quarta-feira, 20 de novembro de 2013

“Chás, intrigas e bajulação” – artigo de Norma Couri no Observatório da Imprensa


Antônio Torres na ABL
Chás, intrigas e bajulação
Por Norma Couri em 19/11/2013 na edição 773 do Observatório da Imprensa.
Dava um conto de Machado de Assis. Um escritor foi eleito para a Academia Brasileira... de Letras, o primeiro em 10 anos. A imprensa nem parece tão surpresa, o que só desmerece a dita instituição, nosso Petit Trianon. A imprensa habitou-se. Esta é a terceira vez que o romancista Antônio Torres concorre à uma cadeira na ABL. Na primeira, há cinco anos, perdeu para o jornalista e crítico musical Luiz Paulo Horta, cuja cadeira 23 ocupa agora. Na segunda, há dois anos, foi vencido pelo jornalista Merval Pereira que havia publicado um livro solo, O Lulismo no Poder, compilação de suas crônicas no Globo. Torres mais do que merece estar ali – resta ver se a casa de Machado merece um escritor puro-sangue como este baiano.

Torres escreveu 17 livros desde Um Cão Uivando para a Lua, em 1972, e de lá para cá, triste sina neste país, não fez outra coisa senão escrever.

Leia o artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa:

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Norma Couri é jornalista


FONTE DA IMAGEM E DO TEXTO: Observatório da Imprensa - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/



domingo, 10 de novembro de 2013

"Gracias a la vida - Memórias de um militante" - por Cid Benjamim


sábado, 26 de outubro de 2013

Primavera nem um pouco silenciosa

Ventou muito naquela manhã e a passarada se agitou. Acordei com uma sinfonia desafinada, repleta de trinados agudos, gorjeios e arrulhos desajeitados. Preocupada com os efeitos da ventania, levantei para ir ao jardim, pronta para podar ramos quebrados e catar pitangas caídas. Nos fundos da casa, a varanda mais parecia uma mulher com olheiras profundas e longas madeixas desgrenhadas. Nada estava no lugar — cadeiras caídas, vasos tombados, terra derramada, folhas espalhadas pelo chão.

Com o gramado coberto de pequenos ramos, galhos e flores murchas, o jardim estava de pernas pro ar. Fiquei preocupada com a visão de algumas penas esparramadas. Foi quando encontrei, meio escondida, uma pomba com filhotes em seu ninho. Involuntariamente, acabei sendo ruidosa ao me aproximar. Curiosa, mas com cautela, ela deixou-se ver sobre a folha imensa da palmeira-azul, onde os gravetos do ninho mais pareciam uma arapuca em constante equilíbrio, dançando sob o vento que ainda persistia em lufadas repentinas. Mãe equilibrista! Deve ser uma tranquilidade para quem é pássaro. Mas a questão vai muito além: não basta ter asas; tem que saber usá-las. E não deve ser nada fácil ser filhote de passarinho ou de pomba, um “passarão”... Chamar a mãe sem atrair gaviões, ficar forte, equilibrar-se no balanço do ninho e aprender a voar.

A mãe natureza segue seus propósitos, com ou sem ventania. E a primavera, com sua algazarra e fertilidade no ar, continua a trazer ninhos, ovos e filhotes. Vidas que se equilibram. Muitas são ceifadas prematuramente, estateladas no chão como um inábil trapezista principiante, enquanto outras tantas escapam ilesas, como crias abençoadas.

Filhotes me encantam. Adoro observá-los na primeira incursão fora do ninho. Alçando voos rasteiros e cambaleantes, encontram abrigo temporário entre pitangas, de onde se aprumam para um novo bater de asas. No entanto, sem a proteção materna e da palmeira, acabam tornando-se presas fáceis sobre a grama verde. Mas que espertinhos! Uma programação escondida em seus genes os leva de imediato a procurar ambientes da mesma cor de suas penas, confundindo a visão dos predadores. Camuflagem, quem diria. Uma técnica tão “humana”...

Acompanho as aventuras desses pré-adolescentes no primeiro dia fora de casa, até ser distraída por outra descoberta ou algum pensamento. Quando me dou conta, não vejo mais nenhum deles, nem sobre a grama, nem camuflados. Terão alçado um longo voo?

No dia seguinte, uma leve brisa nem traz lembranças da ventania de ontem. Próximos ao ninho vazio, namorados arrulham sem parar. E a primavera, sorridente, borrifa feromônios no ar.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Beto Lima, Henrique Spengler, Jorapimo, Lídia Baís, Óvini Rosmarinus, Paulo Rigotti, Vania Pereira e Wega Nery!


A mostra In Memorian, organizada em comemoração aos 36 anos da Divisão do Estado, homenageia oito artistas plásticos já falecidos que fizeram parte do processo de construção da memória artística de Mato Grosso do Sul.

Local: Galeria do Memorial.
Endereço: Av. Fernando Correa da Costa, 559 – Campo Grande, MS.
Abertura: Dia 24 de outubro, quinta-feira, às 19h30.
Período da exposição: de 25 de outubro até 22 de novembro de 2013.
Entrada Franca.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Fome de quê?


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

John Lennon... Love!

John Lennon (Liverpool, 9-out-1940 – New York, 8-dez-1980)

Love is real, real is love
Love is feeling, feeling love
Love is wanting to be loved
Love is touch, touch is love
Love is reaching, reaching love
Love is asking to be loved
Love is you
You and me
Love is knowing
We can be
Love is free, free is love
Love is living, living love
Love is needing to be loved

sábado, 5 de outubro de 2013

Sebastião Salgado e sua “Gênesis”

Sebastião Salgado fala sobre a infância e adolescência, seu trabalho como fotógrafo e, sabiamente, como destruir e construir FLORESTAS!

Durante dezessete minutos, uma aula estupenda sobre a vida e a morte.



sábado, 28 de setembro de 2013

Brincando de fazer trovas com a amizade



Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito...
Como um presente intocado, chaveado em relicário perfeito.

Mas meus amigos não quero somente “guardar”.
Quero encontrá-los sempre, com uma alegria de contagiar.

Quero visitá-los mais, sem o constrangimento da primeira vez,
sem rapapés, afetações e tampouco um abraço cortês.

Com a liberdade de velhos amigos, daqueles de muito tempo...
Que ao correrem pro abraço sentem o prazer infantil de uma lufada de vento.  

Quero beijá-los mais, como as crianças se beijam.
Fotografá-los, muito, para que todos os vejam.

Brindá-los, comemorando a vida... cotidianamente.
Tocá-los mais, como uma garoa, mansamente.

Ouvi-los, mais e mais, até aprender a doçura de calar e escutar.
Festejá-los, sempre, como um moleque feliz que aplaude a gargalhar.

Olhá-los, aos poucos, profundamente, com os olhos da alma.
Deixá-los gritarem mais, com toda calma.

Conversar muito... bobagens, verdades, mentiras, até perder a hora.
Confortá-los sempre, segurando o choro pra tristeza ir embora.

Encontrá-los várias vezes, após um dia, uma semana ou mês.
E entendê-los mais, em grupo ou a sós, um de cada vez.

Enfim, vivenciá-los sempre, com a mente e o coração...
...mesmo que o tempo e a distância digam não!

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Foto clipada da página do Facebook da “Escola Jatobá” – Barão Geraldo – Campinas, SP.



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Um lago... um ano...

Com uma boa câmera e um helicóptero pilotado por ele mesmo, o fotógrafo polonês Kacper Kowalski retratou um lago de seu país ao longo das quatro estações do ano, dando destaque às alterações que o clima causa no cenário. (Para melhor apreciar cada foto, clique sobre ela.)






“Ensaios Fotográficos” – a arte da fotografia no olhar de quem a domina

Neste episódio, o sexto da série Caçadores da Alma da TV Brasil, o diretor Silvio Tendler explora um dos aspectos mais ricos da abordagem da série: o olhar do fotógrafo. Estes, quando se percebem como autores, desejam narrar com seus olhares.

Em “Ensaios Fotógráficos”, é isso que fazem os renomados profissionais João Roberto Ripper, Miro, Evandro Teixeira, Custódio Coimbra, Ricardo Azoury, Nair Benedicto, Bob Wolfenson, Cassio Vascondelos, Tiago Santana, Daniel Kfouri, Antonio Scorza, Rogério Reis, Orlando Brito e Araquém Alcântara.

“Documentar é, sobretudo, aprender valores e reconhecer valores. A gente não é o centro da atenção. E o grande barato é quando a gente não tem que se ver espelho de nossas premissas”, revela Ripper.

É da percepção desses Caçadores da Alma que nascem ensaios como os apresentados por esse episódio: trabalhadores do sisal, os carvoeiros, os garimpeiros, o funeral de Pablo Neruda, os jardins do Éden, os jogos indígenas do Xingu, diásporas africanas na América do Sul, floresta da Tijuca, sertão – Amazônia, “Vanités”, apreensões, São Paulo noturna, o chão de Graciliano, “Agudás”, os jogos indígenas no Tocantins, atletismo, o carnaval na lona, senhores e senhoras, até os próprios fotógrafos, no último ensaio do episódio – “os coleguinhas”. Ensaios que nos aproximam não somente do fotografado, mas do fotógrafo, que visa a exprimir sua reflexão, sua admiração ou contestação, seu sentimento visual sobre os fatos da vida.

[clipado de TV Brasil]



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sabores celestiais

Ao criar a ordem dos beneditinos, no século VI, São Bento acreditava que “um verdadeiro monge vive do trabalho de suas mãos” e assim estabeleceu que cada mosteiro seria construído de tal forma que nele houvesse padaria, horta, queijaria, pomar e oficina para atender as necessidades da comunidade. Em seus preceitos, a vida de um monge era feita de orações e trabalho — ora et labora!

Em pleno século 21, em São Paulo, o Mosteiro de São Bento não foge às regras de seu patriarca. Além de produzirem grande parte de seus próprios alimentos, os beneditinos vendem seus bolos, pães, geleias e biscoitos, cujas receitas seculares são transmitidas somente de um monge para outro. Acredito que a expressão “é para comer rezando” tenha surgido após a degustação de algum destes produtos: “Laetare” (bolo originado no Mosteiro de Tibães, em Portugal, feito à base de limão, canela e farinha de amêndoas), “Dom Bernardo” (que, com nozes, gengibre, pêssego, café, chocolate e conhaque, é um bolo que os monges franceses faziam nas grandes festas litúrgicas) ou, quem sabe, os brasileiríssimos “Pão Bento” (criado por monges paulistanos, com mandioquinha como principal ingrediente) e “Bolo dos monges” (elaborado com vinho canônico e açúcar mascavo desde o final do século XIX).

Como se não bastasse, os beneditinos nos oferecem outros sabores celestiais que, se não fossem tão abençoados, deveriam nos levar direto ao fogo dos infernos, tal a intensidade das tentações (e a gula é pecado mortal...). São biscoitos que derretem na boca e que levam desde alho-poró e azeite de oliva até ingredientes imprevisíveis, como água de flores de laranjeira. Tentadora como poucas é também a versão monástica do “Cantucci”, biscoito italiano de amêndoas, tradicional da Toscana.

A gênese das iguarias, intercalada com orações, parece surtir forte efeito nos nomes com que são batizadas: Alleluia, Pax, Lúmen, Santa Maria, Santa Escolástica, Benedictus, Dominus, Angelorum... Infelizmente, tais segredos da abadia podem ser degustados somente em São Paulo, na Padaria do Mosteiro. Menos mal. Graças a minhas ralas observâncias religiosas e hábitos de pecadora contumaz, posso fazer penitências antes e depois das viagens, barganhando (desavergonhadamente) créditos e débitos em minha contabilidade de penas capitais.

Só me resta convidá-los: pequem comigo! Antes e depois da produção de suas delícias tentadoras, os beneditinos oram muito; com certeza por todos nós também.
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Padaria do Mosteiro de São Bento, em São Paulo:
Matriz: Largo de São Bento, s/n, Centro.
Filial: Rua Barão de Capanema, 416, Jardins.

Cada latinha vem com dois cupcakes de chocolate com nozes.

Minibolo Laetare

Caixinhas com trufas.

A filial da Alameda Barão de Capanema.

domingo, 1 de setembro de 2013

Dançando no Mato

Achei um tempo e fui correndo assistir à última apresentação do “Dança no Mato” no Teatro Municipal de Dourados. Lamentei não ter ido no sábado também...

Um espetáculo de leveza, ritmo e beleza. Grupos de todas as idades deixaram evidente que levam a sério, muito sério, o que é dançar!

Veja um pouquinho do que assisti em fotos que cliquei com uma máquina amadora (e uma foto da bailarina Lorena Hernández que roubei na internet sem descobrir a autoria).

Grupo da Academia de Dança Maria Ester: 



Meninas do PROJETO NACE – Studio Blanche Torres: 



Lorena Hernández – Studio Blanche Torres: 


Andyara Tetila e Juliana Teixeira – Academia Ana Pavlowa:



Grupo da Cia. Dançurbana:












Para saber mais: o “Dança do Mato” é um projeto da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Na sua sexta edição – 2013 – ele foi desenvolvido em parceria com a prefeitura municipal de Dourados e com o Studio Blanche Torres.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Visão noturna

Celebrando o esplendor e a diversidade da arquitetura em diferentes cidades da Europa, este vídeo captura algumas das mais fabulosas edificações, num enfoque singular e inédito.

FONTE: The Getty Iris - http://blogs.getty.edu/iris/


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Uma questão de escolha


Trabalho muito para alcançar a simplicidade.
Escrever difícil é muito fácil.

Thiago de Mello
Em uma foto de Fernanda Serra Azul

Ser ou não ser... grisalha?

Eis a questão! Para muitas mulheres, um assunto sério; para outras, uma bobagem. Quem não gosta de cabelos brancos fica horrorizada ao vê-los — enquanto quem é adepta, ama. O curioso é que a maioria esmagadora das mulheres abomina fios brancos. Nem toca no assunto. Usa tinturas das mais diferentes tonalidades e cala-se. Se questionada com insistência, tem uma reação quase unânime: “É horrível... Envelhece!”. E então resta ao inevitável e implacável tempo passar desapercebido, camuflado: cabelos tingidos ao menor sinal dos indesejáveis fios.

Que moda é essa que perdura há décadas e envolve uma espécie de tabu? Mais uma vez nos tornamos reféns da indústria de cosméticos? Se tintura é tão bom assim, por que os médicos recomendam que as grávidas não façam uso desse produto? Boa parte das tinturas contém amônia, substância tóxica para o bebê. E a longo prazo não seria nem um pouco tóxica para adultos?

Fico pensando na capacidade de manipulação da propaganda de cosméticos. Por que tantas pessoas hoje enxergam os cabelos brancos como “coisa de gente relaxada” ou até como uma caricatura aceitável apenas em senhoras simpáticas e “bem velhinhas”? Será que compramos a ideia de que um corpo e um rosto envelhecidos passam desapercebidos quando os cabelos estão tingidos? Trata-se de uma reação de medo à crescente onda de descrédito e desprezo aos idosos? Parece-me que as mulheres, cuja longevidade é comprovadamente maior que a dos homens, tendem a tornar-se vítimas desse autodescaso ao envelhecerem, ainda mais sem seus parceiros. A velhice, principalmente a feminina, costuma ser solitária.

Há quem veja as idas mensais, ou quinzenais, ao cabeleireiro como uma atividade importante na socialização das idosas. Eu prefiro ler, conversar, tomar um cálice de vinho, mexer nas plantas ou fazer centenas de outras coisas, inclusive ir ao cabeleireiro periodicamente para cuidar de minhas alvas madeixas. Estou adorando ficar com os cabelos nevados. Pelo menos por enquanto. Se der vontade, basta voltar a pintá-los. Incoerência minha, depois de todos esses argumentos? É sim, e daí? Uma das coisas boas de envelhecer é, definitivamente, não dar a mínima para o que pensam de você. Isso é quase tão bom quanto sexo na menopausa.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A caneca do ateliê


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ilton Silva expõe em Ponta Porã, MS

O artista plástico Ilton Silva retorna à sua cidade natal, expondo telas a óleo no espaço cultural do Hotel Pousada do Bosque, em curta temporada – de 18 a 24 de julho –, na companhia de Juan Angelo Antunes e Katia D’Angelo. Uma exposição imperdível! Uma das telas de Ilton, da série “Cores e Mitos”, ilustra o convite.

Saiba mais sobre o artista e sua obra:




terça-feira, 16 de julho de 2013

Jornalismo e revistas femininas, artigo de Roxana Tabakman

SAÚDE E BELEZA

Jornalismo com contraindicação nas revistas femininas


Por Roxana Tabakman em 16/07/2013 na edição 755 do Observatório da Imprensa

Na capa, uma chamada atraiu os meus olhos: “Células-Tronco - As novidades para deixar o rosto jovem em minutos”. Como nasci mulher e loira, ou seja, sou geneticamente incapaz de ter senso crítico, e além de tudo os 50 anos estão mais perto do que longe e sei que o Photoshop não presta para o dia a dia, fui direto à matéria. Maravilha! As células-tronco prometem corrigir tudo! Leio: “devolver à pele o viço, elasticidade e corrigir defeitos da idade”. Também vou guardar a revista para minha filha adolescente, porque – segundo o artigo “Células-tronco para uma pele jovem”, da revista Corpo a Corpo (Editora Escala) – a injeção também melhora as cicatrizes da acne e outros defeitos da pele. Na visão sobre o assunto oferecida pela repórter que entrevistou a dermatologista Dayse D’Ávila, o método é simples e seguro.

Porém, mulheres, alguém tem que contar como é a realidade, mesmo que seja ruim. O que diz a matéria não é tudo verdade. Especialmente a última palavra: seguro.

Deixo para os estudiosos da comunicação avaliar a peça jornalística pelo Index of Scientific Quality (Índice de Qualidade Científica) e dar um resultado entre um (baixa qualidade) e cinco (alta qualidade). Para isso, eles terão que medir o grau de clareza do texto em relação a seu público-alvo, a distinção clara entre opiniões e informações, o nível de evidência e credibilidade das fontes utilizadas, o fundamento em relação a suas afirmações e ter comprovado que apresenta claramente os benefícios e riscos.

Porém, como o que melhor sabemos fazer os jornalistas é contar histórias verdadeiras, vou contar uma, publicada na Scientific American, que vai ajudar os leitores a dar o seu veredicto.

Era uma vez uma mulher que chegou numa luxuosa clínica estética da Califórnia, The Morrow Institute, reclamando que não conseguia abrir o olho direito. Quando o médico pediu para ela tentar, ela reclamou de dor. Alem do grito, do corpo da mulher saiu outro som, como se fosse uma música rítmica, feita com castanholas. O cirurgião, Allan Wu, convidou-a logo para ir ao centro cirúrgico. O que ele achou ao cortar a pele, entre a sobrancelha e o olho, ninguém esperava.

As pinças cirúrgicas começaram a extrair pedaços de osso, um depois de outro... demoraram seis horas para acabar. O inexplicável era que os ossos estavam isolados, e o crânio não tinha nenhuma fratura. Um enigma para a ciência? Não por muito tempo. A resposta estava no prontuário.

Três meses antes, a mulher tinha recebido – em troca de 20 mil dólares – injeções de células-tronco em uma clínica de Beverly Hills. Como na técnica recomendada na matéria brasileira, as células tinham sido obtidas da própria gordura da paciente, da região abdominal. A única diferença é que as células-tronco foram colocadas junto a um material de recheio clássico, que contém um mineral (hidroxiapatita de cálcio). O procedimento médico tinha dado bons resultados estéticos. O problema estava na natureza.

O que aconteceu foi que as células-tronco (que em condições normais não estariam lá) aproveitaram o mineral disponível (que se não fosse pelo procedimento estético também não estaria lá) para construir pedaços de osso (que, logicamente, não deveria crescer ali). Ou seja, tendo os elementos, a natureza simplesmente atuou segundo as suas próprias e conhecidas regras. Pena que não era o que a mulher esperava.

As células vivas não são um remédio como qualquer outro. Células-tronco são celebres porque podem se transformar em diversos tipos de tecido. Isto tem sido obtido em laboratório e, em alguns casos como o relatado, no corpo dos pacientes. O lado B desta terapia biológica é que as células-tronco podem diferenciar-se em tecidos que não sejam os desejados, podem crescer de forma pouco controlável, podem gerar cartilagem, osso, ou outros tipos celulares, sem que se possa controlar a quantidade e o formato. É por isso, justamente, que ainda não estão permitidas na prática médica. Porque ainda há muita insegurança no processo, não pelos resultados estéticos.

A história relatada começa no ano de 2009. E acaba? Ninguém sabe. As células-tronco ainda estão lá. “Pode acontecer de novo”, advertiram à paciente arrependida. Paradoxos dos tratamentos biológicos: têm uma aura de saudáveis que nem sempre tem correspondência com a realidade.

Da história americana há muitas leituras, entre elas a de que terapias com células-tronco potencialmente perigosas se oferecem como tratamento de beleza até nos países mais sérios. No Brasil, é sabido que há profissionais oferecendo tratamentos com células-tronco sem ter havido sequer consenso sobre sua validade prática. E, afinal de contas, não é aceito pelas autoridades de saúde. Os pacientes podem cair na armadilha por pensar que, se um tratamento é oferecido em um consultório bonito, e o profissional até der um recibo pelo pagamento, é evidente que se trata de uma prática legal. Porém, no Brasil, como em muitos países, não há uma lista de procedimentos permitidos ou proibidos, e todos são cientes disso: falta fiscalização para impedir a comercialização de terapias não comprovadas. (Voltando ao caso americano, qualquer médico no Brasil pode colocar as células-tronco junto ao mineral, como no exemplo dado, porque não há um método único recomendado pelas associações profissionais).

Um paciente pode ser enganado por um médico que desrespeita as regras. O jornalista não pode, ele é responsável pelo que publica. A imprensa generalista pode não saber de tudo, mas tem que saber entrevistar. A resposta da pergunta certa para esta matéria é que a única terapia com células-tronco comprovada e aprovada no mundo para uso em humanos é o transplante de medula óssea. O resto é experimental. O que significa? Muitas coisas; entre elas, por exemplo, que não há garantias. E que se alguém fizer, tem que ser gratuita.

Entre nós

Todas as revistas femininas dedicam a maioria das suas páginas – excetuando moda – a assuntos relacionados à saúde. O interesse das leitoras pela medicina não é mais do que um reflexo de uma mudança de atitude na qual os pacientes se encarregam de sua própria saúde e buscam informações em todas as fontes possíveis. As mulheres ainda mais, responsáveis pela saúde de varias gerações da família.

O contato entre a mídia e as vozes especialistas é, por sua vez, cada vez mais fluido, facilitado pelas assessorias de imprensa cada vez mais populares no setor médico. Porém, em muitos casos, a busca midiática responde a razões de estratégia de marketing pessoal. A ingenuidade ou falta de capacitação de alguns jornalistas, somada às pressões de diferentes origens, pode fazer estragos.

É lamentável que, na busca pelo apelativo, muitas vezes se esqueça de que o essencial deveria continuar sendo a qualidade da informação, ainda mais quando pode haver consequências gravíssimas como é o caso dos artigos de conteúdo médico. As notícias sobre dietas, por exemplo, deveriam ser tratadas com o rigor imposto à prescrição de um tratamento para obesidade. Não é o que acontece. Em geral, as dietas publicadas oferecem a metade dos minerais necessários, falta a elas cálcio e ferro, e têm menos vitaminas do que o adequado para o funcionamento correto do organismo [ver aqui].

Em conclusão, o boom informativo sobre medicina pode ter efeitos contraproducentes se à quantidade não forem incorporadas doses crescentes de qualidade. Na mesma edição da matéria das células-tronco há, dez páginas depois, outra matéria de título autoexplicativo “Bisturi, aí vou”. Esta, como é devido, tem dentro de um box um texto menor, porém de titulo acertado: “Todo cuidado é pouco”.

Nas primeiras páginas da mesma revista, há um espaço fixo que se chama Entrenós. Claramente, é uma conversa amigável, íntima, com as leitoras. Nós é uma referencia às outras mulheres.

Gostaria de ter uma conversa assim com os jornalistas que fazem as matérias de saúde nas revistas femininas. Ou talvez não seja necessário, não acho palavras melhores para dizer do que as que a editora Karine César colocou naquele Entrenós para suas leitoras:

“Basta um comentário colocado de forma equivocada para que toda nossa segurança vá por água abaixo. Leva muito tempo para percebermos que um mundo cheio de regras e julgamento serve para nos nortear e motivar... Mas não pode nunca nos paralisar”.

É assim mesmo. As matérias de medicina das revistas femininas fazem muita diferença na vida das leitoras e suas famílias. É preciso apenas tentar fazê-las cada dia melhor. É fácil: em saúde, geralmente isso se alcança com o respeito a algumas regras.

***
Roxana Tabakman é bióloga e jornalista, autora de A saúde na mídia: medicina para jornalistas, jornalismo para médicos (lançamento previsto da edição em português para setembro de 2013, pela Editora Summus)


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Museu de Londres reúne melhores fotos de natureza

Uma das belíssimas imagens selecionadas. Foto de Vincent Munier.

Em parceria com a BBC, o Museu de História Natural de Londres publica o livro Masters of Nature Photography, uma seleção das melhores imagens das últimas 49 edições do concurso anual Wildlife Photography of the Year (Fotografia de Vida Selvagem do Ano, em tradução livre). Organizado pelas duas instituições britânicas, o renomado concurso premia todos os anos as cem melhores fotografias retratando cenas de natureza e vida selvagem.

Dez fotógrafos tiveram suas imagens selecionadas para o livro comemorativo, entre eles veteranos considerados “lendas” no tema e jovens “mestres” que têm se destacado. Cada um escolheu dez fotos que julgaram ser mais representativas de seu trabalho ao longo dos anos.

“Alguns diriam que há outros fotógrafos de natureza de igual estatura que, assim como eles, também foram agraciados com o prêmio. Mas juntos, estes dez representam o conjunto de uma obra que abrange 30 anos de trabalho, diferentes nacionalidades e distintas maneiras de ver o mundo da natureza”, diz a organização do livro.

Veja todas as 10 fotos clicando AQUI.

FONTE: BBC


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Uma floresta... no lustre


Se você gosta da sensação de estar em meio às arvores, mas não pode tê-las dentro de casa, dê uma olhada na criação dos artistas plásticos Thyra Hilden e Pio Diaz. Eles inventaram, inspirados nos desenhos do biólogo e naturalista alemão Ernst Haeckel, uma luminária feita de pequenas esculturas em formato de galhos de árvore.

Com a lâmpada colocada no centro, o lustre projeta sombras de árvores por todo o ambiente, nas paredes e no teto. “Os formatos refletidos na parede e no teto variam de acordo com a intensidade da luz. Quanto mais forte, mais visíveis ficam os galhos e troncos. Quando a luz está mais fraca, a sensação é de uma ‘chama queimando’ no centro da floresta”, contam os criadores da peça.


domingo, 7 de julho de 2013

Revista da Cultura – Ed. 72 – julho 2013


Publicada pela Livraria Cultura de São Paulo, com matérias imperdíveis, a última edição da Revista da Cultura já está disponível em

sábado, 6 de julho de 2013

“Retrato falado” de Emmanuel Marinho


Eles são uns homens feios.
Eles são jovens, eles são velhos
eles são homens horrorosos.
Mas de famílias tradicionais
e de nome muito conhecidos.
São verdadeiros arquivos vivos
com seus coletes a prova de bala,
enquanto multidões
sem roupa, sem nome,
morrem de fome
na nossa cara.
E uns deputados safados
ausentes do plenário.
Eu quero outro país,
eu quero outro cenário.
Governadores limpando o nariz
em seus palácios,
multidões sem casas,
demônios vestindo ternos,
no inferno anjos sem asas.
CPIs, Pcs, Oldebrecht,
Pivetes vendendo chicletes no sinal.
STJ, STF, justiça cega e etc. e tal.
Porque eu vi no jornal!
Eu vi no jornal que uns deputados são...
Eu vi na televisão
que uns senadores são...
- São tudo ladrão!
Alguns vereadores
alguns prefeitos
e outros senhores não eleitos
Também são...
- São tudo ladrão!

Eles são uns homens feios.
Eles são jovens, eles são velhos
eles são homens horrorosos.
Mas de famílias tradicionais
e de nomes muito conhecidos.
São verdadeiros arquivos vivos
com seus coletes a prova de bala,
enquanto multidões
sem roupa, sem nome,
morrem de fome
na nossa cara.
E eles, eles são!

Emmanuel Marinho, 1989



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Uma árvore com peixes!


“MIRANDA, Mato Grosso do Sul: A cheia de 2011 foi uma das maiores na história do Pantanal. A água invadiu áreas altas. Quando deparei com esta árvore, submersa nos arredores do rio Touro Morto, percebi que estava diante de uma imagem desse fenômeno extremo. Foto: Luciano Candisani.”

Texto e imagem clipados do Faceboook:


Revista Errata – (re)pensando as artes plásticas da América Latina


A Revista Errata foi criada em 2009, em Bogotá, concebida como um espaço de análise e difusão das artes plásticas. Além de contar com um comitê formado por pesquisadores de arte e uma grande rede de colaboradores colombianos e internacionais, a Errata convida a cada edição dois especialistas (um da própria Colômbia e outro estrangeiro) para pensar a publicação. A revista é quadrimestral e distribuída para venda e gratuitamente dentro dos principais centros de arte colombianos e bibliotecas nacionais e internacionais.

Todas as edições de números zero a quatro, em versões completas, estão disponíveis gratuitamente no site http://revistaerrata.com/

A edição número cinco (foto da capa) está acessível em



terça-feira, 2 de julho de 2013

Novo encontro de pesquisadores trata dos efeitos das manifestações


As medidas e decisões adotadas e propostas pelos governantes e pelo Legislativo respondem às aspirações das manifestações populares das últimas semanas? É viável um pacto político, econômico e social nacional? É possível uma reforma política significativa que reduza o déficit de representatividade, amplie os mecanismos de democracia participativa e traga maior transparência ao sistema político-eleitoral?

Essas questões constituem o eixo temático do encontro Como Avançar?, segundo da série UTI Brasil, do Laboratório Sociedades Contemporâneas, que acontece no dia 3 de julho, às 11 horas, na Sala de Eventos do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, Rua Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo, com transmissão pela web.

Depois do diagnóstico preliminar da situação proporcionado por 14 expositores no encontro O Que Está Acontecendo?, realizado no dia 21 de junho, desta vez, quatro entrevistados serão questionados sobre a reação que as manifestações ocasionaram nas esferas governamentais, legislativas, nos partidos políticos, nas centrais sindicais, entidades estudantis e outras organizações sociais.


Cada entrevistado responderá a três perguntas e cada entrevistador formulará apenas uma questão. A parte final será dedicada a um debate entre todos por 30 minutos. A mediação estará a cargo de Martin Grossmann, diretor do IEA.

Os interessados em participar do evento devem enviar mensagem para leila.costa@usp.br. As vagas são limitadas. Quem não puder comparecer, poderá assistir ao encontro em www.iea.usp.br/aovivo e enviar perguntas para iearesponde@usp.br.

Também haverá transmissão do evento, via videoconferência, para o Polo São Carlos do IEA, que fica na Av. Trabalhador São-Carlense, 400, no campus da USP em São Carlos.

FONTE DA IMAGEM: Lia de Paula/Agência Senado
FONTE DO TEXTO: Convite do IEA-USP


 

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