quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hoje é o Dia do Saci...



Eu adoro o humor brasileiro. Você sabia que existe uma Sociedade dos Observadores de Saci? Ela foi criada em São Luís do Paraitinga (SP) e até fez campanha pela internet para que o saci fosse mascote da Copa de 2014. Com atitude de expert no assunto, o site da Sosaci é rico em informações coletadas pelos “saciólogos” sobre essa criatura fantástica que povoa o imaginário nacional.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Relatos, pra lá de íntimos, sobre a obesidade


Para você que tem, teve, ou suspeita que terá, problemas com a balança: leia o que a jornalista Janete Leão Ferraz relata no livro “De top model a ex-obesa”.

Uma história de vida sobre “uma relação íntima com a balança”, contada com bom humor e seriedade. Um livro atualíssimo que aborda questões práticas e teóricas sobre a epidemia do século.

Para saber mais, assista a entrevista de Janete no “Sem Censura”:


sábado, 27 de outubro de 2012

André Matos Moreira... Quem é esse cara?



Na Fazenda Azulão — a primeira morada da família Mattos lá pelos idos de 1902 — uma bela mata protegia a casa do calorão, deixando passar uma aragem úmida e refrescante nas tardes de sol a pino. A casa, erguida pelo patriarca Francisco de Mattos Pereira, já não existe mais. A Azulão foi retalhada por heranças, mas boa parte dessa mata foi mantida, soberana. E ainda hoje ameniza o calor para quem passa por lá.

Erguida pela família de uma das netas do patriarca — Clarinda de Matos Moreira e seu marido Devaldo Moreira, paulista e poeta —, outra casa foi construída no local em que hoje um pedaço da Azulão leva o nome de Fazenda Coqueiro. E nela morou um menino... Um menino que não andou a cavalo, não correu com medo de boi brabo e tampouco brincou de arar a terra. Um menino quieto, que desfrutou da sombra da mata para caminhar, sentar-se e ler — André Matos Moreira.

Esse trineto de Francisco de Mattos Pereira, e bisneto do Zé Leitão, deu dor de cabeça à família. Baita menino esquisito! Todo mundo esperava que ele, se não morresse logo, fosse diferente mesmo. Afinal, tinha nascido muitas horas após o rompimento da bolsa — assim diziam as comadres — e até o Dr. Vilela, logo após o parto, no dia 10 de outubro de 1984, pressentia algum tipo de problema: “Vamos ver o que vai acontecer...”.

Mas o menino, filho de José Humberto de Matos Moreira e Neusa Carmo Gonçalves, sobreviveu e acabou crescendo na Fazenda Coqueiro, criado pelos avós paternos.

As esquisitices começaram mesmo quando André desandou a ler antes de completar cinco anos e não parou mais. Encantado com a descoberta das formas das letras, seus desenhos e significados, passou a devorar livros e revistas com mais apetite do que para mingau de aveia. E não havia cristão que o distraísse enquanto estava lendo — nem uma promessa de bicicleta nova ou de caminhãozinho basculante. Tampouco um pedação de rapadura com queijo fresco dava conta do recado. Até que um dia, na cidade, André descobriu outra paixão que deixou os livros em segundo plano.

Era uma sala, na casa de Eliane Freitas de Alencar, em um final de tarde. André, impecável em sua roupa de passeio, se distraía com uma revista quase de seu tamanho enquanto sua avó Clarinda, que o levara consigo, conversava com algumas amigas. De repente, um som nunca antes ouvido o deixou paralisado. E ele me contou, com detalhes: “Eu tinha quatro anos de idade e uma centelha me atingiu. Somente hoje eu sei explicar o que senti. Foi como se uma corrente elétrica tivesse me atravessado. Eu nunca tinha escutado nada parecido. E tampouco entendia de onde saía aquele som. Havia um piano na sala, todos estavam em silêncio e a Eliane o tocava. Mas eu nem fazia ideia de que a música vinha do piano. Aquele som foi inesquecível... E uma certeza naquele momento tomou conta de mim: ‘É isso que quero fazer!’, decidi”.

E o menino levou a sério sua decisão. Alguns meses depois, no aniversário de cinco anos, bateu pé e não deixou a moça da loja embrulhar aquele imenso carro de bombeiros que a avó escolhera para lhe dar. Pediu um piano! E a avó o atendeu, com o único então disponível: um pianinho de brinquedo.

André tanto tocou e tanto pediu, que a avó Clarinda cedeu: levou-o para ter umas aulas de piano com a professora Iza. E ele logo começou a ler partituras, sem nem saber como. Impressionada com a aptidão do neto, Dona Clarinda o encaminhou para estudar piano clássico com a professora Eliane, a mesma que lhe apresentara o som que o eletrizara alguns meses antes.

A partir daí a história é de uma dedicação espartana. André passou a adolescência estudando prazerosamente, fazendo exatamente o que descobriu que queria fazer, com o incentivo da avó. Assim, concluiu o curso de nível técnico em piano, em Campo Grande, e ganhou o tão desejado presente, agora de gente grande: um piano... digital. Ainda residindo em sua terra natal, Dourados, MS, outros interesses afloraram e ele apaixonou-se, quase casou. Foi sua primeira desilusão amorosa. A tristeza o levou a outras plagas. Foi para Goiás (mas felizmente não formou uma dupla caipira...). Ali trabalhou em um conservatório e começou a firmar-se como pianista, junto com um preparador vocal. Quando deu por si, já estava produzindo arranjos, compondo e dirigindo gravações. Estudou durante quatro anos no Conservatório de Goiás, enquanto ministrava aulas de piano em Goianésia e Goiânia e dirigia um coro vocal em Ceres.

Voltou a Dourados e tornou-se pianista auxiliar na Igreja Presbiteriana do Brasil – a “igreja do relógio”. Em 2008 dedicou-se a um curso de afinação e restauração de piano, em Campo Grande, com Albino Ferraz. Em seguida sua avó teve diagnóstico de câncer e André decidiu permanecer em Dourados. Hoje ele tem a alegria de acompanhá-la, curada, enquanto ensina piano, estuda e compõe, além de ser pianista e regente do coral da igreja do relógio. E, graças a Deus, continua sendo um “cara esquisito”, daqueles que ficam horas e horas ao piano, ou imerso em leituras.

Pois é... Dizem que avós estragam os netos. Neste caso, Dona Clarinda, todos na cidade estão lhe agradecendo. Que belíssimo “estrago” a senhora fez!

E hoje, sábado, dia 27 de outubro de 2012, você tem a oportunidade de conhecer André Matos Moreira pessoalmente. Ele tocará em um concerto beneficente no Teatro Municipal de Dourados, às 19h. A renda será revertida para o GAAD-Acolher – Grupo de Apoio à Adoção de Dourados. Os ingressos estão à venda na Update – 3422-0300 – e na Livraria Canto das Letras – 3427-0203.

Que sorte a nossa! Eu não vou perder esse concerto.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Um “cantinho” novo...



Que coisa boa!

Agora temos mais um canto pra encontrar amigos, escolher bons livros e conversar.

Um novo “Canto das Letras” pra você, em um quiosque do Shopping Avenida, em Dourados.

A inauguração será hoje (dia 26, sexta-feira), a partir das 19h.  

“Comitiva da Cor” – expondo telas de 7 pioneiras



A exposição de artes plásticas “Comitiva da Cor” foi inaugurada na noite de ontem (quinta-feira, dia 25 de outubro), com obras das artistas Áurea Katsuren, Ignês Correa, Lidia Baís, Nelly Martins, Terezinha Neder, Vânia Pereira e Wega Nery (foto), grandes nomes do pioneirismo das artes em nosso estado.

A mostra, organizada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul – FCMS –, integra o Projeto Território Ocupado que busca divulgar e estimular a produção das artes plásticas no estado. A curadoria da mostra, composta com obras do acervo do MARCO (Museu de Arte Contemporânea de MS), é do Núcleo de Artes Visuais da FCMS.

Exposição “Comitiva da Cor”

Período: de 26 de outubro a 17 de novembro de 2012
Horário: das 7h30 às 17h – de segunda a sexta-feira
Local: Galeria do Memorial da Cultura
Endereço: Av. Fernando Corrêa da Costa, 559 – Campo Grande, MS
ENTRADA GRATUITA

IMAGEM: A artista plástica corumbaense Wega Nery, fotografada por Leonardo Crescenti, em 1986.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Adeus ao “Seu” Geraldo, por Masao Uetanabaro


Pra mim, Seu Geraldo era sinônimo de Pantanal. Era impossível pensar em uma viagem de trabalho para o Passo do Lontra, sem que alguém se lembrasse carinhosamente desse véio que morava na BEP – Base de Estudos do Pantanal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Fiquei muito triste ao saber que ele faleceu, ainda mais de uma forma tão estúpida e repentina, mas não vou escrever sobre ele. Já o fez o Prof. Masao Uetanabaro, meu querido amigo que tantas vezes trabalhou comigo no Pantanal e que compartilhava meu respeito pelo véio. O Masao, ou melhor, “Marçal” (como dizia Seu Geraldo), o conhecia desde a construção da BEP, há mais de 40 anos:

Seu Geraldo, Véio Geraldo...

Só sei que ele veio lá das bandas de Montes Claros (MG), pertinho da Bahia. Nem sua idade e seu nome completo eu sabia. Era difícil alguém não conhecer o véio Geraldo no trecho do Passo do Lontra. Figura com a boca escancarada para cantar e gargalhar, tratado com todo carinho pelas pessoas que o conheceram.

Seu Geraldo sempre se atrapalhava com os nomes das pessoas: “né, Jizué?”, “né, Cintha?”, “né, Divaldo?”, “né, seu Marçal?”, “né, seu Otavo?”... Não importava, a gente sabia a quem ele se referia – ele tinha seus próprios códigos para caracterizar cada um de nós, muitas vezes de forma jocosa. O importante é que sua alma era infinitamente grande, como o Pantanal, que ele tanto amara.

Esperava ansiosamente pelas caravanas que chegavam à BEP. Era motivo de festa. Ele sabia que na hora do nosso lazer iríamos a algum boteco para beber aquelas cervas bem geladinhas para amainar um pouco o calor infernal em algumas épocas do ano, ou para esquentar o frio que raramente por lá acontecia.

Aí o véio Geraldo se emperiquitava todo, fazia questão de colocar seu chapéu e o inseparável paletó. E para começar a cantar, só depois de esquentar as turbinas – e haja cerveja para isso!!! Quando estava pronto para cantar sempre tinha o charminho: “canta, seu Geraldo!”, “canta, seu Geraldo...” Depois daquela olhada ao seu redor e o sorriso largo, começava a cantoria.

Ele gostava de platéia ao seu lado, principalmente das mulheres. E como gostava de mulher – ficava todo faceiro... Muitas vezes as pessoas pediam para cantar essa ou aquela música. Mas, para terminar a cantoria, invariavelmente vinha o “Beijinho Doce”.

Eu preferia em várias ocasiões que ele escolhesse as músicas que iria cantar: ele tinha um repertório, que não sei de onde tirava – de qual baú saíam aquelas autenticas modas de viola que nunca tínhamos ouvido. Ele dizia que eram dele. Sei lá – esse segredo se foi com o véio Geraldo. Dia desses, quando cantarmos juntos novamente, ele vai me contar de quem eram as músicas. Talvez nem ele saiba, pode ser.

Seu Geraldo tinha a sabedoria dos velhos pantaneiros. Dizia que se não fossem os mosquitos e o calor intenso, o Pantanal já teria se acabado: seriam tantos turistas, alguns bem educados e outros nem tanto assim – que estes acabariam por emporcalhar o Pantanal com sujeira de vários tipos: desde as garrafas pets, latinhas de cerveja, sacos plásticos, poluição dos rios. Tem até a sujeira mental dos humanos, dizia. Você tinha toda a razão meu querido véio!

As suas histórias eram fantásticas. Ele as apresentava com a esperteza de uma velha raposa – nunca se sabia até onde era verdade e onde começava a fantasia que girava em sua cabeça, sempre entremeada de largos sorrisos e quase sempre cobrindo o rosto com as mãos já envelhecidas pelo tempo.

Pois é, Seu Geraldo. Chegou o seu tempo de ir para o outro lado. Uma pena ter sido de um modo que você detestava. Você, Seu Geraldo, só ia para a cidade quando não podia deixar de ir. Você gostava mesmo era de ficar no Pantanal, ao lado das águas, dos bichos (até de onça, que você tinha o maior pavor!!!), do sol inclemente, das raras frescuras, do vento, do poeirão, de gente que você viu uma única vez na vida, de gente que você viu várias vezes na vida, de gente que vai sentir saudades de você, véio Geraldo. Eis que um dia na cidade “vem uma moto e te pincha no chão”. Você que se salvou de picada de boca-de-sapo e até de onça, vai embora estupidamente pisado por uma motocicleta na cidade. É muita ironia!

Quem passar pelas bandas do Passo do Lontra em dias de lua cheia e ficar em silêncio absoluto vai ouvir ao longe uma voz esganiçada cantando baixinho: “que beijinho doce que ela tem, depois que beijei ela nunca mais beijei ninguém...”

Um “Beijinho Doce” procê, Seu véio Geraldo, e até um dia!

Com carinho do “japoneis”,

Masao Uetanabaro

PS: Véio, por favor, quando a gente se encontrar novamente, quero comer aquele pintado que você pescou no rio Miranda. Favor não esconder o peixe debaixo da roupa suja que você levava para a cidade de Miranda, dizendo que a véia ia lavar para você, seu velhaco!!!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Depoimentos sobre o “velho” Geraldo e o “seu” beijinho doce...


Com a morte do velho Geraldo, decidi garimpar na rede e coletar alguns depoimentos que tomo a liberdade de registrar aqui, compartilhando a tristeza da sua perda e fazendo uma pequena homenagem à sua memória.

Postando uma foto com Seu Geraldo, o professor escreveu no dia 22 de outubro de 2012:

“Partiu hoje aos 95 anos seu Geraldo, o mineiro mais pantaneiro que conheci, a quem chamávamos ‘patrimônio da BEP’ (Base de Estudos do Pantanal), tão arraigado estava ao seu cotidiano, à sua história (foi um dos peões que a construíram). Em cada viagem ao Pantanal, um encontro com seus causos, sua música divertida acompanhada da inseparável viola, suas piadas e seu riso escandaloso como este aí da foto, depois de eu ter falado uma bobagem qualquer. Quantos milhares de alunos e pesquisadores beberam da sua alegria... E eu, que perdi a outra metade da dupla de moda-de-viola ‘Jiló e Jurubeba’, que só existia a cada 6 meses, deixo aqui minha homenagem.”
PAULO ROBSON DE SOUZA

“Foi um grande companheiro de coletas e cantorias. Vai deixar muitas saudades. Para mim, o Pantanal nunca mais será o mesmo!”
CYNTHIA P. ALMEIDA PRADO

“Muitas músicas e risadas na lembrança. Faz bem uns 7 anos que não via o véio Geraldo, mas lembro bem de muitas expressões dele. Até hoje uso ‘Molhar a palavra’ quando me refiro a matar a sede com um copo de cerveja bem gelado. Saudades do Véio...”
VINICIUS ANDRADE

“Nosso querido ‘Velho Geraldo’ se foi!
Lá no céu está a maior cantoria uma hora dessa!
Companheiro das lindas noites, sempre muito agradáveis na Base de pesquisas do Pantanal, fazia com que eu me sentisse acolhida e parte daquele cenário...
A sua voz, inconfundível, era uma marca registrada!
Nunca mais aquele lugar e aquele céu estreladíssimo serão os mesmos!
Ensaie um novo repertório para nos esperar... até qualquer dia, ‘Véio Gerardo’!”
MARIA HELENA ANDRADE

“O seo Geraldo fez história. Vai com ele um pouco das esperanças, das aventuras e das pesquisas que realizamos na Base da UFMS.”
ERON BRUM

“Meu coração ficou quietinho agora, o vi poucas vezes, mas sua persona ficou marcada em mim, com ele consegui enxergar melhor a poesia de Manoel de Barros...”
YARA MEDEIROS

“Senti muito a sua morte, me lembrava sempre dele e das noites estreladas quando estava filmando A POEIRA lá na Base e ouvindo ele tocar o violão e cantar as músicas que só ele conhecia, do regional mineiro.”
AUGUSTO CÉSAR PROENÇA

“Ôoo véio Geraldo. Realmente, vai deixar muitas saudades porque não há quem não perguntasse pelo Sr Geraldo quando ia à BEP.”
IRIA HIROMI ISHII

“Ô dia marvado!
Ô dia mais triste!
Jamais consigo pensar naqueles dias na BEP sem a presença dele. Quando chegávamos eu sempre brincava com ele: GERAAAAAAAARDOOOOO! Só para escutar a gargalhada que viria em seguida.
Vai véio, vai em paz, você que deu alegria para tanta gente.
Quem sabe um dia a gente se vê.”
ANTONIO CARLOS MARINI

O vídeo de Seu Geraldo cantando “Beijinho Doce” foi gravado por um professor que registrou esse comentário no YouTube:

“Um entre os vários famosos shows com estudantes e pesquisadores da UFMS que o Velho Geraldo costumava apresentar nos bares do Passo do Lontra, Pantanal, MS, gravado em 24/07/2012.
Este lugar não será mais o mesmo sem ele...
Saudades...”
PAULO BOGGIANI



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dia 28 será o “Dia Internacional do Cinema de Animação”, no CineClube UFGD



Dia: 28 de outubro de 2012 (domingo)
Local: Unidade 1 da UFGD
Endereço: Rua João Rosa Goes, 1761, Dourados, MS
Horário: 19h30min

Informações sobre a programação:
ou com o coordenador local: Francisco Ferreira Vilela
diev@ufgd.edu.br - Telefone: (67) 3410-2886


sábado, 20 de outubro de 2012

Desenhando com Ana Ruas, na Associação Pestalozzi de Campo Grande, MS


Navegando no Facebook, encontrei essa imagem junto com um depoimento da artista plástica Ana Ruas e percebi que era impossível deixar de compartilhá-los:


Enquanto minha aluna “estava lendo” a sandália com a mão esquerda, ela desenhava com a mão direita. Fiquei MUDA quando fui avisada que ela queria desenhar e tinha 1% de visão. Por fim, entendi: Ela enxerga com o coração e pode desenhar mais do que eu. Então, engoli o nó que havia surgido na minha garganta e curti cada traço. Obrigada, Associação Pestalozzi de Campo Grande, por me convidar para ficar duas semanas dentro da Instituição desenhando e pintando com os alunos.

Ana Ruas, 20 de outubro de 2012.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Em Mato Grosso do Sul

Sem a praia, mas... com sombra, água fresca, tereré e feriados (quinta e sexta-feira) + sábado e domingo!

Bom descanso!




sábado, 6 de outubro de 2012

Ler liberta! (Mas os brasileiros parecem não perceber...)

“Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias.”
Vargas Llosa

“Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo.”
Paulo Francis

Infelizmente, o brasileiro lê cada vez menos. Ou seja, estamos acessíveis, cada vez mais, ao blá-blá-blá de qualquer salafrário, desde um político corrupto até o divulgador de uma ideia milagrosa qualquer. “Estamos nos transformando em um país de marionetes.” (Um prêmio pra quem revelar em que livro leu essa frase.)

A Fundação Pró-Livro divulgou os resultados de uma pesquisa realizada em 315 municípios, em que entrevistou 5.012 pessoas sobre seus hábitos de leitura. O cenário me entristeceu: de 2007 até hoje, houve um aumento de 9% nos não-leitores.

Segundo os dados apresentados, é possível calcular que 50% da população do país, ou seja, 88 milhões de pessoas, não leem sequer um livro por ano. Em contrapartida, ocorreu um aumento significativo no número dos que utilizam seus horários de lazer acessando a internet (não exatamente para ler livros online) ou assistindo televisão.

Para ler a pesquisa na íntegra, clique em Retratos da Leitura no Brasil

terça-feira, 2 de outubro de 2012

“Telejornais na Biblioteca Nacional”, artigo de Antonio Brasil


Na edição de hoje do Observatório da Imprensa, na Seção TV EM QUESTÃO, o jornalista Antonio Brasil comenta (e conecta) dois recentes eventos: a criação do site Internet Archive e a liberação de verba para obras na Biblioteca Nacional. Vale ler para pensar, e conversar, sobre nossas questões com prioridades e a memória nacional:

MEMÓRIA & HISTÓRIA

Telejornais na Biblioteca Nacional

Por Antonio Brasil em 2/10/2012 na edição 714 do Observatório da Imprensa

Esta semana, duas matérias sobre arquivos jornalísticos, internet e bibliotecas me chamara a atenção. Gostaria de fazer uma conexão entre enfoques totalmente diversos para a solução do mesmo problema: preservação e acesso a documentos históricos.

A primeira matéria, “Site reúne todas as notícias de TV desde 2009”, descreve, neste Observatório, proposta inovadora de um norte-americano, Brewster Kahle. Ele utiliza a internet para preservar informações e dados importantes disponíveis na rede ameaçados de desaparecer no futuro:

“Inspirado numa referência da Antiguidade, a Biblioteca de Alexandria, Brewster Kahle tem uma visão majestosa do gigante agregador e digitalizador de informações Internet Archive que fundou e dirige... Queremos coletar todos os livros, músicas e vídeos que tenham sido produzidos por humanos ao longo do tempo”.

Em relação ao telejornalismo, o projeto tem uma proposta ainda mais ousada, que pode mudar de forma radical a maneira como assistimos e pesquisamos os noticiários de TV:

“...a coleção online do arquivo irá incluir todos os trechos de notícias produzidos nos últimos três anos por 20 canais diferentes dos EUA, abrangendo mais de mil noticiários que resultaram em mais de 350 mil programas distintos de informação... O Internet Archive vem gravando lentamente material de informação desses veículos, o que significa coletar não apenas todas as edições de 60 Minutes na CBS, mas também cada minuto, todos os dias, da CNN”.

No entanto, a questão mais importante e relevante desta matéria, para nós brasileiros, é a forma de financiamento da proposta:

“O projeto para noticiários de TV, como seus outros projetos para o arquivo, é basicamente financiado por bolsas, embora inicialmente Kahle tenha posto seu próprio dinheiro”

Seu próprio dinheiro? Somente este trecho já seria considerado inusitado e surpreendente para todos nós. Por aqui, sempre aguardamos e exigimos verbas do governo para tudo, inclusive para a implantação de ideias inovadoras ou restauração de prédios históricos.

Mas Kahle faz questão de acrescentar que seu projeto também conta com apoio de verbas públicas:

“...bolsas dos Arquivos Nacionais, da Biblioteca do Congresso e de outras agências governamentais que respondem pela maior parte do projeto... o orçamento anual do projeto que gira em torno de US$ 12 milhões (cerca de R$ 24 milhões) e emprega 150 pessoas”.

Como? Somente R$ 24 milhões e 150 pessoas para garantir a preservação e o acesso público e gratuito aos telejornais norte-americano utilizando a internet? No mínimo, intrigante.

Por último, Kahle revela a proposta final e muito ambiciosa do projeto:

“Por maior que seja esta coleta de informações jornalísticas é apenas o começo. O plano é voltar, ano a ano, e lentamente adicionar vídeos de notícias até o início da televisão”.

Hemeroteca

Agora, vamos citar a outra matéria publicada em O Globo,sobre a Biblioteca Nacional: “Marta anuncia R$ 70 milhões para Biblioteca Nacional”:

“Em sua primeira visita oficial ao Rio como ministra da Cultura, Marta Suplicy anunciou um pacote de R$ 70 milhões para a Biblioteca Nacional. A verba será usada para obras de engenharia e restauração no prédio sede, no Centro, e no anexo, na Zona Portuária, onde será implantada a futura Hemeroteca Brasileira”.

Até aqui, tudo bem. Caso você tenha dúvidas sobre o que seja uma hemeroteca, explicamos com auxílio do Dicionário Michaelis. Trata-se de “lugar onde se arquivam jornais e outras publicações periódicas”.

Talvez os “telejornais brasileiros” sejam finalmente considerados “jornais” ou “publicações periódicas” pela Biblioteca Nacional. Talvez a futura Hemeroteca da Biblioteca Nacional possa preservar os nossos telejornais.

Mais adiante, o texto do Globo parece indicar que a prioridade, no entanto, será a “preservação do prédio histórico da Biblioteca Nacional”:

“Desde os anos 1980, a Biblioteca não recebia uma grande reforma. Em 60 dias, está previsto o início do restauro do telhado, das claraboias e dos vitrais, além da troca dos elevadores dos armazéns da sede e da primeira etapa da reforma do anexo. Na semana que vem, haverá edital para recondicionamento dos banheiros, manutenção da sede, entre outras obras, e para o projeto da Hemeroteca.”

Perceberam a conexão?

Só depois de “recondicionamento dos banheiros, manutenção da sede, entre outras obras” é que a nova administração pensará no futuro digital da Biblioteca Nacional. Ou seja, na instalação da tal hemeroteca – “lugar onde se arquivam jornais e outras publicações periódicas”.

Em verdade, só o futuro vai garantir os projetos da BN e a permanência da ministra no governo. Se sobrarem verbas, e dependendo de delicadas negociações com os donos das emissoras brasileiras, talvez, um dia, lembrem-se dos telejornais.

Nada contra gastar milhões na preservação de um belo prédio centenário e histórico. Afinal, a última reforma foi realizada em 1980, segundo O Globo. No mundo ideal, deveríamos ter recursos para preservação das nossas “pirâmides” e para investir na multiplicação dos acervos. Mas a questão principal é decidir pelas “prioridades”.

Mas a proposta do presente artigo não é tratar de construção ou reformas de prédios públicos. É, sim, discutir uma questão importante e relevante: em pleno século 21, para que serve uma Biblioteca Nacional? Como utilizar as novas tecnologias para preservar e garantir acesso a documentos históricos fundamentais, como os noticiários de TV?

Gostaria, então, de discutir duas propostas diversas para investir dinheiro público. De um lado, temos a opção pelo investimento em “pirâmides”: grandes obras que se tornam patrimônio público e garantem dividendos políticos para os nossos gestores, os “faraós modernos”. Afinal, no passado utilizamos grandes somas de recursos públicos para a construção de novíssima capital federal, em Brasília, da gigantesca “Cidade da Música”, no Rio de Janeiro, e hoje investimos milhões em estádios de futebol em todo o Brasil. São as nossas “pirâmides” modernas. Nada contra. Todas essas obras ou reformas podem ser facilmente justificadas. A questão é decidir as prioridades.

De outro lado, temos a opção de investir na consolidação de ideias ou inovações. Colocar dinheiro público em acervos digitais na internet que preservem a nossa história do futuro, por exemplo.

Investir recursos públicos em obras faraônicas é melhor e mais justificável do que investir em ideias inovadoras? Vocês decidem.

Mentiras

Há muitos anos tenho me dedicado a lutar pelo livre acesso aos arquivos de telejornais brasileiros. Tem sido um luta solitária e inglória. Pelo jeito, poucos demonstram interesse para enfrentar as resistências das emissoras de TV brasileiras que guardam esses documentos históricos.

Ao contrário do acesso livre a documentos históricos – como jornais impressos preservados em nossas bibliotecas públicas –, caso você queira consultar os noticiários brasileiros do passado é necessário enfrentar uma verdadeira via crucis de entraves burocráticos e dificuldades técnicas. As decisões sobre o acesso aos telejornais são tomadas por poucos, com critérios indefinidos e nebulosos. É preciso ter muita persistência. O acesso é concretizado somente após longas averiguações, que incluem os propósitos das pesquisas.

Seria o equivalente a justificar o empréstimo de um livro em uma biblioteca qualquer.

Tente fazer, por exemplo, uma pesquisa sobre a participação ou omissão de determinada rede de televisão durante os primórdios da maior mobilização popular da história recente do país, o movimento pelas Diretas Já e veja os resultados.

O jornalista Mario Sergio Conti tentou. Em outubro de 2003, durante um embate público com o jornalista Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, ele relatou as dificuldades para ter acesso ao acervo da emissora (ver aqui):

“Você acusa todos que criticaram a cobertura do Jornal Nacional daquele comício de não terem feito a pesquisa necessária: ‘Bastava uma visita ao Centro de Documentação da TV Globo, onde todas as reportagens estão arquivadas, para que acusações tão graves simplesmente não existissem’. Perfeito. Mas eu fui, diversas vezes, ao Centro de Documentação da Globo quando fiz a pesquisa para Notícias do Planalto. E pedi a fita do JN de 24 de janeiro de 1984. As fitas daquele ano, explicaram-me, foram gravadas no sistema X, e estavam em processo de transcodificação para o sistema Y. Pedi para ver aquele telejornal específico lá mesmo, numa máquina qualquer, da maneira que fosse. Não dava, foi a resposta. Ao longo de quase dois anos de trabalho no livro, de vez em quando telefonava para o Centro de Documentação e perguntava se dava para ver o raio do JN do comício das diretas na Praça da Sé. Nunca deu.”

Perceberam a importância dos arquivos de telejornais para que outros pesquisadores possam escrever ou reescrever a história recente de nosso país?

Mario Conti não teria qualquer problema para suas pesquisas sobre questão tão importante e relevante caso a Biblioteca Nacional se preocupasse com a preservação de seu prédio histórico e centenário, mas também dedicasse recursos para a preservação e difusão dos telejornais brasileiros do presente e do passado.

O caminho indicado pelo projeto Internet Archive, com a utilização das novas tecnologias, podem ajudar a resolver o problema de acesso aos nossos telejornais. Afinal, como costumo advertir, “o acesso livre à nossa memória televisiva é questão fundamental e estratégica para a preservação da história e da democracia no Brasil. Neles, talvez jamais encontremos a ‘verdade’, mas certamente evitaremos a divulgação de mentiras” (ver “Pelo livre acesso aos arquivos de telejornais”).

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[Antonio Brasil é jornalista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina]
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Imagem e texto clipados do Observatório da Imprensa:


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Chico Buarque, Thaís Gulin e... eu!


Mundo, mundo, pequeno mundo…

Chico Buarque encantou boa parte de minha vida. Agora não tanto. Não mais com a intensidade que um dia já teve, quando eu cantava suas músicas com uma compulsão diuturna. Mas suas marcas persistem, melodiosas, com letras impecáveis de “O meu amor”, “Retrato em branco e preto”, “Roda viva”, “Valsinha” e outras, muitas, mais. E aí, de repente, descubro que em seu último CD ele canta uma música com Thaís Gulin.

Quem é Thaís Gulin? Ora, quem diria? Ela é a filha da Sandrinha: minha amiga de infância, Sandra Lourenço, que brincou comigo dentro d’água de corguinho, correu no pasto atrás de bezerro e se lambuzou chupando manga no pé. Sandrinha era uma “carioca da gema” que veio para Dourados, MS, ainda menininha com seus pais, Dr. Lourenço e Dona Odaléa, e seus irmãos mais velhos, Lourencinho e Solange. E minha infância caipira foi inundada com a modernidade das cariocas e aquelas palavras cheias de “érresh” e “éssesh”.

Thaís, que lembra muito a doçura de Sandrinha e tem exatamente metade de minha idade, é hoje a amada de meu ídolo juvenil. O homem que me fez sonhar na adolescência troca beijos e juras com a filha de minha amiga. Uma história que trouxe alinhavos de minha infância, com laços e afetos de minha adolescência, transforma-se hoje em um amor que canta “larari, larará, larari”... Que resultado mais imprevisível. Casualidade? Destino? Sei lá! Pouco importa rotular, dar nomes. O delicioso é a sensação de fazer parte de uma mesma trama, assim mesmo: pegando carona, nem que seja como voyeur do prazer alheio que, de tão distante e tão próximo, até parece que um dia foi meu.

Ah! Se eu soubesse... (E se você não sabe, esse é o nome da música que Chico Buarque compôs para Thaís Gulin e canta com ela.)



 

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