagens da série “Terra como arte”. (Para ampliar a imagem, clique sobre ela.)

FONTE DA IMAGEM: Goddard Space Flight Center - NASA/USGS

 

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