domingo, 21 de abril de 2013

Uma doce demissão



“Hoje é meu 31.º aniversário e, tendo recentemente me tornado pai, eu me dei conta de como a vida é preciosa e de como é importante empregar meu tempo fazendo algo que me faça, assim como a outras pessoas, feliz...”
Chris Holmes (Mr. Cake)


Foi exatamente assim que Holmes entregou seu pedido de demissão: uma carta-bolo endereçada à chefia da Força de Fronteira de Stansted, na Grã-Bretanha.

Após trabalhar por quatro anos como oficial de fronteira no aeroporto de Stansted, Holmes (confeiteiro nas horas vagas que sempre adorou fazer tortas e doces) concluiu que um bolo de cenoura com coco, nozes, uvas e cobertura de creme branco “seria uma demissão cordial, deixando um gosto bom na boca” – uma deliciosa ideia que agradou seu ex-chefe e transformou sua recém-inaugurada confeitaria, a “Mr. Cake”, em um sucesso inesperado, com a imagem de seu bolo de demissão estourando como uma das mais compartilhadas na rede.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Emmanuel Marinho e seu “Ultimato...”


Ultimato: o poema secreto de S.J.”, escrito na década de 80, inspirado no texto bíblico do Apocalipse de São João Evangelista, busca propiciar uma reflexão sobre o homem contemporâneo e sobre a construção/desconstrução da história e da arte. São dois mil anos de histórias, de João Evangelista a João Lennon, brincando com a linguagem poética, a música e com o teatro, revelando segredos sagrados e profanos deste novo milênio.
Emmanuel Marinho


O espetáculo teatral recebeu o Prêmio Rubens Corrêa em 2012, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, e tem sua estreia marcada para hoje, no Teatro Municipal de Dourados.

“Ultimato...”, concebido e interpretado pelo poeta e ator Emmanuel Marinho, foi dirigido por Joel Pizzini. Outros profissionais das artes cênicas também deixaram suas assinaturas no espetáculo: o instrumentista Antônio Porto, a roteirista Maria Eduarda de Castro, a cenógrafa e figurinista Tellumi Hellen, além da iluminadora cênica Adriana Ortiz.

“Ultimato: O Poema Secreto de S.J”

LOCAL: Teatro Municipal de Dourados
Classificação: 14 anos
DATAS E HORÁRIOS:
·   Dias 18, 19 e 20, de quinta-feira até sábado, sessão única, às 20h30.
·   Dia 21, domingo, duas sessões: às 18h e 20h30.
ENTRADA GRATUITA
Os ingressos gratuitos poderão ser retirados no Teatro Municipal, uma hora antes do início do espetáculo, ou no Bazar de Poesia, localizado na Rua Mato Grosso, 2072, em Dourados, MS.

FONTE DA IMAGEM: Emmanuel Marinho – Divulgação.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

“O Canarinho” de Paulo Robson de Souza



Todo dia, no finzinho da tarde, ele cantava encantadoramente em um arbusto à porta de casa. Passei a observá-lo com mais acuidade, ao longe, e percebi: assim o fazia após o último raio de sol. O canarinho-da-terra parecia dobrar o canto — tive vontade de gravá-lo, tão rico era o trinado. Mas, para quê? — pensei. Para mostrar a um especialista? A graça estava em memorizá-lo, em reconhecê-lo como um canto diferente, diverso daquele que se ouvia à beira do Piabanha, na minha infância, vindo de um bando de canários-da-terra da fronte bem dourada. Mas esse canarinho que vinha à porta dessa casa de veraneio no Cassino tinha identidade: reconhecia-o pelo canto peculiar, pela cor, pelo hábito de pousar no mesmo galho, sempre à mesma hora.

No mesmo horário
um canário
anuncia o fim do dia.

Cantando, um canário,
anuncia o fim do dia
e um novo cenário.

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Para ler mais textos e poemas do autor, acesse o seu blog: “O Caçuá do Paulo Robson”.

FONTE DA IMAGEM: foto de Celi Aurora.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Uma página em branco...



Por vezes entro em fases pouco produtivas, com dificuldades para escrever. Qualquer desculpa serve para postergar o artigo, nenhuma ideia parece ser interessante o suficiente para ser levada a sério e uma sensação desconfortável começa a dar voltas como um velho relógio de corda. Nessas horas não há desafio maior que uma página em branco impondo-se à minha frente, desafiadora. Não há como ignorá-la. A página sem traços convida ao uso, instiga, onde quer que esteja — estendida sobre a mesa ou na tela de computador.

Papéis em branco e ideias que não afloram... O desespero dos escritores e dos jornalistas: o branco e o deadline. Rápido! Rápido! A caneta morosa, que clamava por caligrafia legível, foi sucedida pelo piscar nervoso do cursor, que incessantemente exige mais um caractere, mais uma palavra, mais uma ideia no parágrafo que nunca se completa — e a hora passa, o prazo se esgota, o jornal tem que ir para as ruas e uma nova edição já tem que estar em preparo: novas páginas em branco, como um pesadelo recorrente.

Nesses momentos, sonho com a vida dos poetas românticos, dos alucinados que levavam meses rondando o alpendre da amada bebendo versos com o olhar e devorando palavras com suas poesias, sem compromisso com o tempo. Mas cá estou, no século 21, sufocando minha alma romântica e boêmia e blasfemando contra a energia elétrica que me aproximou do virtual e me afastou das lamparinas, com sua luz bruxuleante e sua chama esfumaçada que amarelava minha página em branco e tingia-me o nariz de fuligem, após tentativas insones de fixar no papel o que uma adolescente apaixonada sentia.

Mas retorno à realidade e reconheço a praticidade (não-poética) que um computador oferece. Concentro-me então nas palavras que tingem o monitor e dão forma a meu pensamento que flui, como um pintor que manipula cores na palheta e preenche a tela branca a seu dispor. E, começando a vislumbrar a obra pronta, percebo quão exigente, mas irresistível, é o apelo do espaço em branco. Tanto no cristal líquido do monitor como no linho branco de uma tela tensionada no chassi, qualquer intervenção é possível: traços, palavras, rabiscos, pinceladas clássicas, heréticas, herméticas ou abertas.

Acabo por ceder. Desisto de resistir, de uma vez por todas. Deixo-me seduzir e preencho a página em branco com prazer. E veja só... Quem diria? Concluo o artigo com mil ideias para a semana que vem.
 

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