sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Celebrando dezembro, janeiro, fevereiro...



Em minha infância, dezembro era sinônimo de celebração: férias, presentes no Natal e mais férias. Férias! Como eram bem-vindas!
Correr no pomar do sítio, sem nenhuma preocupação de tempo: perder horas olhando ninho de passarinho, cutucando bicho de goiaba, espremendo amora caprichosamente pra ficar com as unhas pintadas de roxo, seguir carreiro de formiga só para incomodá-las com uma pista de obstáculos — pedras de todos os tamanhos, gravetos, buracos e fendas, verdadeiros canyons em minha imaginação — e depois chupar manga no pé, lá no alto da mangueira, onde as mais amarelas e doces teimavam em ficar, e então levar um tempão para descer, assustada com o vento e as sombras, enxergando um saci pronto a me castigar pelo ovo derrubado do ninho da sabiá.
Um grito distante, um chamado, me trazia o conforto da realidade. E a voz paterna que enchia o pomar com meu nome me dava forças para vencer as sombras do final da tarde. E voltava eu para casa — correndo.
A infância devia ser designada como a idade da velocidade. O tempo era precioso: um sopro mágico que balançava meus cabelos, refrescando meu rosto sempre molhado, ora com água da bica, ora com o suor da correria. Nas manhãs das férias eu me vestia apressada e corria do quarto para ver o dia na varanda. Vai ter sol ou vai chover? Sob o sol, brincadeiras mil com a companhia inseparável de meus primos Walter, Maria Dirce e Antoninho, que atravessavam a rua voando, prontos para aventuras inesquecíveis. Sob a chuva, bolos de chocolate de barro, banho de enxurrada e deslizamento na grama encharcada, até que algum adulto percebesse e encerrasse minha carreira matinal com um banho quente na tina. Então, sentindo-me presa em casa, corria para meus livros prediletos, pronta para uma aventura com Narizinho. No Natal, mais livros vinham me acompanhar, e assim podia chover ainda mais no final de dezembro, e em janeiro inteiro também, que eu nem ligava. Lendo, eu continuava a correr, a pular e até... voava.
Por vezes retomo a idade da velocidade com novos parâmetros — computador, megabytes, internet — e faço meu próprio tempo. Ele, o tempo, continua a ser o mesmo de minha infância — um sopro mágico que desliza ágil por meus dedos —, mas não me coloca mais para correr. Agora ele é partilhado com outros prazeres, sem o rubor da correria infantil, mas com o tato, o abraço, o toque calmo e quente que acolhe, acalma, acalenta e que me leva a querer celebrar todos os meses, não só dezembro.
E hoje, adulta, às vezes reencontro a menina que, correndo, me empurra ladeira abaixo. Nesses momentos, o joelho esfolado ou o mau jeito nas costas me colocam de volta na idade certa. É quando refaço caminhos e trilhas, avaliando o tempo gasto. O mesmo precioso tempo que pode me deixar envergonhada pelas bobagens feitas, ditas, escritas, e que da mesma forma pode me levar a rir de tais feitos, ditos e escritos. É o tempo que brinca com minha vida e que se materializa anualmente, sempre em dezembro, renovando o ritual de encerramento do ano, como se exigisse um balancete final. Fico cabisbaixa — por vezes rígida e exigente; em outros momentos, flexível e compreensiva — até concluir um relatório satisfatório, me concedendo outro ano, em que usarei o tempo me aperfeiçoando como uma pessoa melhor.
Com o balancete aprovado, vou gastar meu tempo prazerosamente até dezembro do ano seguinte. O tempo me confidenciou que a melhor moeda de troca é o prazer: celebrar a vida como uma manga madura que escorre pelo queixo.
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Dezembro de 2007.

Crônica que dá nome ao meu livro Celebrando dezembro, janeiro, fevereiro... – Editora Letra Livre, Campo Grande, MS, 2014.


IMAGEM: Estou cantando, com uma lata de goiabada na cabeça, com meus primos Walter Amaral, Antoninho (o menor) e Maria Dirce. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Livro, presente de amigo!



Para todos os tipos de amigos... secretos, públicos, insubstituíveis, próximos, distantes, adorados, suportados, dissimulados ou escancarados. Aqui vai a dica de um livro para ser presenteado: Celebrando dezembro, janeiro, fevereiro..., com 71 crônicas ilustradas por 71 fotos, em 312 páginas, por somente R$ 20,00 (vinte reais).

Em Dourados, ele está à venda na Livraria Canto das Letras (Weimar Torres).
Em Campo Grande, nas livrarias Leparole (Euclides da Cunha) e Leitura (Shopping C. Grande).

Divirtam-se! (Modéstia às favas.)


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Para apreciar o TON


E o tom certo é TON BARBOSA. Um artista plástico que estuda cada vez mais, sabe o que faz e faz com carinho e dedicação.

A abertura da exposição é hoje, dia 26 (quarta-feira) e promete homenagens, performances e pinturas ao vivo. Boa viagem!


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um jardim para o poeta


Há meses que trabalho nele, planejando, organizando, encomendando mudas e plantando. Uma jabuticabeira, dezenas de chuvas-de-ouro fixadas em uma antiga mangueira, canteiros de alecrim, lavanda e amendoinzinho, além de duas árvores para colher pitangas e acerolas. Um jardim feito com e para os sentidos: para olhar, tocar, colher, cheirar, comer. Mas sempre faltava um pé de alguma coisa, cobertura para algum canteiro, uma muda pra transplantar... E hoje, ao sentir o aroma do alecrim e me alegrar com os primeiros botões da alamanda amarela, decidi que o jardim estava pronto. Foi então que encontrei um joão-de-barro caído, agonizante sobre o gramado. Um calafrio me percorreu e pensei, com tristeza profunda: “O poeta está partindo...”. Ontem mesmo eu havia conversado com amigos sobre sua hospitalização e a fragilidade de sua saúde.

A tristeza não me atingiu em vão. Manoel de Barros foi embora e deixou órfãos incontáveis: borboletas, pedras, sapos, árvores, lesmas, jabutis, pássaros, rios e até o vento. Nem o cachorro Ramela escapou. Ficamos todos à deriva, buscando terra firme, sem asas, com ramos caídos, pernas e patas sem chão.

Faz muito tempo que nos conhecemos, e no começo achei muito esquisitas aquelas suas palavras, à primeira vista tão sem pé nem cabeça — como se a alguma delas faltasse cabeça ou pé. E então, baixando a guarda e deixando-me contaminar por suas invencionices, fui abduzida em 1985. A nave alienígena foi um livro seu. Na época, coordenando um grupo de pesquisa na UFMS, estudávamos sobre biodiversidade de plantas aquáticas e sua fauna associada. E eu passava a vida envolvida com questões a serem respondidas sobre padrões e processos reguladores, com planilhas, análises estatísticas e uma parafernália de teorias e hipóteses sobre a diversidade biológica no Pantanal. Foi quando li em seu “Livro de pré-coisas” que “no Pantanal ninguém pode passar régua. Sobremuito quando chove. A régua é existidura de limite. E o Pantanal não tem limites” — e uma revelação me atingiu como um raio. Eu era uma besta! Tanto trabalho, tanta pesquisa, e o poeta matava a questão a pau, nua e crua. Nunca mais fui a mesma.

Hoje não tem mais jeito; vou deixar a tristeza me derrubar. Mas amanhã, prometo, vou dançar de cabelos soltos no jardim, dando bom dia às lesmas e beija-flores, celebrando a alegria de ter em mãos (a ao alcance de minha compreensão) poemas como os seus.

Obrigada, Manoel de Barros!

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FONTE DA IMAGEM – O poeta Manoel de Barros – página de divulgação do Facebook.

domingo, 2 de novembro de 2014

Fundação de Cultura lança livro sobre talentos da Literatura de MS


A obra, Vozes da Literatura, com mais de 300 páginas, apresenta perfis e fotos de 50 escritores, entre homenagens póstumas e autores contemporâneos de Mato Grosso do Sul.

“Trata-se da quinta publicação da série Vozes, que homenageia expressivos artistas sul-mato-grossenses”, sublinha o presidente da FCMS, Américo Calheiros. “Neste volume, 50 nomes que fizeram e fazem Literatura em nosso Estado se dão a conhecer um pouco mais. São cronistas, poetas, contistas, romancistas, ensaístas, memorialistas, historiadores – representantes do que se pode conceituar Literatura em seu sentido mais amplo.”

Segundo os organizadores do livro, Fabio Pellegrini e Melly Sena, o trabalho de elencar os nomes enfocados foi uma árdua missão. Felizmente, não por falta deles e sim pelas revelações que vêm se multiplicando em nosso Estado, somando-se a autores consagrados e constituindo uma crescente produção que, certamente, frutificará cada vez mais pujante nas gerações futuras.

Os perfis dos escritores foram redigidos por 48 autores convidados, conhecedores da vida e obra de cada um dos homenageados. O texto de apresentação, de autoria de Albana Xavier Nogueira, traça um panorama da história da Literatura em nosso Estado, desde os primeiros relatos feitos por viajantes e desbravadores (como Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, Ricardo Franco de Almeida Serra e Augusto João Manoel Leverger) até a aplicação das novas tecnologias na área e o necessário trabalho de formação de leitores, passando pelo papel desempenhado pela imprensa na descoberta e revelação de talentos.

A apresentação visual da obra, que tem design gráfico assinado por Desirée Melo, é valorizada pelo trabalho fotográfico de Rachid Waqued, que assina a maioria dos retratos dos autores. O livro não será comercializado e posteriormente será distribuído a bibliotecas, escolas públicas e instituições culturais.

Lançamento do livro Vozes da Literatura
Dia 6 de novembro (quinta-feira), às 8:30 horas.

Auditório da Governadoria do Estado de Mato Grosso do Sul
Avenida do Poeta, Bloco 8
Parque dos Poderes – Campo Grande – MS
ENTRADA FRANCA.
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FONTE DO TEXTO E DA IMAGEM: Material de divulgação da FCMS


sábado, 25 de outubro de 2014

Você já sabe o que fazer, não sabe?



Se sua memória não está muito boa, aqui vai um lembrete:
depois-das-cicatrizes-um-projeto


terça-feira, 21 de outubro de 2014

LUZ DOS OLHOS... para olhar com o coração!


Apreciar o trabalho de Andréa Luz é uma dádiva, um prazer. Sua técnica de desenho, com lápis de cor ou com pastel seco, é irretocável, perfeita. E a sua emoção aflora, imerge, salta aos olhos em cada desenho. IMPERDÍVEL!

A exposição está na Morada dos Baís, na Afonso Pena (esquina com Av. Noroeste, 5140), em Campo Grande, MS, até dia 1° de novembro de 2014.



domingo, 12 de outubro de 2014

“A diminuição da mata nos mananciais e a lição da seca em São Paulo” – artigo de Bruno Calixto – Blog do Planeta – Revista Época

Em um texto revelador, o repórter Bruno Calixto explica que a falta d’água em São Paulo não é uma simples questão climática:
  
A cidade de Extrema, no sul de Minas Gerais, enfrenta a mesma situação de seca que São Paulo. Só que, enquanto nascentes paulistas se esgotam, Extrema não corre risco de racionamento. A água brota, mesmo sob forte estiagem, graças a um programa de reflorestamento. A cidade mostra quanto a floresta importa para o abastecimento de água. Projetos que usem Extrema como referência poderão suavizar os efeitos das estiagens em todo o país. Infelizmente, a cidade mineira é um caso isolado. Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado com exclusividade por ÉPOCA, mostra que as florestas da região da Cantareira, de onde sai a água que abastece São Paulo, estão muito mais desmatadas do que se imaginava. Isso causa impacto no abastecimento de água.”



FONTE DA IMAGEM: Tatiana Morita Ishihara.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Meu terceiro livro...


Celebrando dezembro, janeiro, fevereiro... é uma viagem no tempo e no espaço através do real e do imaginário em crônicas, narrativas, contos e depoimentos desde a minha infância. Nele eu abordo vivências, perdas, escolhas e prazeres (alguns impublicáveis), com “artes” e joelhos esfolados (medo de monstros, pavor de dentista) até o primeiro baile, o final da adolescência, os amores, a carreira acadêmica e a maturidade.

A autora do prefácio, Maria da Glória Sá Rosa – Professora de literatura e membro da Academia Sul-mato-grossense de Letras – comenta que “o bom cronista mantém o leitor preso à narrativa, como criança na expectativa do recreio, aguardado com amorosa impaciência. Por isso, ouso afirmar que o tempo, que nos prende ao passado e nos empurra para o futuro, é seguramente o ‘leitmotif’ da boa crônica. É ele o devorador, inventor das coisas, descobridor de mistérios, porto em que se afirmam as crônicas de Maria Eugênia Carvalho do Amaral em sua mais recente criação – Celebrando dezembro, janeiro, fevereiro... –, alusão ao tempo que anuncia e responde a dúvidas e a sonhos. Impossível parar, depois que nossos olhos mergulharam na leitura de tão fascinante livro.”

Também sobre minha obra, o Prof. Dr. José Fernandes – Crítico literário e membro da Academia Goiana de Letras – escreveu: “Cada crônica, cada texto de Maria Eugênia é uma surpresa, porque ela muda de voz e de tom, como se fosse polifônica. Por isso, dialoga com o mundo e com tudo que o constrói, sempre conservando seu lado científico, mesmo quando faz história ou fala dela. A narrativa ‘Flores simples, flores ímpares’, por exemplo, constitui um exemplo singular dessas vozes que se entrecruzam em seu discurso. Nela, podemos ouvir a voz da bióloga, da ecóloga, em perfeito diálogo com a poesia, para mostrar a singularidade da mulher; não com um tom feminista, mas com uma singular feminilidade.”

O livro será lançado em Dourados amanhã (sexta-feira), dia 26 de setembro, das 18 às 22h, na Livraria “Canto das Letras” – Av. Weimar Torres, 2440.

Em Campo Grande, o lançamento será oportunamente anunciado (provavelmente em novembro).


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Florescer é preciso!


Todo ano vivencio a mesma coisa: andando pelas ruas da cidade, necessito estacionar antes que um acidente aconteça. Mas a culpa não seria bem minha. São os ipês, os flamboyants, as cássias-imperiais, as paineiras e até algumas quaresmeiras e uns raríssimos paus-brasil. É impossível resistir. Quero olhar para cima e para todos os lados, fascinada. E não estou sozinha nesse descuido. Outros motoristas também são prontamente atraídos e, arrebatados, freiam bruscamente, alheios ao trânsito. Imersa em tanta beleza, sinto-me como um rio que quer estancar seu curso para absorver suas margens.

Em meio à cidade, há árvores que me remetem a uma paz que poucas vezes encontro. E quando florescem em profusão sinto-me acolhida em um grande abraço. Mas uma coisa sempre me deixou intrigada: as floradas dos ipês. Próximos ou distantes, e até em cidades diferentes, eles florescem simultaneamente, como que obedecendo a uma ordem velada. E um dia descobri que tal “ordem” existe mesmo. Trata-se de uma estratégia reprodutiva, em que o comando “florescer!” é transmitido por uma série de condições, envolvendo essas árvores e o ambiente.

As plantas tropicais são um capítulo à parte em questões de reprodução. Um botânico americano, Alwyn Gentry (1945-1993), dedicou sua vida acadêmica a estudá-las. Ao investimento que os ipês fazem ao florescerem simultaneamente, e com muitíssimas flores em cada planta, Gentry deu o nome de estratégia big-bang (que em português ficou conhecida como “florada explosiva”).

Para mim, os ipês estão entre os mais tresloucados estrategistas. Ao perderem todas as folhas e ao mesmo tempo cobrirem-se inteiramente por flores vistosas, fazem o equivalente a passar semanas em jejum e vestir-se com a mais atraente das roupagens, envoltos em um suave perfume, somente para fazer sexo. Talvez a isso, inconscientemente, se deva o susto que levamos no trânsito ao depararmos com alamedas de ipês explodindo em flor. Em nossa ingênua visão do universo botânico, repleto de prosaicas e bem-comportadas plantinhas, sequer supomos que estamos assistindo um ritual de acasalamento: uma orgia vegetal.

A vida é mesmo uma sucessão de espantos e descobertas que a ciência pode mostrar de forma ainda mais intrigante. Fico até repensando a meta de, em outra vida, retornar ao planeta como pitangueira (afinal, sou do gênero Eugenia). Pois é... Talvez seja bem mais divertido ser Ipê!

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Créditos das fotos:
IPÊ ROSA - Maria Eugênia C. Amaral
IPÊ AMARELO - Gerson Ferracini


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Perguntar não ofende! ─ “O combustível que move a ciência”, por Felipe A.P.L. Costa


Encontrei no Observatório da Imprensa um texto inquisidor.

[...] Perguntar é o modo como nós, seres humanos, verbalizamos, ou de algum outro modo expressamos, o estado momentâneo de nossa curiosidade. Sem perguntas, dúvidas e questionamentos sistemáticos, nós simplesmente não teríamos inventado a pesquisa científica. Como herdeiros dessa tradição, grandes cientistas são também grandes questionadores – foi assim, por exemplo, com Galileu Galilei (1564-1642), Isaac Newton (1643-1727) e Charles Darwin (1809-1882). O ensino de disciplinas científicas – notadamente as chamadas ciências naturais, como biologia, química e física – deveria levar isso em conta, fazendo com que as aulas se pautassem mais pela efervescência dos questionamentos e debates.

Formular boas perguntas é por si só uma etapa fundamental da pesquisa científica. Veja: algumas das questões mais intrigantes da ciência moderna foram originalmente formuladas por gerações bem anteriores à nossa.[...]

Leia o artigo na íntegra:

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Felipe A. P. L. Costa é biólogo e escritor, autor, entre outros, de Ecologia, evolução & o valor das pequenas coisas (2003)



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Isaac de Oliveira e sua arte em utilitários

Um trabalho de qualidade com o bom gosto e a técnica esmerada do artista plástico. Vale a graça de utilizar cotidianamente a arte de Isaac de Oliveira, em mouse pads, cadernetas, canecas, almofadas, jogos americanos, sousplats, pratos de porcelana e muitas coisas mais.

Deixe-se surpreender pela beleza e criatividade, visitando a galeria-estúdio de Isaac em Campo Grande, MS.














sábado, 12 de julho de 2014

Tatu-bola, futebol nacional e as ameaças de extinção...


FULECO, mascote da Copa, foi uma “homenagem” a uma espécie ameaçada de extinção: o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), assim chamado devido à habilidade de curvar-se por completo sobre si mesmo para se proteger quando ameaçado.

A Copa 2014 já acabou pra mim, com a vergonhosa partida Brasil X Holanda, e o tatu-bola continua ameaçado de desaparecer do território nacional... Ele e o prazer de assistir um belo jogo de nossa seleção.

Eu vou continuar curvada como uma bola por mais algumas horas somente. Não em solidariedade ao Fuleco, mas devido às surras que foram tão doloridas. E depois... Ah, depois volto a ser “quase” a mesma. “Quase” porque, seja com vitórias ou derrotas no futebol, agora sou uma cidadã mais lesada. Estou em um país pior, bem pior do que antes da Copa. Saúde sem qualidade, educação de arrepiar, corrupção correndo solta...

Dói mais ainda do que perder todos os jogos.


terça-feira, 1 de julho de 2014

“Desmatamento padrão Fifa?” – texto de Jean Remy D. Guimarães


Em tempos de Copa do Mundo, Jean Remy lembra a medida “campo de futebol”, usada no cálculo de área florestal destruída no país. Se incluirmos todos os biomas nacionais, a taça do mundo do desmatamento é nossa!


Os dados sobre desmatamento no Brasil são frequentemente expressos em número de campos de futebol. De fato, quem não é dono de terras ou agrônomo não visualiza o que é um hectare (10.000 m2ou um quilômetro quadrado. Mas todos sabem o tamanho de um campo de futebol.

Um texto contundente. Leia na íntegra, no link do Ciência Hoje:

FONTE DA IMAGEM: Foto de Leonardo F. Freitas/Flickr - CC BY-NC-SA 2.0 - “Desmatamento de área florestal no Pará para implantação de fazenda de gado. Na modalidade desmatamento-de-floresta-tropical-úmida, o Brasil só perde para a Indonésia” – clipado do link citado acima, do Ciência Hoje.


domingo, 8 de junho de 2014

Esses companheiros inseparáveis... Nossos bichos!



Passei muitas noites de minha infância agarrada a um leãozinho de retalhos de pano. Com sua longa juba de listras amarelas e duros olhos negros de botões, ele me protegia de seres noturnos enigmáticos que habitavam a fazenda nas fases de lua nova, quando tudo ficava escuro como breu e inundado por ruídos indecifráveis. Com os olhos cerrados eu enxergava grilos gigantes, curiangos com olhos esbugalhados e onças que passavam lentamente por minha janela. Guardião de meus sonhos, aquele leãozinho afugentava os monstros de meus pesadelos.

Bichos de retalhos são raros hoje em dia. Foram substituídos por pelúcia e outros materiais sintéticos, antialérgicos. O meu ficava imundo e mudava a cada lavada... Desfiava, desbotava, envelhecia – um leão perecível, tal qual a vida a meu redor. E, aos poucos, seu rígido olhar de botões foi substituído por olhares mansos e mutáveis. Aprendi a conviver com o medo e a apreciar, mais e mais, os animais vivos.

Ah, nossos bichos... Em nome deles, e graças a eles, damos vazão a muitos sentimentos e atendemos necessidades de alimentação, de segurança, de companhia. Assim, evolutivamente, passamos de coletores e caçadores a “criadores”, domesticando nossa comida, e também introduzindo bichos no convívio doméstico. Selecionamos, século após século, as qualidades desejadas: agressividade, mansidão, obediência.

Cães não nos amam incondicionalmente. Simplesmente fizemos a seleção de cruzamentos de raças dóceis que tivessem, cada vez mais, a propalada fidelidade canina e aquele olhar de entrega que derrete corações. Pesquisas arqueológicas revelam que a domesticação dos cães ocorreu há pelo menos 10 mil anos, e algumas escavações mostram que eles alcançaram tanto prestígio que eram enterrados com seus donos. No Egito e na Grécia, os cultos ao deus Chacal e a Argos – o cão de Ulisses – são testemunhos de nossas profundas e místicas relações. Mas ninguém supera os gatos em questões sobrenaturais. A historiadora Mary Del Priore relata que em tempos remotos eles eram vistos como enviados dos deuses e tinham tanta importância entre os egípcios que, se um gato morresse, toda a família se enlutava.

Séculos de convivência... Cães e gatos povoam nosso cotidiano e continuam a encantar meninos e meninas (e adultos também). Acredito que ganhamos pontos na escala evolutiva com esse convívio. Aprendemos com os bichos como é ficar mais humanos.

FONTE DA IMAGEM: meu cachorrinho... afinal, sou uma humana aprendiz.


domingo, 1 de junho de 2014

Semana do meio ambiente ou do ambiente inteiro?



Há décadas, a primeira semana de junho vem sendo celebrada como a “Semana do Meio Ambiente”, desde a designação, pela Organização das Nações Unidas, do dia cinco de junho como “Dia Mundial do Meio Ambiente”.

A partir desse marco de divulgação, a ONU utiliza a data anualmente para difundir e debater temas ambientais e, através do seu Programa de Meio Ambiente, promover ações políticas que chamem (ou que deveriam chamar) a atenção mundial para a conscientização sobre problemas ambientais.

Na página do Ministério do Meio Ambiente, na internet – http://www.mma.gov.br/ – estão disponíveis várias informações sobre o tema, além de traduções das mensagens (interessantes e esclarecedoras) do secretário-geral da ONU e do diretor-executivo do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), fornecendo dados sobre a situação mundial dos nossos mares e oceanos.

Questões ambientais! Sejam elas sobre o mar ou sobre a terra, envolvem educação, mas não somente a educação formal. Falo de uma educação informal, reconhecida e utilizada no cotidiano, como, por exemplo, um gesto natural e espontâneo de não jogar o papel de bala pela janela. Um simples e pequeno ato consciente. Não importa se do outro lado dessa janela está o seu quintal, uma rua, uma estrada ou um rio. O que importa, de fato, é reconhecer que, para além da janela, está o planeta. E que ele seja visto, com toda naturalidade, como O SEU QUINTAL.

Confesso que estou saturada de semanas do meio ambiente. E também dessa curiosa denominação – MEIO AMBIENTE –, que significa “conjunto de fatores físicos, biológicos e químicos que cerca os seres vivos, influenciando-os e sendo influenciado por eles” (segundo o Houaiss), onde o uso da palavra MEIO é totalmente desnecessário, já que, ainda de acordo com o mesmo dicionário, AMBIENTE significa “tudo que rodeia ou envolve os seres vivos e/ou as coisas; meio ambiente”. Nossa língua portuguesa é realmente deliciosa e generosa, esbanja palavras: meio ambiente significa ambiente.

Mas voltando à minha saturação: passei décadas promovendo e/ou participando de semanas de ambiente (percebeu como soa estranho?), ou melhor, de meio ambiente, e ao término de muitas delas assisti manifestações espontâneas de crianças (e principalmente de adultos) demonstrando que o envolvimento com a tal semana fora meramente um ato social, um evento que teve começo, meio e fim. Nada mais. E assim, após discussões sobre o lixo, reciclagem e todos os seus problemas, o exausto pai de família, retornando para casa com o filho, joga displicentemente a sua latinha vazia no terreno baldio à margem da avenida.

O que é mais importante para o filho desse homem: o que ele ouviu na escola ou o que seu pai faz cotidianamente? Esse pai um dia vai levá-lo a uma pescaria. (Pobre rio...) Esse pai pode um dia ser vereador, ou prefeito. (Pobre cidade...) Esse pai pode um dia começar a produzir alimentos para a comunidade. (Pobre comunidade...)

Por essas e outras, estou cansada de celebrações para o meio ambiente, com sessões intermináveis de discursos, palestras e plantio de árvores, para assistir depois aos mesmo gestos e atos de total desrespeito ambiental. Quero celebrações diárias, naturais, espontâneas, contínuas, semana após semana, de compreensão e convivência harmoniosa com o AMBIENTE INTEIRO.

Quero assistir atos de respeito e cuidado com o nosso quintal, justamente ele, nosso quintal único: uma linda bola azul que flutua, pequenininha e frágil, na imensidão do cosmos.

ATENÇÃO - Esse texto foi escrito em junho/2004. Exatamente! Não é erro de digitação. Não é de 2014! E Então... mudou muita coisa? Pense nisso!
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FONTE DA IMAGEM: WWF – “Desertificação destrói 6.000 espécies cada ano” - clique sobre a foto para ampliá-la.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lixo eletrônico – uma história sem fim?


A edição 314 da Ciência Hoje mostra como “o constante avanço da tecnologia e o lançamento de novas versões com designs atraentes reduzem cada vez mais a vida útil dos aparelhos eletroeletrônicos. O resultado é o descarte de grande volume de equipamentos: anualmente são produzidas no mundo 150 milhões de toneladas de um lixo altamente perigoso. O chamado 'lixo eletrônico' é tema de capa da CH de maio, que traz ainda artigo sobre como os brasileiros pensam a seleção de futebol e entrevista sobre como a meditação pode mudar a estrutura e as funções cerebrais.”
Leia mais em:

FONTE DA IMAGEM: Ciência Hoje - Revista-CH-2014-314-imagens-lixoeletronico02.jpg

quarta-feira, 9 de abril de 2014

“O torturador e o ladrão”, por Eugênio Bucci

Extraído do Observatório da Imprensa

Edição 793, de 8 de abril de 2014.

As costeletas adensadas do delegado Sérgio Paranhos Fleury deslocavam o centro de gravidade nos contornos daquele semblante obscuro. A região acima da testa se dissolvia na sombra, em fade out, enquanto os maxilares se fixavam como chumbo na base do rosto, daí descendo sobre os ombros. Eram ombros em declive, no formato de uma seta. Ou melhor, de uma gota. O homem era uma gota gigantesca, descerebrada, uma gota de metal e vísceras. Nas fotos em preto e branco vemos seus olhos, ora amortecidos, ora mortíferos, refletindo não a alma, mas as vísceras. Fleury dedicou a vida, com muito suor e notável determinação, a perseguir, torturar e matar cidadãos indefesos. Imortalizou-se como o ícone maior da tortura no Brasil.

Que tenha sido também ladrão nas horas vagas não é o de menos. Nestes tempos em que a memória do golpe de 1964 ocupa o noticiário, há uma leitura obrigatória, que narra em detalhes um episódio em que o delegado tomou para si o que não lhe pertencia. O nome do livro é Minha Vida de Terrorista (São Paulo: Prumo, 2013), de Carlos Knapp.
[...]

Eugênio Bucci é jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM

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Leia o texto na íntegra:



sexta-feira, 28 de março de 2014

Desenhando palavras... em guardanapos!


Quem nunca rabiscou? O hábito é no mínimo tão antigo quanto o papel – para não falar das paredes, incluindo as de cavernas pré-históricas. Em restaurantes, bares e botecos, uma nova era surgiu no dia em que apareceu o guardanapo de papel, eleito pelos frequentadores como fiel depositário de rabiscos, recados, propostas, projetos, trovas e ao que mais a imaginação quisesse dar asas. Escritores e poetas nunca resistiram a um guardanapo dando sopa, desde os anônimos até Vinicius de Moraes, que assim dava forma a suas inspirações nas noites boêmias.

E foi com bares e guardanapos de papel que surgiu a história de sucesso de Eu me chamo Antônio, uma página do Facebook criada em outubro de 2012 para compartilhar os pensamentos e poemas escritos/desenhados pelo redator e publicitário Pedro Antônio Gabriel Anhorn, um carioca de coração que nasceu em N’Djamena, capital do Tchad. Eu me chamo... já virou livro e tem milhares de seguidores nas redes sociais.

Assista ao vídeo e veja as fotos do autor e suas principais ferramentas de trabalho – canetas, guardanapos, chope e a mesa de bar –, clicando AQUI.



quinta-feira, 27 de março de 2014

Eu como, tu comes, ele/ela come, nós comemos...



Um retrato de nossos hábitos alimentares. Comemos bem? Comemos mal? Como piorar e como melhorar?

Aqui está o Guia alimentar para a população brasileira – 2014, em sua versão para consulta pública. Use e abuse. A informação faz bem à saúde, não tem contra indicações e tampouco engorda.

Para ler o guia, clique AQUI.

E não se esqueça que o documento está em fase de consulta pública. Se você é profissional na área, pode colaborar com comentários e sugestões para o guia alimentar até o próximo dia 7 de maio. Basta acessar a ferramenta de consulta pública no portal do Ministério da Saúde:
  

terça-feira, 25 de março de 2014

Uma questão de bom tom


Ele tem um mapa do Centro-Oeste em sua trajetória. É cuiabano, mas passou toda a infância e boa parte da adolescência em Rondonópolis, cresceu um pouco mais em Coxim, morou dois anos em Campo Grande e despencou em Dourados. Nessa cidade, acabamos nos esbarrando em meio ao planejamento de um concerto de piano. Eu estava organizando o evento, apavorada com as surpresas da primeira produção; ele era o fotógrafo, calmo, centrado, um profissional competente que conduzia seu trabalho com segurança. E assim, quando mal percebemos, fomos parar em um altar – madrinha e padrinho de casamento de um músico que era nosso amigo em comum. Fotografia, música e amizade. Três elos poderosos e prazerosos.

Em nosso último encontro de trabalho, percebi mudanças no ar. Sério, ele abandonou momentaneamente a câmera na sessão de fotos e, com voz levemente irônica, me fez uma confissão: “Nada, absolutamente nada contra música sertaneja universitária, mas... o tempo todo e todo tempo? Chega a incomodar. Massifica. Cansa!”. Percebo com clareza, e compartilho, o peso da mesmice. Pensando (e sentindo) assim, o eclético Goldem Fonseca – que além de fotógrafo é músico e publicitário – deu tratos à imaginação e, rapidinho, decidiu agir contra a maré dos excessos.

Bastou um simples acorde entre amigos que amam música e, com harmonia, surgiu o “Projeto Bom Tom”: um site colaborativo formado por jornalistas, fotógrafos, músicos e publicitários com a meta de fomentar e disseminar a música autoral de Mato Grosso do Sul – e do Brasil, é claro! Puro entretenimento, com MPB, rock, blues, jazz, chorinho e samba, entrevistando bandas, compositores, cantoras, cantores; divulgando notícias e dicas sobre o que ouvir, ver e ler sobre música; produzindo e apresentando vídeos-aula – praticamente um ponto de encontro para compartilhar ideias e ações criativas, além de surpreender com pitadas de bom humor, como na frase do Luciano Pavarotti: “Aprender música lendo teoria musical é como fazer amor por correspondência”.

O endereço (ainda provisório) é www.pbomtom.wordpress.com, com links de acesso ao “Canal Bom Tom” no YouTube e a uma fanpage no Facebook. Agora é só você clicar, experimentar e gostar, ou não! Afinal, é só mais uma opção – mas de bom tom!
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FONTE DA IMAGEM: Review da guitarra Gibson ES-335 com Simão Gandhy para o Bom Tom - Foto de Goldem Fonseca. 


sábado, 25 de janeiro de 2014

Memórias... doloridas memórias!


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Aproveitando o ventinho do metrô...

Efeito do bom humor, do tempo (e do vento): um dia foi o vestido branco da Marilyn Monroe, hoje são os plásticos costurados com a criatividade de um artista plástico. Adoro!



 

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